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Povo indígena do Araguaia sofre com as enchentes e pede doações

Povo indígena do Araguaia sofre com as enchentes e pede doações


OPAN aponta que alagamento prejudicou alimentação de 189 pessoas em aldeia de Mato Grosso

As chuvas têm castigado o povo indígena Kanela, na aldeia Nova Pukanu, em Luciara (MT), na região do rio Araguaia. Segundo a Operação Amazônia Nativa (OPAN), são 189 pessoas ilhadas, após uma enchente atingir o local e invadir as casas. Eles estão sem transporte por via terrestre e perdendo a principal fonte de alimentação, que vem do plantio de roças, e pedem ajuda com doações.

De acordo com a OPAN, as chuvas atingem a aldeia desde 16 de dezembro, mas a situação se agravou no final de 2021 e início de 2022, depois que as casas foram alagadas. A Fundação Nacional do Índio (Funai) chegou a disponibilizar uma embarcação para transportar os indígenas com problemas de saúde, enquanto a Prefeitura de Luciara disponibilizou outro para emergências. Mas eles relatam que não houve entrega de cestas básicas e nem de água potável às famílias, que seguem temendo a piora do cenário com as chuvas incessantes.

“A água voltou a subir, a situação está do mesmo jeito. A previsão do tempo é que volte a chover neste mês de janeiro e principalmente em fevereiro. Isso me causa preocupação”, diz o secretário da Associação da Comunidade Índigena do Povo Kanela do Araguaia (Acikan), Cláudio do Nascimento Brito, de 43 anos.

Em 17 de dezembro, a rodovia MT-412, que liga os municípios de Porto Alegre do Norte e Luciara, foi interditada e impediu a locomoção dos indígenas. A aldeia está a 58 quilômetros de Porto Alegre do Norte e a cerca de mil quilômetros de Cuiabá. A viagem para Porto Alegre do Norte dura aproximadamente quatro horas e meia.

As enchentes também provocaram outro prejuízo aos moradores da comunidade, a falta de alimentos, uma vez que foram afetadas as roças de mandioca. Mesmo assim os indígenas ainda não receberam cestas básicas. “A farinha acaba sendo dividida dentro da comunidade”, diz Cláudio.

O risco do desabamento de casas é outra situação preocupante. “Há pessoas saindo de suas casas, estão com medo de dormir nas moradias que ficaram com a estrutura enfraquecida. Tivemos que pedir aos idosos que têm saúde frágil para saírem de suas casas. Cerca de 50 pessoas já deixaram a comunidade, mas a maioria não quer deixar, não tem para onde ir na cidade”.

Ele, junto às outras mais de 100 famílias, está na expectativa de receber cobertores, cestas básicas e roupas da prefeitura de Luciara. A entrega só deve ocorrer na próxima semana. “Na verdade, não recebemos nada de alimentação e nem água potável. O município tem ajudado a gente com gasolina”, diz.

A comunidade está há mais de 10 dias em estado de calamidade. Além disso, os indígenas do povo Kanela aguardam uma análise dos poços artesianos, que será feita pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Araguaia, para saber se a água consumida na aldeia está ou não contaminada.

Diante da situação de urgência, a Acikan pede ajuda à sociedade civil. As doações podem ser feitas via Pix pelo número de CPF 01857503112. “As pessoas podem ajudar com qualquer valor, o montante arrecadado será revertido em gasolina, alimentação, cestas básicas e remédios”, diz Cláudio.

Falta de demarcação causa prejuízos a indígenas

Há seis anos, os indígenas do povo Kanela encararam enchentes semelhantes, de acordo com Cláudio. “Em 2016, a Defesa Civil decretou estado de calamidade pública no município de Luciara. O normal da enchente aqui é em fevereiro. Esse ano, em dezembro, o rio Tapirapé encheu e transbordou. Eu acredito que a tendência é ser maior do que em 2016.”

A aldeia Nova Pukanu não está dentro de uma Terra Indígena homologada, o que deixa os moradores ainda mais vulneráveis, segundo o líder indígena. Isso por que eles são obrigados a ocupar uma região mais baixa do território, no qual os alagamentos são mais frequentes.

“Nós conseguimos uma liminar em 2018 para nos mantermos lá. Porém, tem uma parte da área que é alta, tem cerrado, tem mata que daria para plantar a nossa mandioca, mas, devido a aldeia ser em uma área baixa, nós não podemos usufruir da área alta, da área reivindicada porque estamos sob uma liminar que nos impede de avançar”.

A área, segundo ele, é reivindicada desde meados de 2010 e segue até hoje sem os estudos que iniciam o processo demarcatório. A aldeia está em uma terra pública da União, na Gleba São Pedro.

Eliane Xunakalo, 35 anos, assessora institucional da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), avalia que as enchentes estão prejudicando a soberania alimentar do povo Kanela e que é preciso acolhe-los.

“É um povo que é resiliente e está lutando pelo seu território. O momento é de acolher e ajudar a causa deles. O governo pode simplesmente contribuir fazendo o papel dele e a sociedade pode contribuir através de doações e conhecendo quem é o povo Kanela”, diz.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a Funai não respondeu quais medidas estão sendo tomadas para auxiliar a população local e nem se haverá entregas de cestas básicas.

O DSEI Araguaia informou que tem monitorado toda a situação da população Kanela de Luciara, em Mato Grosso, e, ao contrário do que afirmam as lideranças indígenas, “recebido apoio da Funai na entrega de alimentos e água potável, via transporte fluvial, devido às fortes chuvas na região.”

Em nota, o DSEI diz que as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) entram em área regularmente para prestar serviços básicos de saúde, como atendimentos, vacinação e acompanhamento e que a grávida em questão foi transferida para um hospital, passa bem e está sendo monitorada pela EMSI.

A prefeitura de Luciara não respondeu se irá de fato entregar cestas básicas e água potável aos indígenas e nem qual a previsão de fim da interdição das estradas que ligam os municípios de Porto Alegre do Norte e Luciara. (Com Assessoria).

 

 

Fonte: Rede da Notícia

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