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Com apoio da Prefeitura e Câmara Municipal de São Félix do Araguaia, Projeto "Amigos da natureza” transferem ovos de Tartaruga para berçário do quartel da 2º CIA de Polícia Militar

Com apoio da Prefeitura e Câmara Municipal de São Félix do Araguaia, Projeto "Amigos da natureza” transferem ovos de Tartaruga para berçário do quartel da 2º CIA de Polícia Militar


30/09/2019

Foi realizada na manhã da última sexta-feira, 27, em São Félix do Araguaia – MT a captura de ovos de Tartaruga da Amazônia (Podocnemis  Expansa) e transferido para as covas dentro de um berçário, no quartel da 2º CIA de Polícia Militar que onde funciona a sede do projeto com espaço físico equipamentos barcos e motores, cedido pela Policia Militar. O projeto é realizado desde 2000 e visa repovoamento da Tartaruga no rio Araguaia, espécie que está ameaçada de extinção, a iniciativa promove a educação ambiental da população, especialmente de crianças e jovens.

O biólogo coordenador do projeto, Francisco Assis Ribeiro Sousa, explica que as tartarugas serão soltas próximas para povoar perto da cidade, pois ela terá mais probabilidade de sobrevivência, porque próximo da cidade o povo não vai pescar elas, só irão pescar longe, a vigilância é mais constante. A previsão do nascimento dos filhotes está prevista para 45 a 60 dias após a colocação nas covas no berçário. “Todo esse esforço vale a pena porque, na natureza, esse resultado levaria de 20 a 30 anos para acontecer”. O índice de sobrevivência das tartarugas na natureza fica em torno de 2% a 4% apenas. Com o manejo, fazendo a soltura dos filhotes sem os riscos de predadores, esse índice sobre para 60%, anualmente.

Educação ambiental, monitoramento, fiscalização e manejo são etapas do projeto, que além da parceira da Câmara Municipal e Prefeitura de São Félix do Araguaia, tem como apoiadores a Marinha, Ministério Público, Araguaia FM, Policiam civil e militar, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Jornal O Repórter do Araguaia, SEMA, Colônia Z7 dos Pescadores, Assembléia Legislativa do estado de Mato Grosso, Governo do Estado de Mato Grosso, Escolas Estaduais do município de São Félix do Araguaia e outros.

Contudo, o diferencial do Araguaia em relação às demais áreas atendidas pelo Projeto Amigos da Natureza é justamente essa presença maciça de turistas. Nas outras partes da Amazônia, em geral afastadas dos grandes centros urbanos, os técnicos e ambientalistas precisam lidar apenas com as populações ribeirinhas ou indígenas, além é claro de traficantes e pescadores ilegais que se dirigem as áreas com o único objetivo de caçar animais e coletar ovos e filhotes.

Os quelônios fazem parte da dieta alimentar de ribeirinhos, indígenas e outras populações tradicionais da floresta. Nos últimos 200 anos os animais, principalmente os tracajás, foram muito caçados. Dois fatores prejudicaram ainda mais a conservação das espécies: o comércio da carne e a coleta dos ovos, impedindo a reprodução. No ambiente natural a perda durante o processo reprodutivo é grande, pois gaviões, jacarés, e outras espécies são predadores de ovos e filhotes. Poucos conseguem percorrer o caminho entre os ninhos e a água, ou mesmo sobreviver depois que alcançam o rio. A conscientização e a participação comunitária, é fundamental para a preservação da espécie e do meio ambiente. O manejo natural dos animais permite que eles sejam soltos nos rios e lagos somente após a cicatrização do umbigo e o endurecimento do casco, aumentando as chances de sobrevivência dos filhotes.

Protegida por lei

A tartaruga-da-amazônia (Podocnenis expansa) é protegida por lei para captura, posse, transporte e comércio. Ainda assim, há o contrabando da carne dela, que é considerado por alguns um prato exótico e saboroso. A gordura é procurada para uso cosmético e medicinal.

“Até pouco tempo, a tartaruga era abundante na região Araguaia e consumida somente pela população ribeirinha e indígena. Mas, depois passou a sofrer forte pressão para o comércio ilegal para outras regiões”, acrescenta Assis, o coordenador do projeto. Ele conta que na época da desova, em setembro, milhares de ovos às vezes são esmagados e deixados ao sol dentro de canoas e outros utensílios, para extrair a gordura. “Essa realidade precisa acabar, por isso estamos abertos a novos parceiros”.

Esteve presente para acompanhar a transferência dos ovos para o berçário, Prefeita Janailza Taveira, Presidente do Legislativo; vereadora Rita Gomes e  Secretários: de Administração; Wemes Leite, Meio Ambiente; Andressa Rocha, Engenheiro Ambiental; Felipe Salles Ramos, Comandante da 2ª CIA em São Félix do Araguaia; Cap. PM Marcelo de Oliveira Conde, dentre outras autoridades, além de  cidadãos Civil.

Veja como são coletados os ovos e como são transferidos para covas de um berçário

Coleta dos ovos

Num caderninho devem ser anotadas todas as informações sobre o transplante das covas: data de coleta dos ovos, nome da praia, espécie que desovou, número de ovos, profundidade da cova, distância da água. Isso vai facilitar a devolução dos ?lhotes aos seus locais de origem.

Veri?car os ninhos em perigo, ou seja, aqueles sujeitos a inundações e aos ataques de animais.

Abrir as covas com cuidado, retirando os ovos devagar e na mesma posição em que estavam dentro do ninho. Se forem virados, eles goram.

Limpar os ovos de todas as impurezas e colocá-los em caixas de isopor.

Fazer o transporte até, no máximo, 9 horas da manhã.

Evitar que os ovos balancem. É bom colocar as ninhadas em fôrmas de ovos de galinha ou então forrar a caixa com camadas de areia ou de capim seco.

Separar um ninho do outro, escrevendo a data, espécie, número de ovos e a praia da coleta. Cada caixa de isopor de 25 litros comporta de quatro a cinco ninhadas de tracajá.

Um lugar seguro

Para a chocadeira

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A chocadeira é o local onde os ovos vão permanecer por 45 a 60 dias. Deve ser construída em local plano, sem pedregulhos, raízes ou vegetação e ?car longe de áreas sujeitas a alagamento. Será cercada com tela ou com ripas de madeira (com 1,20m a 1,80m de altura) e coberta com malhadeira ou ?os de nylon para evitar ataques de animais. O tamanho vai depender da quantidade de ninhos. Uma chocadeira para 100 ninhos deve ter seis metros de comprimento por seis metros de largura.

Curiosidade sobre o sexo dos quelônios

Os cientistas descobriram que a temperatura determina o número de machos e de fêmeas. Nascem mais fêmeas nos ninhos onde bate mais sol e que têm temperaturas mais altas (acima de 32oC), ou seja, na areia do meio da praia. Os ninhos situados no barro, próximos à água ou em locais sombreados, com temperaturas abaixo de 30oC, produzem mais machos.

De “casa” nova

Fazer o transplante com a areia úmida. Os melhores momentos são pela manhã ou à tardinha. Convém evitar o sol a pino.

Arredar a areia mais quente e solta da área a ser escavada.

Marcar os locais onde serão abertas as covas, fazendo um espaçamento entre elas de meio em meio metro para tracajás e de um em um metro para tartarugas.

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Abrir “covas-transplante” com 15cm de profundidade no barro ou 25cm na areia para ninhos de tracajá, e com 60cm a 80cm de profundidade para ninhos de tartaruga.

As covas devem ter o formato de uma bota (ver desenho ao lado). A câmara no fundo da cova deve ?car do lado oposto ao do rio.

Não misturar ovos de um ninho com ovos de outro ninho.

Cobrir a cova com areia úmida e amontoar terra sobre ela sem pressionar.

 

 

Bater de leve a tampa da cova com a palma das mãos para dar mais resistência ao ninho.

Marcar o novo ninho com um piquete numerado, indicando número da cova, local da coleta, número de ovos e a data prevista para a eclosão.

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Eclosão: nascem os Filhotes

Um sinal: a cova afunilou

Entre o ?m de outubro e início de dezembro começam a nascer os ?lhotes. O primeiro sinal é o afunilamento da cova. A areia acima do ninho começa a se movimentar, os animais saem da câmara de postura e sobem para a parte mais super?cial do ninho.

Durante cinco dias eles esperam o momento de ir ao encontro das águas.

Pequenos e desprotegidos

Os Filhotes nascem com o “umbigo” saltado e com um cheiro forte, que atrai seus inimigos naturais. Filhotes de tracajás costumam pesar entre 8 e 19 gramas. Tartarugas são maiores e tracajás menores.

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Por isso, correm risco de serem atacados. Eles só deixam o ninho quando completaram a incubação, no início do período chuvoso.

 

 

 

Ajudando a nascer

Nem sempre a ninhada eclode ao mesmo tempo. Em geral, os ?lhotes saem das covas em momentos diferentes, ao anoitecer ou quando começa a chover. Até o terceiro dia após a saída dos primeiros animais deve se deixar o processo ocorrer naturalmente.

Somente depois disso é que se faz a abertura da cova para facilitar a saída dos que não conseguiram nascer sozinhos.

Cuidados especiais

 

 

 

 

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Os ?lhotes com umbigo grande, ferimentos ou fungos devem ?car isolados e receber tratamento antes de serem colocados nos berçários. Iodo é o melhor remédio para eles.

Pode-se colocar algumas gotas diretamente nos ferimentos ou deixá-los por um ou dois dias em banho de água iodada. Bastam 10 gotas de iodo para cada 100 litros de água.

Como se faz

A retirada dos ?lhotes deve ser feita com as mãos. Afasta-se a areia seca da superfície, escavando a areia úmida com muito cuidado, até a completa retirada dos ?lhotes. Assim que são retirados das covas, os ?lhotes seguem para o berçário.

A boa vida do berçário

Tanques-rede Feitos de madeira e tela são colocados às margens dos rios, presos em bóias de madeira. Esse modelo permite a renovação constante da água.

Proteção e vigilância

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Seja feita com tela ou com estacas, a cerca do berçário deverá ?car a aproximadamente 50 cm de altura da linha d’água. É preciso garantir que o espaçamento entre as estacas evite a presença de predadores da água, como piranhas e jacarés. Há locais em que os ?lhotes são atacados por sanguessugas. Por isso, é preciso contar com vigilância constante. Vale a pena trançar ?os de náilon na parte de cima para di?cultar o ataque de gaivotas, gaviões e outras aves de rapina.

O berçário deve ser construído de acordo com as condições de cada local e com os materiais disponíveis. Convém estar com esses espaços prontos em novembro, pouco antes da eclosão dos ovos. Há vários modelos possíveis.

Depressões naturais Pode-se usar áreas represadas e protegidas por cercas de tábuas e troncos.

Os Filhotes permanecerão no berçário durante dois meses, até que estejam com o casco duro. Isso fará com que tenham mais chances de sobrevivência em seu ambiente natural.

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E a comida?

Cada grupo de mil ?lhotes come entre meio quilo e um quilo de alimentos por dia. Eles devem se acostumar desde cedo com os alimentos que encontrarão mais tarde na natureza.

Alimentos mais indicados: • plantas aquáticas, como mureru, capim-canarana, arroz-de-várzea; • frutas que costumam encontrar na água, como murici, mungumbeira, fruta da vitória-régia, caimbé, catauari; • plantas de quintal, como beldroega, erva-de-jabuti, cariru, alface, couve.

A alimentação pode ser enriquecida com peixe cru ou assado, cortado em pedaços bem pequenos ou moído. Algumas comunidades que estão se preparando para fazer criação em cativeiro usam ração balanceada para alevinos (com 35 % de proteína) em pequenos pedaços.

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Caixas d’água De ?bra de vidro ou material plástico, devem ter a água renovada de dois em dois dias.

Berçário de alvenaria Construído com os cantos arredondados para evitar acúmulo de sujeira. A água deve ser renovada periodicamente.

 

 

Vanessa Lima/O Repórter do Araguaia

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