01/01/2014 - Delegado geral avalia crescimento da Polícia Civil

Em 30 de março de 2012, o delegado Anderson Aparecidos dos Anjos Garcia assumia a direção da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, no cargo de delegado geral. Passados um ano e nove meses de gestão administrativa, Garcia mantém a política de integração com as instituições públicas, de proximidade com a sociedade e de fortalecimento da imagem institucional.
 
O delegado geral Anderson Garcia, que por quase 10 anos esteve à frente do serviço de inteligência da Polícia Civil e por último foi secretário adjunto de Inteligência, da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), nesta entrevista faz balanço dos trabalhos realizados em 2013 e fala das perspectivas para 2014, dos preparativos da segurança durante os jogos da Copa do Mundo, em Cuiabá. Garcia ainda avalia a atuação da Polícia Civil contra o crime organizado, delitos cometidos pela internet, controle interno  e do planejamento da Polícia Civil para os próximos 10 anos.  
 
1. Qual sua avaliação da atuação da Polícia Judiciária Civil no ano de 2013, em relação ao ano anterior?
 
Garcia –  2013 foi um ano de muito trabalho para a Polícia Judiciária Civil. A Polícia Civil, no meu entender, cresceu demais. Os números retratam isso. Em quantidade de inquéritos concluídos, por exemplo, em 2012, foram 30.496 inquéritos e vamos passar de 32 mil no fechamento de 2013, um acréscimo de quase 10% do que foi feito em 2012. Prendemos 20.335 pessoas em 2012 e até novembro de 2013 eram 22.782 presos em operações e por mandados de prisão.  Quando falamos de prisão, esse não é um número que nós da Polícia Civil festejamos. Não queremos ver pessoas presas, a gente quer uma sociedade mais harmônica, tranquila. Por outro lado, isso demonstra o quanto a Polícia Civil trabalhou, porque aí engloba também o cumprimento de mandados, os flagrantes realizados e as operações deflagradas. Em 2013 fizemos duas grandes operações de cunho nacional, que envolveram todas as policiais civis do Brasil, a ‘PC 27’. No total, nessas duas operações ‘PC 27’, no Estado de Mato Grosso, foram 634 bandidos retirados do convívio da sociedade. Esse número de prisões, de inquéritos concluídos e acrescento as operações que a Polícia Civil realizou em todo o Estado, 316 ao todo, até início de dezembro passado, é um número assombroso, magnífico. Agregando mais coisas foram quase 2 mil armas ilegais tiradas de circulação e 4 toneladas de drogas apreendidas em 2013, no atacado e no varejo, em algumas operações realizadas pela nossa Delegacia de Repressão de Entorpecentes e unidades do interior. Nas grandes operações procuramos atingir o atacado e no varejo a gente  apreende 5, 10 quilos. No interior, 5 quilos faz muita diferença. 
 
2. Há uma unidade da Polícia Civil, o GCCO, que atua fortemente no trabalho de inteligência e repressão as quadrilhas. Como o senhor avalia a atuação da Gerência de Combate ao Crime Organizado?
 
Garcia - O crime organizado aqui em Mato Grosso há alguns anos vem sendo acompanhado pela Polícia Civil, seja na área de inteligência, seja no repressivo junto a  nossa Gerência de Combate ao Crime Organizado, o GCCO. É um grupo muito bem estruturado da Polícia Civil, que vem realizando um trabalho magnífico para nossa sociedade. Além de atuar e desarticular quadrilhas denominadas ‘novo cangaço’ também atua em casos de alta complexidade. Tivemos a operação ‘Descuidistas’ e a “Implosão”, que desarticularam quadrilhas que aproveitavam do descuido de funcionários de bancos e que atuavam em ataques a caixas eletrônicos. Só nessa última foram 23 presos e 35 indiciados. O GCCO atua em sequestro, nos caixas eletrônicos, no crime organizado propriamente dito e em outras investigações complexas. Busca, especialmente, identificar os líderes que organizam e planejam grandes roubos que causam transtornos à sociedade. É o caso do “Nenezão” – Lindomar Alves de Almeida – preso em novembro de 2012, em Feira de Santana, na Bahia. Toda essa gama de crimes de alta complexidade, o GCCO vem dando excelentes resultados, não só para a Polícia Civil, mas para a sociedade em geral. A gente vê que a integração que o GCCO tem com outros organismos, seja fora ou dentro do estado, é o que dá resultado. 
 
3. Como estão os trabalhos da Polícia Civil no combate aos crimes praticados com uso de altas tecnologias?
 
Garcia – A sociedade evoluiu e a Polícia tem que acompanhar institucionalmente. Então, o investimento em tecnologia aqui na Polícia Civil é pesado, bem como na qualificação dos servidores para operar essa tecnologia de ponta. É preciso casar os dois. A Gerência de Combate aos Crimes de Alta Tecnologia, a Gecat, tem hoje vários softwares, tecnologia e qualificação de seus servidores, já num patamar muito bom. Temos que melhorar? Temos sim e sempre. Avançamos muito na área de tecnologia e hoje a Gecat já tem em andamento quase 100 procedimentos. São muitos porque os crimes praticados via internet cresceram e é preciso ter um grupo preparado para investigar. No Brasil, temos parceria com o Ministério da Justiça e coordenamos um trabalho nacional com relação a crimes com alta tecnologia. O delegado que comanda a Gecat, dr. Anderson Veiga e sua equipe coordenam o grupo de trabalho nacional. Isso demonstra a capacidade de nossos servidores, o conhecimento técnico e profissionalismo da Gecat, que também atua nos crimes de bullying nas escolas, fraudes bancárias e crimes contra a honra, entre outros. Tudo que têm envolvimento tecnológico vai para a Gecat.
 
4. Quais as perspectivas da Polícia Civil para 2014, ano de Copa de Mundo?
 
Garcia – Encaro 2014, como um ano de grandes oportunidades para a Polícia Civil. Será um ano corrido, com muito trabalho, pois temos carnaval em março, a Copa do Mundo em junho, e eleição em outubro. São praticamente três grandes eventos, que vão ocorrer no Estado de Mato Grosso e vamos estar preparados para isso. Conseguimos nomear o restante dos delegados de polícia do último concurso, são mais 43 delegados. Estamos com concurso em andamento para as carreiras de investigador e escrivão de polícia. São 600 no total, 450 investigadores e 150 escrivães. Abrimos o segundo plantão em Cuiabá, para tratar das ocorrências de crimes contra o patrimônio. Isso era algo que vínhamos lutando há algum tempo. A diretoria fez estudo para que outras unidades sofram o menor impacto possível, porque tivemos que relocar policiais para montar esse plantão especializado na Delegacia Especializada de Roubos e Furtos. O ganho para a sociedade é imenso. Os crimes contra o patrimônio correspondem cerca de 40% das ocorrências, dos flagrantes que são encaminhados para o plantão. Tirando essa demanda, em tese, estaríamos diminuindo cerca 50% do atendimento no plantão do Planalto. Isso traz melhorias no atendimento à população, tanto num plantão quanto no outro. Traz agilidade na prestação de serviço à comunidade de Cuiabá. Também devemos abrir a Delegacia do Turista, já iniciamos conversa com a Infraero e solicitamos espaço no aeroporto Marechal Cândido Rondon e já tivemos sinalização para isso. Então, terminando a reforma do aeroporto vamos inaugurar a Delegacia de Atendimento ao Turista, com localização de fácil acesso e identificação. Estamos também fortalecendo a Delegacia de Defesa do Consumidor porque ela abarca os crimes contra marcas e patentes. A unidade ficará no mesmo prédio do Procon de Cuiabá. Por último, vamos lançar a internacionalização da Delegacia Virtual. Isso também é um grande “boom” que estamos dando em prol dos turistas e também beneficia a população mato-grossense, já que aumentamos o número de delitos que as pessoas podem registrar via internet, sem necessidade de sair de casa. Agora os registros podem ser feitos no inglês e no espanhol para atender o público estrangeiro, passando a ter três idiomas: o português, o inglês e o espanhol. Tivemos várias ações feitas no ano de 2013 e temos a perspectiva de aumentar para 2014. O ano de 2013 foi um ótimo ano para Polícia Judiciária Civil, apesar das dificuldades que encontramos. Temos dificuldades de pessoal, sabemos disso. Mas o Governo de Mato Grosso, nesse ponto, sempre se mostrou preocupado, não só com a Polícia Civil, mas com toda a segurança pública. Fora essas ações, temos também o Centro Integrado de Comando e Controle, da Secretaria de Segurança Pública, que será inaugurado e com uma tecnologia sofisticada, que se não fosse o evento Copa, não teríamos aqui no Estado de Mato Grosso. Já chegaram dois caminhões com plataformas elevadas que servirão para monitoramento de multidões, imagiadores aéreos e outras tecnologias. Já fizemos a compatibilização de áreas, as RISP. Foram tantas coisas desenhadas, construídas em 2013 e que continuarão a ser executadas em 2014.
 
5. No controle interno, como a Polícia Civil tem trabalhado para combater a corrupção policial?
 
Garcia – No controle interno, a primeira coisa que nossa gestão vem tentando fazer e demonstrar é a orientação, em duas vertentes, o controle interno e a normatização. A outra é a repressão contra os maus policiais, que utilizam a carteira da Polícia Civil, o distintivo para cometer crimes. O primeiro passo, a trabalhar é a conscientização, junto ao público interno. O Conselho Superior de Polícia começou a baixar resoluções para orientar o comportamento e os procedimentos normais internos da Polícia Judiciária Civil. Isso ajuda a pessoa a como proceder em determinadas circunstâncias e no trâmite da documentação interna. Assim, começamos a ter controle e procuramos evitar desmando. Na repressão, buscamos o fortalecimento com incremento de pessoas, de metodologia e mudanças de postura da nossa Corregedoria de Polícia. Entendo, e agora falo pelo Anderson, delegado de polícia, que o pior delito que pode acontecer é a corrupção, em todos os sentidos. Não falo só de dinheiro não. É corrupção de ética, de postura e isso não é só a polícia que está acometida. Esse câncer social, que é a corrupção, encontramos em todas as carreiras públicas e no privado também. É uma falta de ética muito grande para você se sobressair na profissão. A corrupção de um modo genérico tem que ser combatida por todas as instituições e a Polícia Civil vem fazendo sua parte. A corrupção traz prejuízo grande com a perda da confiança e imagem institucional. Isso é muito danoso para a instituição e para a sociedade, que deixa de acreditar num organismo estatal. Essa confiança, essa proximidade com a sociedade é importantíssima e jamais deve ser perdida. E toda vez que ocorre fatos que envolvem corrupção há esse descrédito.
 
6. Qual o planejamento da  Polícia Civil para os próximos 10 anos?
 
Garcia – A Polícia Civil lançou seu planejamento estratégico, que denominamos PJC + 10. O planejamento é a coisa mais importante de uma instituição, seja privada ou publica. É uma visão de futuro, como queremos a instituição atuando em prol da sociedade em 2022, daqui há 10 anos. Todo o planejamento anual, a partir de agora vai se basear em cima do  PJC + 10, que está aliado com o MT + 20, do Estado de Mato Grosso. À medida que o Estado for crescendo a PJC vai acompanhando. O PJC + 10 tem cinco objetivos estratégicos, que são as linhas principais. O primeiro é a melhoria da qualidade do atendimento, voltada ao índice de satisfação do público, como os serviços que a Polícia Civil oferece. O segundo é a intensificação das ações comunitárias. O fortalecimento das ações de investigação criminal é a terceira vertente do planejamento. Aqui vamos buscar melhorar não só a quantidade, mas também a qualidade da nossa investigação. A quarta é o fortalecimento do sistema de inteligência. Hoje temos o Sisp, que é o Sistema de Inteligência da Segurança Pública, envolvendo todas as instituições, mas também temos o Sintel, que é o Sistema de Inteligência da Polícia Civil. Temos núcleos de inteligência, nas 15 Regionais de Polícia e a ideia é expandir isso, não só em questão estrutural, mas também de qualificação de nossos servidores, que julgo muito importante. A inteligência no seio da Polícia Civil não pode ser encarada como uma unidade policial. Tem que ser vista como uma cultura institucional. A última vertente é a reestruturação do modelo de gestão da Polícia Civil. Temos que nos preparar para isso, na gestão de pessoas, de procedimentos internos, do controle e fiscalização das nossas próprias unidades, no que tange a procedimentos. O planejamento estratégico vem para dar um norte. É o nosso farol de Alexandria dando a direção para os próximos 10 anos.
 
7. A Polícia Civil investiu em ferramentas de gestão para melhorar a administração. Como funcionam esses modelos?
 
Garcia – Quando chegamos na diretoria percebemos que muitas das informações da própria Polícia Civil não se encontravam em seu próprio domínio. Estavam lá no Núcleo Sistêmico, não que ele não funcionava, mas precisávamos de  acessibilidade imediata de informações para tomada de decisão e às vezes essa informação, por não estar sob nosso domínio, demorava um pouco. Então, implantamos o sistema Geia na Polícia Civil, um sucesso ao ponto de outras instituições conhecendo sua eficácia e eficiência solicitarem que fosse disponibilizada e cedemos porque somos parceiros das outras instituições de Estado. O sistema Geia, no módulo administrativo e o software QlikView, que veio para agregar na parte de estatísticas,  são as duas grandes ferramentas de gestão que hoje a Polícia Civil possui. Essas ferramentas nos dão informação imediata, precisa e com exatidão. No Geia temos informações de pessoas, prédios, viaturas e outras. São ferramentas utilizadas para a execução do nosso planejamento estratégico e que estão à disposição de todos os gestores da Polícia Civil. Também lançamos o módulo operacional do Geia, visando o auxílio as investigações de todas as unidade policiais. Esse avanço tecnológico na área operacional e administrativa é um grande legado que vamos deixar na nossa gestão. O uso da tecnologia, não mais só na área operacional, mas também na área administrativa. A informação tem que ser precisa e vir num tempo hábil para tomada de decisão, senão não serve pra nada.
 
8. A Polícia Civil foi contemplada com a instalação de um laboratório contra a lavagem de dinheiro. Quais os ganhos nas investigações contra as  organizações criminosas?
 
Garcia – É um investimento de mais de R$ 2 milhões destinados à instalação do laboratório na Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, que já se encontra em atividade. Acabamos de publicar a resolução nº 2 do Conselho Superior de Polícia, onde estamos organizando o Simba (Sistema de Investigação de Movimentação Bancária), que é um software que agrega o laboratório de lavagem de dinheiro, em convênio com órgãos federais. O ganho maior é da sociedade porque o laboratório é uma ferramenta que todas as unidades policiais podem utilizar nas suas investigações, para resgatar o dinheiro e os bens obtidos de forma ilícita. Vamos nos preocupar agora também com quem financia o crime e o dinheiro produto desse delito. Os criminosos praticam o crime para buscar dinheiro e usufruir na sociedade, rastreando esses ativos ilícitos vamos quebrar as organizações criminosas de forma vertiginosa.
 
9. A Polícia Judiciária Civil têm um setor de inteligência considerado bastante estruturado. Há algum direcionamento da atividade para ações no ano de 2014, durante os jogos da Copa do Mundo?
 
Garcia – Começando a investir na área de inteligência para a Copa do Mundo desde o ano passado. Os dois legados que queremos deixar é o investimento em tecnologia e qualificação profissional. Não adianta dar tecnologia e não ter profissionais treinados para usar essas ferramentas. Fora isso há a questão da cultura de inteligência. Só na qualificação em 2013, tivemos cursos de procedimentos básicos de inteligência, com 42 servidores; quatro cursos de análise de inteligência com 60 policiais em cada, três cursos de operações de inteligência, que foi uma novidade em nível de Brasil por meio de parceria com o Ministério da Justiça, e que virou referência nacional. Foram mais de 200 policiais treinados somente nessas modalidades. Tivemos um incremento na área estratégica da inteligência. Após o sorteio das seleções que virão para Cuiabá, no dia seguinte já tínhamos relatório com informações sobre os países, costumes da população, religião, a língua e com isso começamos nos preparar para atendê-los. Já sabemos que uma das línguas que teremos que falar é o espanhol. Há investimentos em tecnologias, software’s e equipamentos estão sendo comprados para que possamos fortalecer o trabalho do dia a dia. Estamos pensando também em fortalecer o número de pessoas nessa área. Ademais a integração da área de inteligência da PJC com outros órgãos semelhantes nas esferas federal, estadual e municipal,  colabora em muito para o bom andamento e sucesso das operações.
 
 
Escrito por Luciene Oliveira em colaboração

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