01/02/2016 - Riva negocia delação premiada

01/02/2016 - Riva negocia delação premiada

O ex-deputado José Geraldo Riva está negociando um acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE) e com o Ministério Público Federal (MPF). As conversas,


ainda em estágio inicial, avançaram e podem resultar em provas de dezenas de casos de corrupção, envolvendo figuras políticas até hoje não investigadas. 

 

Segundo fontes do MPE, Riva participou de diversas reuniões nas últimas semanas, e tem se mostrado disposto a entregar tudo o que sabe sobre casos nebulosos de que tem conhecimento por conta dos mais de 20 anos de vida pública. O acordo só não chegou à fase final ainda porque o MPF ainda se mostra reticente.


Riva é réu em mais de 100 processos na Justiça, 90% deles na esfera estadual.

 

Como deixou o cargo de deputado estadual, que lhe garantia prerrogativa de foro, a tendência é que estas ações passem a tramitar de forma mais célere, o que representaria, em última análise, em diversas condenações ao parlamentar.

 

‘Ele não tem mais nada a perder’, resumiu uma das fontes que revelaram as tratativas.
Ainda não se sabe quais benefícios seriam concedidos a Riva, apontado como mentor de vários casos de desvio de recursos públicos, ao longo dos anos. Para avaliar as provas que um eventual acordo pode trazer, estuda-se até a realização de um trabalho envolvendo promotores e procuradores de diversos núcleos. 

 

Tendo por base um dos pilares da colaboração, a de que o colaborador deve revelar as identidades que estavam acima dele na organização criminosa, Riva poderia implicar diversas personalidades políticas, entre elas, um dos investigados na Operação Ararath, o senador Blairo Maggi (PR), governador à época em que uma suposta organização foi montada para o cometimento de crimes contra o sistema financeiro.

 

O inquérito contra o republicano tramita junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em sigilo. Tendo ocupado cargos na Mesa Diretora da Assembléia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Riva também poderia implicar deputados e ex-deputados.

 

 

 

Gláucio Nogueira, repórter de A Gazeta

 

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