01/06/2015 - Taques sinaliza que sairá do PDT; opções são PSB e PSDB

O governador Pedro Taques (PDT) classificou como "acertada" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em derrubar resolução que determinava a fidelidade partidária a candidatos majoritários.

Na última quarta-feira (27), o STF derrubou a regra de perda do mandato para cargos como prefeito, governador, senador e presidente da República.

Segundo Taques, com a mudança, ele deve decidir nos próximos meses se deixa o PDT para se filiar a outra agremiação.

“Com a decisão do STF, as portas se abrem e cumpre-se a Constituição. Sou um cidadão favorável à liberdade. Liberdade é autodeterminação. Tenho que escolher o meu destino e isso será feito em um prazo razoável”, afirmou.

Para o governador, a ação, que estava sob relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, recoloca a questão no lugar certo, conforme determina o artigo 46 da Constituição.

“Vejo a decisão do Supremo como absolutamente correta. Li o voto do ministro Barroso, e concordo. Imaginem, o senador muda de partido, perde o mandato, o seu suplente é de outro partido, o partido que pediu o cargo não teria nenhum beneficio. É o mesmo caso do governador”, disse.

“Então, o Supremo recoloca no lugar correto uma discussão que nem precisaria existir, porque a Constituição já diz isso lá no artigo 46”, afirmou.

Futuro

Segundo Taques, desde que assumiu cadeira no Senado, em 2011, vem lutando para tirar o PDT da base da presidente Dilma Rousseff (PT).

Para ele, o fato de o partido pertencer à base governista continua sendo sua maior insatisfação. 

“Todos sabem que, desde que fui eleito senador, tenho debatido o apoio ou não ao Governo Dilma. Como senador, fui independente. Votei favoravelmente a alguns projetos, outros contra, porque entendia que não eram bons projetos para o Brasil, como foi o caso do trem bala”, disse.

“Sempre defendi que o PDT saísse da base de sustentação. Em 2014, defendi isso na convenção do PDT. Todos sabem que não apoiei a presidente Dilma na eleição, tanto que ganhamos com Aécio aqui em Mato Grosso nos dois turnos”, afirmou. 

A possível troca deve ser avaliada em conjunto com seu grupo político. Além disso, o provável rumo do governador deve ser o PSDB ou PSB, que fizeram parte da coligação que elegeu Taques.

“Recebi convite de vários partidos políticos após essa decisão. Vários governadores me ligaram, o governador do Distrito Federal, de Pernambuco, e até o Aécio Neves. Estou conversando com o meu grupo político para ver o que nós faremos. Mas essa é uma decisão que não será só minha, será de um grupo político, porque quando você faz política, faz em grupo”, disse.

Relação trincada

Nos últimos meses, Pedro Taques chegou a receber convites de filiação de partidos como PSDB, PSB, PV e PTB.

O prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), foi ao Palácio Paiaguás fazer um convite oficial ao governador.

À época, o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, afirmou o governador não tinha condições de fazer uma escolha naquele momento.

A possível saída de Taques do PDT começou a ser especulada após ele se desentender com o presidente da sigla, deputado estadual Zeca Viana.

A relação entre ambos ficou abalada desde o processo da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, ocasião em que Viana acusou Taques de trocar cargos por votos para o grupo que apoiava e que, inclusive, saiu vencedor na disputa.

 

 

Douglas Trielli 
Da Redação

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