01/10/2015 - Refugiados da Síria chegam em Cuiabá

01/10/2015 - Refugiados da Síria chegam em Cuiabá

Nova vida começou para uma família de refugiados sírios, que foi obrigada a deixar a cidade natal, Damasco, em decorrência da guerra que já dura 4 anos. A caminhada de Fadi Bali, 57 anos, Wafia Al Halabi, 42, e as filhas Mirella Bali, 11, e Lida Balí , 10, terminou em Cuiabá, na manhã desta quarta-feira (30), no portão de desembarque do aeroporto Internacional Marechal Rondon. 

"Estou impressionado com a recepção. Estava preocupado com a mudança, mas depois do sofrimento vivido, vejo que temos amigos e acredito que tudo isso tenha a mão de Deus", declarou Fadi Bali, ao ser recebido pelo grupo de "Ajuda às famílias refugiadas", da Capital mato-grossense. 

Ao lado do marido, Wafia Al Halabi está esperançosa com a nova residência. "É um novo começo. Chegamos em São Paulo há seis meses, e agora aqui temos uma chance". 

Desde que desembarcaram no país, os Halabi permaneceram em São Paulo. Ainda assim, as barreiras impostas pela língua ficam claras na conversa. "A cidade era muito grande e o estudo para revalidar os diplomas também", lembra Fadi, que é médico radiologista e, Wafia, médica anestesista.

Tudo foi preparado para receber a família. O planejamento envolveu centenas de pessoas mobilizadas através das redes sociais, que conseguiram arrecadar recursos para dar suporte ao primeiro ano da família na Capital. Apartamento e escola para as duas crianças foram parte das garantias concedidas aos refugiados.

O apoio partiu de uma viagem do casal de empresário Vagner Giglio e Emili Ayoub Giglio que, há um pouco mais de um mês, estiveram no Líbano e presenciaram as consequências do conflito no país árabe. Vagner relata que estava a pouco mais de 50 km da fronteira com a Síria e viu milhares de famílias na beira de estradas fugindo da guerra que devasta o país. "Eles estão nas estradas em um lugar que no inverno a neva alcança uma altura de 1,5 metros. Além disso, por serem cristãos estão sendo perseguidos". A violência surge da intolerância religiosa de seguidores do islamismo. 

De longe, a família enfrenta agora a burocracia para conseguir documentos para trabalhar e viver no Brasil. Uma das colaboradoras do grupo de ajuda, advogada Valéria Vivan, afirmou que o protocolo de refugiado tramita em São Paulo. "Ele está pendente para julgamento e publicação no Diário da União".

Com a declaração em mãos, o casal enfrentará uma nova etapa, a de busca por emprego. "O protocolo é o primeiro passo para conseguir tirar CPF, carteira de identidade e participar do revalida, para que possam atuar como médicos aqui na Capital". 

Enquanto os pais buscam uma forma de sobreviver em Cuiabá, as crianças têm a garantia de escola. Uma unidade de ensino particular ofereceu bolsas de estudos para as garotas, que deverão passar por uma avaliação para inserção em uma classe. 

Mais espontânea que a irmã, Lida Bali, a jovem Mirella Bali conta que não terá dificuldade com a língua. Ela desembarcou falando português e entendendo todas as perguntas. Questionada se achou difícil aprender o idioma, ela disse: não é mai que o árabe. Esperta, a garota explica que já fala inglês, francês, árabe e, agora, o português. 

Para continuar o aperfeiçoar a língua portuguesa, as meninas ganharam bolsas de estudo em um instituto que traz método diferenciado de inserção a cultura e idioma. "Elas aprenderam com as situações do dia a dia", revela a proprietária da escola, Soraya Vilas Boas Hussein Pereira.

União

O movimento "Ajuda às famílias refugiadas" é dividido em dois grupos de apoio. Um conta com a participação de colaboradores de Cuiabá e outro de Campo Grande (MS).

Vagner ressalta que o processo para trazê-los é cuidadoso. "Queremos que as crianças tenham escola e tentamos negociar, nem que seja em forma de estágio um emprego para os pais, até eles conseguirem a documentação para trabalharem".

Em março deste ano a guerra na Síria completou quatro anos sem previsão de fim. O combate obrigou metade da população a abandonarem suas casas.

O levante popular contra o regime do país ganhou expressão militar e se transformou em uma guerra civil em que se enfrentam combatentes leais ao regime, diversos grupos rebeldes, frentes curdas e organizações jihadistas.

Os interessados em ajudar podem entrar em contato através da página do grupo "Ajuda as famílias refugiadas", na rede social Facebook.

Acesse o link baixo e veja vídeo da chegada da família em Cuiabá. 

www.youtube.com/watch?v=z0CtnwLpErI&ab_channel=TVRECORDCANAL10CUIAB%C3%81

 

Priscilla Silva, repórter do GD

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