01/12/2014 - Servidor falsificava documentação do Incra; esquema beneficiava Fiagrill

O esquema de grilagem de terras e de comércio ilegal de áreas da União, conforme as investigações da Polícia Federal, teria a participação também de um geomensor do Incra, Genuíno Soriano, que há décadas atua no órgão e está sendo investigado por fraude documental, corrupção passiva, além de processos por improbidade administrativa.

 

Segundo consta do despacho do juiz federal de Diamantino, Fabio Henrique Moraes Fiorenza, Soriano fazia parte do segundo escalão da organização criminosa, que deflagrou a Operação Terra Prometida. O servidor teria sido responsável, juntamente com Jorge Fonseca, pela doação supostamente fraudulenta de vários lotes no Assentamento Itanhangá, que primeiramente estavam cedidos a Bunge, que explorou por cinco anos, e após foram alienados por meio de licitação com indícios de irregularidades para a empresa Fiagrill, cujo sócio-gerente é o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde Marino Franz.

 

De acordo com o magistrado, o que se investiga é que o documento para regularizar estas terras teria sido falsificado por Soriano, que era chefe do setor de Cartografia do Incra e responsável pela confecção de tais documentos. Neste sentido, a assinatura do então superintendente Leonel Wohlfahrt teria sido grosseiramente falsificada, conforme declarações de testemunhas.

 

Na decisão ainda consta que o Incra não possui o processo de doação e nem arquiva cópia destes documentos. Após a doação, supostamente feita pelo órgão, a Prefeitura de Itanhangá promoveu um processo licitatório concedendo a área para exploração econômica, na qual a empresa vencedora foi a Fiagrill, atual proprietária do Lote 581.

 

Diante do que já foi apurado, o juiz federal vê fortes indícios da participação do servidor nos crimes citados, bem como sua participação efetiva na organização criminosa. Por isso, a prisão preventiva foi decretada a fim de “garantir a ordem pública” e evitar que Soriano prejudique as investigações “destruindo ou extinguindo provas documentais existentes no Incra”, finaliza.

 

 

Gabriele Schimanoski

 

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