01/12/2015 - Fuzilados: Caso de jovens mortos entra em estatística grave

01/12/2015 - Fuzilados: Caso de jovens mortos entra em estatística grave

O caso dos cinco jovens que tiveram o carro fuzilado por policiais no Complexo da Pedreira, em Costa Barros, será mais um dentro de uma estatística que não para de crescer. O Estado do Rio teve, entre janeiro de 2010 e agosto deste ano, 3.256 casos de auto de resistência, de acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio. 

 

Feliz com o primeiro salário, o morador do Morro da Lagartixa, no Complexo do Chapadão, Roberto de Souza Penha, de 16 anos, saiu com os amigos para comemorar. Foram ao shopping, onde ele comprou um telefone celular, ao Parque de Madureira e depois voltaram para casa. Mas, Roberto não teve tempo de usar o aparelho. Poucas horas depois, ele, os irmãos Wesley Castro, de 25, e Wilton Esteves Domingos Junior, de 20; Cleiton Corrêa de Souza, de 18, e Carlos Eduardo da Silva Souza, de 16, foram fuzilados dentro do carro quando saíam da comunidade para fazer um lanche por volta de 1h na Estrada João Paulo. O Pálio era de Wilton.

 

Parentes e amigos acusam quatro PMs do 41º BPM (Irajá) pelas mortes. Eles foram presos em flagrante e vão responder por homicídio e fraude processual - quando há alteração da cena do crime. Os policiais acusados registraram o caso como auto de resistência, quando há morte em confronto com a polícia. A Polícia Militar abriu inquérito para apurar as circunstâncias do fato.

 

“Foi uma execução. Mataram o meu filho e todos os colegas que estavam com ele. Eu fui ao Parque Madureira com os meninos e passei pelo local dez minutos antes, e pouco depois os policiais fazem uma desgraça dessa”, disse, chorando muito, Jorge Roberto Lima da Penha, pai de Roberto.

 

Parentes e amigos das vítimas afirmam que elas eram inocentes. Segundo testemunhas, os PMs confundiram os rapazes com bandidos que estariam fazendo escolta de um caminhão com carga de bebidas, roubado na Avenida Brasil e que estava sendo levado para a comunidade. O carro ficou com mais de 20 perfurações.

 

Segundo Roberto, o filho dele trabalhava no departamento pessoal de um supermercado em Guadalupe e também estudava. “Quando os bombeiros tiraram os corpos do local, eu peguei o telefone e a identidade do bolso do meu filho. O aparelho estava zerado, novinho. Meu filho estava muito feliz com o primeiro emprego de carteira assinada. Ele tinha acabado de receber o primeiro salário. Meu filho também fazia curso de administração”, contou o pai.

 

De acordo com testemunhas, os PMs ainda plantaram armas no local do crime. A perícia encontrou uma pistola de brinquedo e um revólver calibre 38 com duas cápsulas deflagradas. Em um vídeo que circula na internet, uma arma aparece caída perto de uma das rodas do carro fuzilado.

 

 

 

 

Por FLAVIO ARAÚJO, MARIA INEZ MAGALHÃES E ANGÉLICA MARTINS 

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