02/03/2011 21h:56 Câmara Municipal de Barra do Garças homenageia Dom Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da prelazia de São F. do Araguaia.

A Câmara de Vereadores de Barra do Garças aprovou na noite de terça-feira 01 de fev. 2011, a moção de aplausos ao trabalho apostólico do bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, pelo transcurso de seus 81 anos de vida  dedicada aos pobres, aos  índios e aos excluídos,  em sua prelazia, desde o ano de 1968.

A moção ao bispo Casaldáliga foi apresentada pelo líder do PT na Câmara de Barra do Garças, vereador Odorico Ferreira Cardoso Neto, o Kiko, que em sua justificativa aos colegas da Câmara Municipal destacou os 41 anos de serviços prestados ao povo de sua prelazia que abarca vários municípios, incluindo Ilha do Bananal, dos índios Karajás.  “ Homenagear Dom Pedro Casaldáliga significa homenagear o povo sofrido do Vale do Araguaia, significa reverenciar o grande defensor da Amazônia Brasileira, reconhecido no mundo todo”.

Várias vezes indicado ao prêmio Nobel da Paz, Casaldáliga chegou ao Brasil em 1968 e depois de ser nomeado administrador apostólico foi sagrado bispo de São Félix do Araguaia em 27 de abril de 1970. O Papa Paulo VI o nomeou bispo prelado de São Félix do Araguaia em 27 de agosto de 1971.

Grande voz da Teologia da Libertação que fez escola nos anos 70, no auge da ditadura militar, Casaldáliga adotou como lema para sua atividade pastoral: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”. Poeta da práxis libertadora, Dom Pedro foi alvo de inúmeras ameaças de morte. A mais grave ocorreu em 12 de outubro de 1976, no povoado de Ribeirão Bonito (Ribeirão Cascalheira). Ao ser informado que duas mulheres do povo estavam sendo torturadas na delegacia local, dirigiu-se até aquele local acompanhado do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier, que fazia uma visita pastoral à prelazia.

 Após forte discussão com os policiais, o padre Burnier ameaçou denunciá-los às autoridades, sendo então agredido e, em seguida, alvejado com um tiro na nuca. Após a missa de sétimo dia, a população, à noite, seguiu em procissão até a porta da delegacia, libertando os presos, destruindo o prédio da delegacia e naquele local  foi erguida uma igreja.

Somadas a esta tentativa policial, por cinco vezes durante a ditadura militar Casaldáliga foi alvo de processos de expulsão do Brasil, tendo saído em sua defesa o arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros nomes da hierarquia católica do Brasil e de outros países.

No ano 2000 Casaldáliga foi agraciado (tardiamente) com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas e mais recentemente recebeu o mesmo título pela Universidade Federal de Mato Grosso.

Em 2005 Casaldáliga apresentou sua renúncia à prelazia em conformidade ao Código de Direito Canônico. Seu pedido foi aceito no dia 2 de fevereiro daquele mesmo ano pelo papa João Paulo II.

SUA LUTA

Casaldáliga ao longo dessas quatro décadas dedicadas ao povo da prelazia de São Félix criticou sem medo o abandono do Araguaia, o genocídio dos índios, a agressão ao meio ambiente, fez severas críticas à má gestão pública e há anos reivindica estradas para a região. Na área de saúde, ele ressalta que se um morador do Araguaia precisa de uma intervenção cirúrgica tem que ir para Barra do Garças ou Goiânia. “Falta mesmo vontade política de atender o povo. Há muita dificuldade de infraestrutura, saúde e educação principalmente para o povo que está longe, sem comunicação. Sempre me refiro à figura heróica das professoras desses sertões, que enfrentam chuva e sol, cansaço e às vezes são mal remuneradas”, diz o religioso.

Sobre os problemas que agravam o desrespeito ao Araguaia que começa pelo precaríssimo atendimento à saúde indígena, diretamente ligado à mortalidade infantil, infelizmente fruto das condições nada satisfatórias da FUNASA – instituição acusada de sérios desvios de conduta onde, segundo muitos observadores, campeia a corrupção.

A Câmara de Barra do Garças homenageia sua tenacidade, a lucidez, a capacidade de se fazer servo do povo humilde do Vale do Araguaia o Grande Pedro,  que foi bispo dos pobres e que fez opção preferencial pelo pobres, conforme os ensinamentos mais simples e profundos de Jesus Cristo.

Fonte: A semana 

WANDERELY WASCONCELOS