02/08/2011 - 15h:00 Bill Karajá, de volta a MT, conta que denunciou o Brasil à ONU

De volta a São Félix do Araguaia (MT), o cacique Domilto Inaruri Karajá, conhecido como Bill Karajá,  representou os Povos Indígenas do Brasil na 4ª sessão de Mecanismo de Especialista em Direitos dos Povos Indígenas da ONU, em Genebra. Ele denunciou o Brasil à ONU durante o evento por violar o direito dos povos indígenas.

 

Em seu discurso, Bill Karajá citou a construção da usina de Belo Monte como uma das maiores provas de que o Brasil não respeita a sua própria Constituição.

 

“Quando se realizam audiências públicas para formalizar um projeto como Belo Monte, simplesmente se expõem o projeto sem consultar os povos indígenas”, disse o representante brasileiro em Genebra, relatando que atualmente existem 10 ações do Ministério Público Federal contra o governo e, apesar disso, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA, autorizou a instalação da hidrelétrica.

 

O líder destacou ainda, em seu discurso em Genebra, que Belo Monte inundará 400 mil hectares de selva, afetando diretamente 40 mil indígenas e população local. “Belo Monte tem como finalidade explorar intensivamente todas as riquezas do solo e subsolo da selva amazônica, como recursos florestais, minerais e hídricos para atender as demandas internacionais e expandir o agronegócio, tendo como efeito direto o extermínio da maior reserva de biodiversidade do mundo”.

 

Bill Karajá criticou o fato do Brasil não estar levando em conta a posição das Organizações Indígenas e indo, assim, contra os seus direitos em relação a  um projeto que tem um grande impacto social e ambiental irreversível.

 

Segundo o líder indígena, o Brasil também atropela os direitos humanos dos povos indígenas quando não os consulta na elaboração de projetos de lei, não asseguram a participação de líderes indígenas para alcançar um  consenso sobre os projetos de lei que lhes afetam.

“Os lideres indígenas que trabalham para defender os direitos internacionalmente reconhecidos dos nossos povos sofrem ações legais por parte de particulares motivados pelo conflito de terras”, denunciou Bill Karajá, cacique da aldeia Itxala, em Luciara (MT), destacando ainda a aprovação do novo Código Ambiental e Florestal Brasileiro no Congresso apesar dos vários protestos dos povos indígenas.

 

Outra denúncia feita por Bill Karajá, cacique da aldeia, em Luciara (MT),  à ONU refere-se a proibição da participação de indígenas no I Fórum Permanente sobre a Vida dos Povos Indígenas. “O governo brasileiro bloqueou a participação de indígenas brasileiros para evitar que estes denunciassem a violação dos seus direitos”. (Sandra Carvalho e Vanessa Lima, de O Repórter do Araguaia)

 

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