02/12/2013 - João Emanuel pode aceitar delação premiada e comprometer demais vereadores

Afastado pela Justiça da presidência da Câmara de Cuiabá, João Emanuel (PSD) sabe muito de acordos políticos de bastidores e de supostas negociatas que comprometem muita gente, principalmente seus colegas parlamentares. Escutas telefônicas monitoradas pelo Gaeco, braço do Ministério Público, dão pistas disso. Há referências sobre “pagamentos por fora”. Emanuel se refere aos demais como “artistas” que também estavam se lambuzando das benesses do Poder, muito mais além do gordo salário que chega a R$ 50 mil mensais, incluindo verba indenizatória e controle da folha dos gabinetes.

Segundo pessoas próximas ao vereador, ele está disposto até a aceitar o benefício da delação premiada - colaboração em troca de redução de pena. Topará esse acordo de abrir a boca e contar tudo sobre eventuais esquemas se constatar na prática que seus colegas na Câmara tendem a tirar-lhe o mandato. O recado já chegou aos ouvidos de alguns deles. O clima é tenso. João Emanuel está prestes a se tornar um Roberto Jefferson, ex-deputado que delatou o mensalão e que também entrou na lista de condenados - cumprirá 7 anos de prisão por envolvimento no mesmo esquema.

De um lado, a maioria dos vereadores entende que a cassação será inevitável porque João Emanuel fez muita lambança e, assim como se fisga um peixe, está morrendo pela boca, pois suas ações deixaram fortes indícios de várias irregularidades, como fraudes em licitação, falsificação de documentos e peculato.

Mas, questões jurídicas a parte, a perda da função pública depende mais de ações políticas da própria Câmara do que do MPE e do Judiciário. É nesse aspecto que vem a preocupação dos parlamentares, principalmente do grupo que elegeu Emanuel presidente do legislativo cuiabano e que fazem parte da Mesa Diretora. O temor é geral sobre o que o jovem parlamentar, que se vê acuado de todos os lados, poderia revelar ao Gaeco de "podre" e comprometedor. Emanuel não quer ir à lona sozinho. Entende que vereadores que posam de paladinos da moralidade e que agora passaram a condená-lo também “estão atolados em situações nada republicanas”. Está disposto a adotar a estratégia de, a cada acusação uma reação, para demovê-los da ideia de cassá-lo.

 

Romilson Dourado

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