02/12/2014 - Juiz federal nega revogação de prisão de Marino Franz

O juiz federal Pedro Francisco da Silva negou, neste domingo (30), pedido de revogação de prisão do empresário do agronegócio e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino José Franz (PSDB). 

O magistrado argumentou que não viu elementos suficientes para soltar Franz, dono da Fiagril Ltda. 

O ex-prefeito é acusado de participar de um esquema de fraude em compras de lotes da  terras da União. Ele foi preso na última quinta-feira (27), pela Polícia Federal, durante deflagração da Operação Terra Prometida. 

O juiz Pedro Francisco da Silva também negou a liberdade aos irmãos do ministro da Agricultura Neri Geller. Milton e Odair Geller permanecem presos no Centro de Custódia Cuiabá.

O advogado de Marino Franz, Paulo Taques, avaliou a prisão de seu cliente como "absurda". 

“Eu tenho vinte anos de profissão e essa prisão é mais absurda que eu já vi. O pedido de prisão foi feito em julho, e só deferido em novembro. Mas estou avaliando a situação para definirmos os próximos passos”, disse Taques. 

O juiz titular do caso é Fábio Henrique Fiorenza, de Diamantino (188 km de Cuiabá). O advogado Murilo Freire, que trabalha na defesa dos irmãos Geller, preferiu não comentar sobre a decisão do juiz. 

Crimes

Segundo a investigação da Terra Prometida, além do esquema criminoso de compra e venda de lotes, ameaças, invasão de terras e crimes ambientais praticados no Programa Ambiental Itanhangá, a quadrilha pratica estelionato, fraude documental, associação criminosa, ameaça, corrupção ativa e passiva.

A Polícia Federal indicou ainda o contrabando de agrotóxico e defensivos agrícolas, porte ilegal de armas de fogo, utilização de laranjas por fazendeiros para inscrição fraudulenta perante o inca, e até tráfico de drogas.

Operação

A Polícia Federal de Mato Grosso deflagrou a Operação "Terra Prometida nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Diamantino (MT) e, dentre os alvos, estão oito servidores públicos. Há também investigados nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

O inquérito policial foi instaurado em 2010, após denúncias veiculadas pela imprensa a respeito de irregularidades na concessão e manutenção de lotes destinados à reforma agrária. 

Segundo a PF, no transcorrer da investigação descobriu-se uma verdadeira organização criminosa, com forte atuação na região de Lucas do Rio Verde (MT) e Itanhangá (MT), estruturada para cometer crimes de invasão de terras da União, contra o meio ambiente, falsidade documental, estelionato, corrupção ativa e passiva, cujas penas podem chegar a até 12 anos de reclusão.

 

 

Max Aguiar 
Da Redação

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