03/02/2012 - Pais de siameses de MT vivem expectativa para cirurgia de separação

 

Exames vão apontar se crianças podem passar por cirurgia.
Gêmeos completam dois meses de vida nesta quinta-feira (2).
 
A família de gêmeos siameses de Primavera do Leste, a 239 quilômetros de Cuiabá, vive a expectativa de saber se as crianças unidas pelo abdômen terão condições de se submeter a uma cirurgia de separação. Os irmãos Cristopher Henrique e Nicolas Samuel completam dois meses de vida nesta quinta-feira (2) e pesam sete quilos.
 
Desde que nasceram, os meninos foram levados a São Paulo acompanhados da mãe e da avó materna e passaram por vários exames, como explica o pai, Celso Henrique dos Santos. O pai se diz ansioso para a realização de uma consulta com o médico cirurgião agendada para o próximo mês que deverá informar sobre o risco do procedimento cirúrgico.
 
Atualmente, segundo Celso, que trabalha como frentista em posto de combustível no município, a falta de condições financeiras para mantê-los em São Paulo tem sido o maior problema enfrentado pela família. “Recebo R$ 800 por mês e eles gastam R$ 60 por dia”, disse o pai ao G1 ao lamentar ainda que não pôde ficar com a mulher e os filhos.
 
A deficiência foi descoberta durante os três meses de gravidez da mãe das crianças. Quando foi identificado que os bebês estavam sendo formados juntos, a família que morava em Juara, a 690 quilômetros da capital, resolveu se mudar para Primavera do Leste. “Lá em Juara não tinha médico que pudesse acompanhar a gravidez. Então, viemos para Primavera, mas os médicos daqui encaminharam a minha mulher para São Paulo”, afirmou Celso, ao falar sobre a complexidade do caso.
 
Apesar da luta em prol da realização da cirurgia, o frentista comemora a chegada dos filhos nesta quinta-feira. Conforme ele, o médico liberou as crianças para passar duas semanas em casa, em Primavera do Leste. Nesse período, elas serão registradas. Essa será a primeira vez que os siameses retornam para Mato Grosso.
 
Cirurgia
 
O pai explica que os siameses são perfeitos do abdômen para cima, mas são unidos da cintura para baixo. Eles têm braços independentes, mas possuem apenas duas pernas. Como não foram divulgados os resultados dos exames, Celso pontuou que não foi possível identificar quais órgãos são divididos pelos bebês. O tratamento, entretanto, está sendo feito gratuitamente em um hospital universitário da capital paulista. “Os médicos falam que só terão uma posição sobre a cirurgia depois que os exames estiverem prontos”, pontuou.
 
Pollyana Araújo/  Do G1 MT