03/07/2016 - BRF suspende atividades e pode demitir 1,2 mil trabalhadores

03/07/2016 - BRF suspende atividades e pode demitir 1,2 mil trabalhadores

Cerca de 1,2 mil trabalhadores que atuam no abate de aves na unidade da BRF em Várzea Grande serão demitidos caso não aceitem o remanejamento para outras unidades ou linhas de produção da companhia. A previsão é que a empresa brasileira, maior exportadora global de carne de frango, paralise parte das atividades desenvolvidas na região metropolitana de Cuiabá no dia 5 de agosto. O volume que deixará de ser produzido na unidade várzea-grandense será remanejado para outras unidades da BRF.

Por meio de nota oficial, a companhia ressaltou que a planta industrial de Várzea Grande não será fechada e nem vendida. Após revisão do parque fabril, a empresa decidiu que no município serão mantidas ativas algumas linhas de produção e as atividades administrativas. “No campo estão previstas adequações no município de Campo Verde, para atender a nova demanda por matéria-prima”, diz um trecho do comunicado.

Conforme a multinacional, todos os funcionários que atuam nas linhas que serão paralisadas foram convidados a integrar outras unidades produtivas da empresa, “conforme a disponibilidade de vagas e posições equivalentes”, registra. Aqueles que concordarem com esse processo de transferência terão apoio da empresa que, no entanto, não detalhou quais seriam essas medidas de amparo.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação (Sintia/MT), Sidnei Aparecido Rodrigues de Amorim, a linha de produção que será desativada em Várzea Grande demanda 1,2 mil trabalhadores. Amorim disse que o assunto foi discutido durante reunião na manha de quinta-feira (30). “Somente esse setor de Várzea Grande tem operado com pouco resultado. Eles também alegaram que tem muito produto estocado e estão esperando um tempo até o mercado absorver a produção”.

Amorim afirma que o sindicato tentou negociar férias coletivas para evitar demissões e aguardar até o mercado reagir. “Acredito que apenas uns 30% dos trabalhadores que atuam nessa linha serão redistribuídos para outras unidades. Nem todos estão dispostos a ir para outros municípios, até porque o que estimularia o trabalhador a tomar essa decisão é um salário melhor e moradia”.

Para facilitar a reinserção no mercado de trabalho dos colaboradores que venham a ser desligados, a BRF entrou em contato com a Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas), numa medida inédita, segundo o secretário Valdiney Arruda. Conforme ele, a intermediação dessa mão de obra será realizada via Sistema Nacional de Emprego (Sine), que irá cadastrar os trabalhadores e direcionar para as vagas divulgadas pelas as empresas parceiras. Também está sendo articulada uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para que os trabalhadores possam ser qualificados e retornar ao mercado de trabalho com mais experiencia. 

Investimento - Nos últimos 5 anos, a multinacional aportou R$ 750 milhões nas unidades no Estado. Nesse período realizou um estudo para adequar o seu volume de produção a atual demanda de mercado, bem como para ampliar sinergias, esclarece a nota enviada ao jornal A Gazeta. Nesse processo de adequação foram contratadas 960 pessoas no Estado, entre os meses de janeiro a maio deste ano. Em Mato Grosso, a BRF emprega cerca de 10 mil pessoas.

No fim do ano passado, a companhia confirmou a ampliação das operações nas unidades de abate e processamento de frangos e suínos, com investimento total de R$ 1,1 bilhão no decorrer dos próximos 3 anos. As 4 fábricas e 1 centro de distribuição estão distribuídos pelos municípios de Várzea Grande, Campo Verde (a 131 km ao sul de Cuiabá), Nova Mutum (a 264 km ao norte da Capital), Nova Marilândia (a 392 km a médio-norte) e Lucas do Rio Verde (a 354 km ao norte).

Sobre a paralisação da linha de produção de abates de frangos em Várzea Grande e a demanda do mercado consumidor, o presidente da Associação dos Avicultores de Mato Grosso (Amav), Tarcísio Schroeder, comenta que o consumo continua aquecido, tanto no mercado interno quanto internacional. “Na realidade, essa desativação é porque essa linha de produção é antiga e o custo de produção fica mais alto. A unidade de Lucas, por exemplo, é mais moderna e, além disso, está mais próxima da matéria-prima (milho em grão e farelo, para engorda das aves). Então, vão diminuir custo operacional”, avalia.

 

 

Silvana Bazani, repórter de A Gazeta

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