03/08/2011 - 17h:45 SAÚDE? NÃO! VAMOS FALAR DE MODAL E PRIVATIZAÇÃO.

            Habitualmente as pessoas têm me visto conceder entrevistas ou escrever algo sobre “trânsito”, mas desta vez o assunto é outro: SAÚDE.

            E não é sobre a saúde pública que vou falar. O assunto é sobre a falta de vagas para internação que constatei existir na rede particular.

            Como sabemos, a saúde pública está sucateada, embora tenhamos tido ontem a inauguração do hospital metropolitano de Várzea Grande, com direito a visita de ministro e presenças de governador, senador, deputados e secretário de saúde. Sabemos também que do discurso a prática há uma distância muito longa a ser percorrida e que mesmo com a inauguração a unidade ainda não entrou em funcionamento. Mas não é sobre a saúde pública que pretendemos falar.

            Sou servidor público há aproximadamente vinte anos e tenho buscado ao longo desses anos exercer minhas atividades como “servidor” mesmo, prestando serviço de qualidade ao cidadão que me paga o salário. Sirvo também ao ESTADO, que administra os recursos que me pagam e tantos outros que deveriam ser usados para me oferecer algumas garantias constitucionais, que infelizmente só nos são garantidas no papel, mas que na prática nunca chegam até nós.

            Por não ter essas garantias, obrigo-me a pagar, e caro, por um plano de saúde, que imaginava, iria me proporcionar tranqüilidade no tocante à saúde de minha família (esposa, filhas e mãe), mas infelizmente acabo de constatar que isso não acontece em Cuiabá.

            No sábado, dia 30 de julho, minha mãe, hoje com 77 anos de idade, teve que ser encaminhada para atendimento médico em um hospital em Cuiabá. Ela foi atendida em um box do pronto atendimento, onde passou a noite em observação até antes do meio dia de domingo, sendo liberada para retornar para casa.

            No final da tarde de domingo, tivemos que levá-la novamente ao hospital, e novamente, ela foi para uma maca, no box de atendimento. Quando o médico que a atendeu comunicou a necessidade de internação, fui informado de que minha mãe, cujo plano de saúde que pagamos dá direito a internação em apartamento, teria que aguardar uma vaga permanecendo no box de atendimento ou ir para uma enfermaria, e assim aguardar surgir a vaga em um apartamento.

            De acordo com as informações a nós repassadas, as altas hospitalares naquele hospital acontecem sempre no período da manhã ou no início da noite. Então poderia surgir a vaga ainda na noite de domingo. Acontece que passou a segunda-feira, a terça-feira e nada de vaga. A informação era de que nove pacientes estavam na fila de espera por uma vaga em apartamento e que não havia outra alternativa, senão esperar.

            Iniciei uma busca por uma vaga em apartamento em outros hospitais em Cuiabá. E pasmem, constatei que nos cinco maiores, ou mais conhecidos hospitais da capital, não havia nenhuma vaga para internação, em alguns, sequer em enfermaria.

            Se a rede particular não está conseguindo atender a demanda que há em Cuiabá, o que esperar então da rede pública de saúde? E a CPI da Saúde na Assembléia Legislativa de Mato Grosso, foi apenas para apagar algum incêndio? O que efetivamente apresentou de resultados essa CPI?

            Enquanto isso assistimos discussões sobre BRT x VLT, privatização ou não da SANECAP, entre outros assuntos que dizem respeito ao futuro de Cuiabá. E quanto ao presente? Como fica a saúde? O que está sendo feito agora para resolver os problemas que afetam a população? Se hoje já não temos uma rede capaz de atender a população local estaremos em condições de atender a demanda da Copa 2014? Essas vagas inexistem ou existe algo que não está claro aos nossos olhos? Perguntas sem respostas.

            Hoje minha mãe deixou a enfermaria, mas não foi porque conseguimos a vaga no apartamento, foi porque seu estado de saúde piorou e ela teve de ser encaminhada para a UTI.

 

Vanderlei Munhoz

Policial Rodoviário Federal  


                     

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