03/10/2012 - Helicóptero do Ibama é vítima de sabotagem em MT

 

A Policia Federal foi acionada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – Ibama - para investigar uma suspeita de ato de sabotagem em um dos  helicópteros utilizados para fiscalização de áreas desmatadas na região norte de Mato Grosso e sul do Pará. 

A fiscalização foi reforçada no mês de setembro para conter os crimes ambientais indicados por imagens de satélite. Quase uma centena de fiscais, de diversos estados brasileiros,  vieram colaborar na Operação Soberania Nacional. Helicópteros e diversos veículos 4x4 foram colocados a disposição dos agentes ambientais do Ibama para identificar as áreas desmatadas na região norte, noroeste e nordeste de Mato Grosso.
 
Um dos helicópteros que estava no aeroporto de Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá, era utilizado todos os dias pelos fiscais ir a campo e fazer sobrevôos de reconhecimento. Quando os pilotos se preparavam para mais uma decolagem na semana passada, o computador de bordo da aeronave identificou uma pane. O mecânico verificou todas as possibilidades e descobriu o problema no motor. Constatou-se que um do fio, responsável pela potência das hélices do helicóptero, fora cortado, possivelmente com o uso de um alicate.
 
A Polícia Federal vai analisar as imagens das câmeras de segurança do aeroporto e as possíveis impressões digitais deixadas na aeronave para tentar identificar algum suspeito. A sabotagem poderia ter causado um acidente aéreo e levado os tripulantes e passageiros, inclusive, a óbito. No processo aberto pelo Ibama, a Polícia Federal investiga dois crimes: Atentado contra a segurança do transporte aéreo e tentativa de homicídio. “Isso é extremamente grave”, afirmou o chefe da fiscalização do Ibama/MT, Renê Oliveira. Mas a fiscalização não parou e será reforçada com a chegada de 250 fiscais.
 
Desde o início da operação, os fiscais têm enfrentado dificuldades logísticas para coibir o desmatamento na região de divisa entre os estados de Mato Grosso e Pará, principalmente na Terra Indígena Kayabi. O uso de helicópteros tem sido fundamental para o êxito das ações de fiscalização.
 
Na área indígena os fiscais encontraram diversos desmatamentos para roubo de madeira e para a formação de pastagens. Na última ação, foram apreendidas sete armas de fogo, incluindo três espingardas calibre 12, além de dezenas de cartuchos de munição. Esse arsenal pode estar relacionado aos conflitos entre grileiros e também com a prática ilegal de caça. Todo o armamento foi encaminhado à Polícia Federal, que deverá dar prosseguimento às investigações quanto ao grupo armado.
 
Durante a operação, os agentes do Ibama ainda identificaram duas pessoas em situação análoga à escravidão, considerando que não tinham condições de sair da área de invasão e não recebiam assistência do patrão. Essas pessoas foram encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, que adotará as devidas providências.  
 
Apostando na impunidade diversos fazendeiros e outros empresários tem investido na grilagem da terra indígena, como foi o caso de uma pousada que funcionava de forma ilegal próximo ao rio Cururu. O empreendimento turístico desmatou cerca de 15 hectares de floresta para a construção de chalés sem qualquer tipo de autorização. 
 
A pescaria em local proibido, e de peixes abaixo da medida permitida, gerou autuações para o proprietário e para o gerente da pousada, além dos oito turistas de Minas Gerais, que foram flagrados no início da ação. O proprietário da pousada recebeu sete autos de infração, totalizando mais de R$ 1,2 milhões de multa, por manter empreendimento potencialmente poluidor, lançar resíduos sólidos, executar lavra mineral, portar motosserra e pescar em local proibido.
 
O empreendimento foi desativado e foram aprendidos cinco barcos, seis motores de popa, um trator, dois veículos 4x4, equipamentos de pesca, motosserras, geradores elétricos, equipamentos de pousada, dentre outros bens. 
 
As benfeitorias irregulares serão destruídas para que não possam ser utilizadas em outros ilícitos ambientais, conforme previsto na legislação vigente.
 
Ascom Ibama/MT