03/11/2015 - Crescimento da população na China vai favorecer MT

O aumento exponencial da população chinesa nos próximos anos é um dos fatores que fará com que a China continue sendo o maior comprador do Brasil, principalmente de Mato Grosso. A projeção é confirmada com o fim da política de controle de natalidade que o gigante asiático promovia desde 1979. Na última quinta-feira (29), a agência de notícias estatal Xinhua divulgou que o Partido Comunista permitiu os casais terem até 2 filhos. Os reflexos para a economia mato-grossense serão sentidos a longo prazo. No entanto, já se pode ter um parâmetro de como se dará esse crescimento. Isso porque a China é o principal cliente das exportações matogrossenses. 

Conforme dados do Ministério do  Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), compilados pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), de janeiro a setembro deste ano, os chineses compraram US$ 3,624 bilhões em produtos mato-grossenses, especialmente soja, carnes, milho, algodão, couro, óleo e farelo de soja, madeira, entre outros, que totalizaram 9,064 milhões de toneladas. Sobre o volume contabilizado no mesmo período do ano passado, quando foram US$ 4,823 bilhões (9,296 milhões/t) houve queda de 25%.

A soja é o principal produto vendido por Mato Grosso à China e somou 8,863 milhões de toneladas, movimentando US$ 3,433 bilhões, o equivalente a 94,7% do total. Para se ter uma ideia do peso da China na balança comercial estadual, o país representa 36,6% do total. Para garantir a produção de alimentos  suficiente para o abastecimento do “planeta”, os países terão que ampliar em 20% a cota. As projeções da são da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Para que o mundo tenha este desempenho, Mato Grosso precisa crescer 40% no mesmo período. Com os olhos da humanidade voltados para esta porção amplia-se a discussão em relação aos melhores meios para se chegar aos resultados necessários de forma equilibrada.

As mudanças de paradigmas na política chinesa embasam mais a necessidade de caminhar rumo às soluções para a produção exponencial de alimentos. Neste sentido, o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Wellington Andrade, explica que Mato Grosso possui potencial de triplicar a produção nos próximos anos, sem que para isso precise derrubar uma árvore. Contudo, a problemática que ainda inibe medidas imediatas são as condições de logística, que persistem como fator negativo para a produção no Estado.

Em relação ao afrouxamento da política de controle de natalidade na China, o principal fator que pesou para a atitude do governo chinês foi a necessidade econômica de uma população mais jovem. O
economista Vivaldo Lopes explica que até então, o foco dos dirigentes daquele país era apenas o controle populacional. Agora perceberam a urgência de garantir o vigor econômico, possível com uma população economicamente ativa maior. “Na China é possível constatar uma formação familiar baseada no esquema, 4-2-1. Ou seja, 4 avós, 2 pais e 1 filho, que precisa sustentar o restante da família. Com este  modelo é inviável para um país se manter economicamente ativo”. 

Uma das principais premissas do controle demográfico no gigante asiático estava baseado principalmente pelo alto índice da população. Em 1966, a China alcançou a média de 2,83% de crescimento chegando a 735,4 milhões de habitantes, de acordo com o portal Country Meters. Mais 13 anos foram necessários até que a regra do filho único começasse a valer como decreto nacional. As medidas baseadas em um
controle de natalidade forçado, fez com muitos abortos fossem promovidos pelo próprio governo, assim como o abandono de meninas em orfanatos e, a distribuição massiva de contraceptivos. De certa forma, o governo alcançou os resultados, já que a média de crescimento declinou até se estabelecer em 0,49% ao ano, desde 2012.

O economista Vivaldo Lopes ressalta que a reposição demográfica é feita por meio da renovação de gerações. Dessa forma, quando existe um grupo de pessoas economicamente ativo maior que o
inativo ficam assegurados os processos que viabilizam a produção. “Por isso é importante para a China ter tomado esta decisão porque, caso contrário, seria um país de idosos em poucos anos. E como
ficaria a garantia da continuidade dos setores produtivos?”.

EFEITOS - Ainda não é possível mensurar quais serão os efeitos dessa mudança no principal mercado  internacional para os próximos 10 anos, mas já se pode prever que haverá gradativo aumento da demanda pelos produtos primários produzidos em Mato Grosso. O presidente da Federação das Indústrias, Jandir Milan, ressalta que é muito positiva a relação comercial do Brasil com a China.

“Mas este é um mercado complicado de lidar. Os chineses prezam pelos próprios interesses e, não  medem  consequências em mantê-los,  nem sempre essa posição permite vantagens aos parceiros comerciais”. Milan ressalta que uma das preocupações do Estado é de ampliar a exportação de produtos industrializados. Dessa forma, é possível agregar valor aos itens exportados, diferenciando a base agroexportadora.

Mas, o economista Vivaldo Lopes explica que é mais rentável para a China importar produtos primários para industrializá-los, pois possui mão de obra barata e também precisa manter a geração de empregos. “Sendo assim fica mais complicado ofertar a eles um produto industrializado, o que não impede, no entanto, que se abra espaço para outros mercados”.

Para o diretor executivo da Aprosoja, Wellignton Andrade, a ampliação da exportação de itens industrializados depende de uma maior competitividade das indústrias brasileiras, baseada em
incentivos fiscais que atraiam a instalação e manutenção delas. 

 

Vinicius Bruno, especial para A Gazeta

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário