04/02/2011 - 11h:19 Bando matou pais e manteve bebê com várias famílias (Atualizada)

Da Redação - Alline Marques e Julia Munhoz

A Polícia Civil prendeu nessa quinta-feira (03) quatro assaltantes acusados de terem seqüestrado uma família na cidade de Pontes e Lacerda (500 km de Cuiabá), no ano passado. A quadrilha executou o marido e a esposa e, durante quase quatro meses, pagou várias famílias para cuidarem do filho do casal, com pouco mais de um ano de idade.
Raimundo Nonato Ferreira de Souza, Liliane Goes Saldanha e o filho foram seqüestrados em outubro do ano passado. O motivo seria um prêmio da Quina de R$ 1,4 milhão, que ele ganhou quando trabalhava de garimpeiro em Cacoal, no Estado de Rondônia.
A família havia retornado para o interior de Mato Grosso após receber o prêmio e durante a ação do grupo criminoso, o casal foi torturado até informarem a senha da conta onde estava depositado o dinheiro.
Após a confissão, os seqüestradores seguiram para um posto de combustível onde abasteceram para testar se a senha estava correta. Confirmado os números, o casal foi levado pelo bando até a rodovia BR 070 e executado.
O autor dos disparos seria o jovem Luiz Paulo da Silva, 22 anos, que disse não ter tido coragem de matar o bebê. Porém, Ivan Rosa Moreira, um dos mentores do crime e foragido da polícia, insistiu para que a criança fosse assassinada, pois sabia que a polícia poderia chegar até eles. Mesmo assim, o jovem insistia em manter vivo o menino.
Diante disso, a quadrilha manteve a criança com várias famílias durante todo o período das investigações. De acordo com o delegado da Gerência de Crime Organizado, Luciano Inácio, o bebê foi encontrado na casa de uma senhora no bairro Centro América, em Cuiabá.
O grupo era composto de cinco pessoas e quatro foram presas. Luiz Paulo foi localizado pela polícia na semana passada. Raimundo Nonato Pereira da Silva está preso em Rondônia e teria idealizado o plano de sequestro junto com Ivan, Ricardo Oliveira Queiroz, 27 anos, e Lauro Rosa Bueno, 22 anos, foram presos ontem (03).
Ricardo é acusado de ter levado os criminosos de Cacoal até Pontes e Lacerda, porém não teria participado da execução. Ivan é tio de Lauro que invadiu a casa do casal e os levou até o esconderijo.
Luciano Inácio explicou que chegou até os bandidos porque recebeu informação de que os rapazes estariam gastando muito dinheiro e eram de um bairro periférico de Várzea Grande. As investigações levaram então a prisão de Luis Paulo que confessou o crime. Ele também teria dito com quem estaria a criança e onde estariam os corpos. A polícia realizou buscas, mas ainda não localizou os cadáveres, que devem estar ainda às margens da BR-070, local do crime.
De acordo com o delegado, os corpos não chegaram a ser sequer enterrados e o tiro de misericórdia teria sido de Ivan, que não quis deixar rastros.

Atualizada às 11h07