04/04/2015 - Araguaia cheio e ruim para pesca

A pesca em Goiás está liberada desde o dia primeiro de março, porém ainda continua proibido o transporte do pescado, ou seja, o que for capturado tem que ser consumido nos acampamentos ou nas casas das cidades ribeirinhas, ou então liberado imediatamente ao rio. A apreensão de pescado nas barreiras de fiscalização – geralmente nos postos da Polícia Rodoviária Estadual – produz uma série de aborrecimentos para o condutor do veículo, a começar pela multa e a apreensão de todo material de pesca.

O barqueiro Domingos Ribeiro, de Aruanã, diz que os rios Vermelho e Araguaia ainda estão com excesso de água, com a enchente invadindo as matas ciliares, “o que faz o peixe sumir dos rios. Pescar, com um tempo deste, é em cevas ou então em entradas de lagos ou vazantes. Para melhorar, os dois rios precisam baixar, no mínimo, um metro e meio”, explica. No rio Vermelho – que entra no Araguaia em frente de Aruanã – as águas estão mais limpas. “É onde o pessoal joga trato e consegue pescar alguns piaus, mandis e sardinhas. Assim que os rios voltarem para suas caixas, os peixes maiores aparecem, entre eles o barbado, o mandubé, o pintado, a matrinxã e outros”, adianta Dominguinhos.

O quadro, então, não favorece o aproveitamento dos feriados para a prática da pesca. E se há enchente, não há praias e a navegação se torna mais perigosa.

Preservação

O projeto de lei proibindo o transporte de pescado em Goiás foi apresentado na Assembleia Legislativa pelo então deputado Frederico Nascimento, há mais de dois anos. Assim que entrou em vigor, a medida foi criticada por alguns, porém elogiada pela grande maioria dos moradores ribeirinhos e aplaudida pelos chamados pescadores esportivos, que adotam o sistema de soltar o peixe logo após a captura. “A proibição do transporte evitou os abusos daqueles que gostavam de encher canoas de exemplares, mesmo sabendo que as licenças da pesca amadora permitiam a condução de apenas cinco quilos de pescado e um exemplar de qualquer tamanho, desde que fosse de espécie liberada. Assim que a polícia e os fiscais do meio ambiente pegaram alguns infratores, a notícia correu e espalhou medo, pois a apreensão do material de pesca inclui, inclusive, barcos e motores”, relata um praticante da pesca esportiva.

Dominguinhos conta que na temporada do ano passado o Araguaia estava mais piscoso do que nos anos anteriores. “Os cardumes subiram em maior quantidade, porém a fiscalização pareceu insuficiente para impedir a concentração de barcos nos pontos onde os peixes estavam estacionados, cercados pelos botos. Ainda tem piloto que abusa da velocidade da canoa ao passar pelos cardumes. Muito peixe morre atingido pelas hélices dos motores”, diz.

A pesca de barranco está e sempre esteve liberada, mas nesta época de rio cheio rende apenas mandis e outros exemplares pequenos. “É a chamada mistura do almoço ou da janta”, arremata Dominguinhos.

 

 

 

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