04/04/2016 - 2º Encontro Nacional de Violeiros em Cuiabá premia os 3 melhores

04/04/2016 - 2º Encontro Nacional de Violeiros em Cuiabá premia os 3 melhores

Um exército vestindo calças justas e camisas xadrezes, de botas, chapéus e fivelas enormes na cintura invadiu o ginásio Aecim Tocantins, em Cuiabá, neste fim de semana. É que aconteceu o 2º Encontro Nacional de Violeiros em Cuiabá, realização do grupo Gazeta de Comunicação, evento que reúne músicos célebres do sertanejo de raiz e que, paralelamente, também sedia o Concurso de Violeiros Amadores de Mato Grosso.

 

A programação começou com a competição, que também está na 2ª edição e contou com 19 duplas em começo de carreira. Entretanto, apenas 8 se classificaram para a final, no sábado (2). Vieram de todo o estado disputar uma premiação cobiçada. O primeiro lugar levou mil reais e um violão Rozini; a segunda colocação, 2 mil reais e uma viola Rozini avaliada em 3 mil reais; e o grande vencedor conquistou 3 mil reais e uma Rozini de 6 mil. Para levarem os prêmios, foram avaliados quanto à afinação, ritmo, interpretação e apresentação no palco pelos jurados Divaney, Carlos Roberto “Mortadela’’, Hélio Pimentel e Johnny Everson. A disputa foi acirrada.

“A qualidade é muito boa desse pessoal. Mas, o segundo dia foi mais difícil, porque as duplas estavam mais à vontade, então, apresentaram-se ainda melhor, o que dificultou a nossa decisão”, disse o músico Hélio Pimentel. Quem atendeu aos critérios de avaliação foram Zé Paulo e Maycon (de Primavera do Leste), Mari e Matheus (também de Primavera do Leste) e Di Brandão e Júnior Moreno (de Nobres), que ficaram em 3º, 2º e 1º lugares, respectivamente. “O sentimento é inexplicável. Estamos muito felizes e todo o esforço que fizemos para chegar até aqui valeu a pena, sempre vale a pena”, disse o campeão Júnior Moreno.

A festa seguiu com grandes nomes da música caipira. A Orquestra Viola Divina subiu pela segunda vez ao palco do encontro de violeiros em Cuiabá e tocou clássicos que fizeram o público cantar junto. 9 músicos vieram de Rondonópolis para mostrar a obra que realizam apenas com violas, violões e vozes potentes. Na sequência os irmãos paulistas Otávio Augusto e Gabriel apresentaram o trabalho de 14 anos juntos. Depois, veio a que é considerada a melhor a dupla de viola atualmente, Fernando e Osmair.

A noite de sexta-feira ficou completa quando 4 gigantes do modão subiram ao palco. Primeiro, Lourenço e Louviral. Já são 57 anos de carreira e incontáveis sucessos. “Para sermos justos com os fãs, fizemos um show apenas com as violas”, explicou Lourival. Não é a primeira vez que vêm a Cuiabá “mas é sempre uma satisfação”, falaram em coro.

A tradição também foi cantada pelos irmãos Divino e Donizete, com os 37 anos de carreira juntos e mais de 600 obras compostas por Donizete. “O público cuiabano é maravilhoso, acolhedor, tem muito carinho por nós”, falou Divino. E realmente foi o observado na plateia – muita gente cantando junto.

A comitiva de catira “Os Guarás” acompanhou os músicos, com a dança marcada pelas batidas dos pés e das mãos que levou o público ao delírio com a explosão de som emitida e bela coreografia.

A segunda noite também proporcionou diferentes emoções com mais nomes de peso da moda de viola e a presença marcante do grupo de catira “Os Considerados” em cada apresentação. Começando por Juarez e Francis, vencedores do concurso de amadores de 2015 que já fazem sucesso Brasil afora. Logo depois, subiram ao palco Zé Antônio e Divaney, juntos desde 1999 quando iniciaram um projeto de resgate da tradição caipira.

Então, os mais experientes chegaram. Delley e Dorivan e as 3 décadas de bagagem cantaram e tocaram para o público. A festa ficou ainda maior com a presença de Léu, da dupla Liu e Léu, que comemorou seus 79 anos de idade na capital mato-grossense. Os fãs, claro, não puderam deixar de cantar os “parabéns pra você”. “Estou muito feliz de estar aqui nesta noite, comemorando meu aniversário e cantando para essa plateia maravilhosa”, disse Léu com um sorriso no rosto. O cantor contabiliza 57 anos de carreira, dos quais 53 foram ao lado do irmão Liu, falecido há 4 anos. No encontro, resgatou os maiores clássicos da dupla e falou com firmeza que não pretende parar tão cedo: “Enquanto eu tiver saúde, vou continuar cantando”, afirmou.

E para fechar o fim de semana histórico da música sertaneja, Cézar e Paulinho embalaram o público com clássicos autorais e de amigos. “Um evento como este é importante para manter a tradição, aliás, deveria acontecer em todo canto deste país!”, falou Paulinho em entrevista. Fizeram um show de pouco mais de uma hora que levantou os fãs das cadeiras do Aecim Tocantins.

“Este evento nasceu de um desejo meu de trazer o encontro de violeiros aqui para Cuiabá, como acontece em Poxoréu. A intenção não é competir com Poxoréu, mas fomentar a cultura sertaneja”, explicou o presidente do Grupo Gazeta de Comunicação, João Dorileo Leal.

O ginásio que comporta 11 mil pessoas ficou lotado nos dois dias de fãs da moda de viola e, apesar de ser apenas a segunda edição, já pode ser considerado um sucesso. “É só olhar para todas essas pessoas gritando, vibrando” comemorou Carlos Dorileo, vice-presidente do Grupo Gazeta. “Além disso, muitos violeiros me disseram que este já pode ser considerado um dos maiores eventos de violeiros por conta da estrutura que proporcionamos e público presente”, finaliza.

O locutor de rodeio, da rádio Gazeta e apresentador da TV Record Cuiabá, Arizona, concorda que este já é um grande evento. “Um encontro como esse é importante para manter viva a cultura sertaneja, a tradição da moda de viola. Além de reunir grandes figuras desse universo, ainda dá a oportunidade para novos talentos”, afirmou Arizona.

As letras cantadas no sertanejo de raiz contam verdadeiras histórias e, nestas duas noites, uma importante parte da narrativa desse gênero musical que emociona tanta gente foi contada. Em 2017 tem mais.

 
 
 

Patrícia Helena Dorileo, repórter do GD

 

Comentários

Data: 05/04/2016

De: Evandina Lopes Ribeiro

Assunto: 3° lugar

Gostaria de saber, a dupla que ganhou o 3° lugar não é de Tangará da Serra?

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