04/06/2015 - Polícia ainda busca por quadrilha que causou pânico em Conde (BA); veja a fuga

04/06/2015 - Polícia ainda busca por quadrilha que causou pânico em Conde (BA); veja a fuga

 

Reféns foram amarrados no capô de uma caminhonete durante a fuga. Para evitar perseguição, homem foi obrigado a atravessar caminhão na via.

A polícia ainda não conseguiu prender a quadrilha que assaltou a agência do Banco do Brasil de Conde e causou pânico à população da cidade, localizada no Litoral Norte da Bahia, após mais de 20 minutos de tiros. Mais de 10 pessoas, em duas caminhonetes, invadiram a cidade a tiros, fizeram clientes e funcionários da agência de escudo humano e ainda fugiram levando reféns amarrados nos capôs das caminhonetes. O crime ocorreu na terça-feira (2) e todos as vítimas foram libertadas sem ferimentos. Elas prestam depoimento nesta quarta-feira (3) para o delegado André Silva.

Imagens de moradores mostram parte dos disparos e a fuga com um dos reféns amarrado no capô. Os criminosos dispararam diversas vezes contra a delegacia e a 51ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). Viaturas também foram atingidas.

Os reféns foram libertados durante a tarde e, quando foram soltos,  o posto rodoviário da BA-099 também foram alvo de tiros. Na fuga, para tentar evitar perseguição, pediram a um motorista de caminhão para atravessar o veículo na rodovia. "Me renderam, mandaram atravessar o caminhão e atiraram nos pneus. Desespero, pânico", informou a testemunha, que viajava de Aracaju com destino a Salvador.

Não há informações sobre a quantia de dinheiro levada pela quadrilha do banco. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que atua no combate a roubo de bancos e que, em abril deste ano, implantou o Departamento de Repressão ao Crime Organizado e que 25 criminosos já foram presos desde então. Afirmou ainda que existe uma tentativa do governo de envolver os bancos na questão do investimento na segurança das agências. A assessoria do Banco do Brasil não comentou o caso.

Relato dos reféns
Queriam me levar, mas eu disse que era cardíaco". O professor Antônio Sérgio, que estava no banco assaltado, conta que foi desta forma que ele conseguiu convencer os bandidos a não levá-lo como refém. "O carinha lá foi até gente boa, disse que eu poderia ficar tranquilo, que não iam me levar", disse.

 

 

 

 

 

 

Ele afirmou que pegava um extrato, quando o grupo chegou. "Não bateram em ninguém, não machucaram. Só mandaram a gente ir para o lado de fora do banco e tirar a camisa", afirmou.

O comerciante Marcelo Costa não teve a mesma sorte. Ele foi um dos reféns levados pelo grupo e ficou em posse da quadrilha por uma hora, antes de ser liberado. Marcelo se disse aliviado após retornar para casa. "A gente só tem que agradecer a Deus pelo livramento", afirmou.

Segundo o comerciante, ele foi solto junto com os outros reféns em uma estrada da região do município de Jandaíra, a 75 quilômetros de Conde, e disse que no carro tinham mais cinco reféns. "Eles não fizeram nada com a gente, mas falavam que se aparecesse algum policial, eles iam atirar para matar", afirmou.

Moradores da cidade contam que a ação dos bandidos gerou momentos de tensão na cidade. "Eu estava perto quando ouvi o barulho dos tiros. Quando cheguei mais perto só vi gente correndo. Depois passou o carro deles em alta velocidade", afirmou o morador Ronaldo Sobrinho."O tempo todo eles ficaram gesticulando, mandavam não olhar para eles, faziam muita pressão psicológica e xingavam a gente", disse o comerciante.

De acordo com a PM, parte dos reféns foi libertada nas proximidades do Posto Rodoviário da BA-099, com sentido a Sergipe, onde a unidade também foi alvo de disparos dos bandidos. A outra parte, informou a PM, foi libertada na estrada de Jandaíra. As vítimas foram levadas à delegacia do Conde. Não houve feridos.

Com base em informações da PM, pelo menos 12 pessoas foram feitas reféns, entre funcionários e clientes. Equipes da 51ª Companhia Independente da PM (CIPM), da CIPE, do Grupamento Aéreo (GRAER) e do BOPE ajudaram nas buscas.

Comerciante que foi feito refém não quis mostrar o rosto (Foto: Ruan Melo/G1 Bahia)

'Saí correndo", disse delegado
O delegado André Silva contou que estava acompanhado apenas de um escrivão quando desconfiou do crime ao ouvir um barulho parecido com tiro. Nesse momento, olhou para rua, viu dezenas de homens armados e correu em sentido contrário, junto ao colega investigador. "Eu estava na minha sala, achei estranho, um barulho seco, não parecia fogos de São João. Na hora do segundo tiro, avistei um monte de gente armada. Nós conseguimos correr para o lado contrário. Foi muito tiro na cidade. Eles chegaram nos procurando. Podiam nos matar", afirmou o delegado ao G1 minutos depois do crime.

Um professor da cidade, que preferiu não se identificar, relatou que estava perto de entrar no banco quando percebeu a ação criminosa. "Quando eu ouvi o primeiro tiro, corri para um supermercado e fiquei lá com as portas fechadas. Os tiros eram todos dos bandidos. Demorou mais ou menos 25 minutos", disse a testemunha.Segundo o delegado, a equipe da PM da cidade também não podia entrar em confronto com os bandidos. "Eles atiraram no posto da PM, na viatura. Não tinha como entrar em confronto", diz. "e contra a delegacia do município. Com o intuito de preservar a integridade física dos reféns, que foram utilizados durante toda a ação, a polícia evitou reagir", informou a PM, em nota à imprensa.

Marca do tiro na porta de uma loja em Conde, na Bahia (Foto: Arquivo pessoal)

Banco do Brasil de Conde, na Bahia, é isolado para perícia (Foto: Arquivo Pessoal)

Escrito por G1/BA

 

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário