04/08/2011 - 08h:53 Branco canta o Araguaia

 

Show de hoje terá repeteco no próximo dia 28 e marca o reencontro de Branco Barros com velhos amigos e fãs

 

Quem conhece a música de Branco Barros está feliz pela oportunidade de rever a arte desse compositor, cantor e instrumentista goiano, que se divide entre a capital mato-grossense e a região do Araguaia há décadas. Afinal, faz uns seis anos que ele não se apresenta em Cuiabá.

O show “Canto Araguaia” que será apresentado hoje, às 20h, no Jardim do Sesc Arsenal, é acima de tudo um convite para um (re) encontro com um músico maduro, que canta as belezas – a paisagem, a cultura – do Vale do Araguaia, mas não se esquece de falar dos problemas sociais de uma região símbolo da luta social e da resistência no Brasil.

Branco conheceu São Félix do Araguaia (cerca de 1.100 km a nordeste de Cuiabá) quando se apresentou na cidade num carnaval, no início dos anos 80. Apaixonou-se pela paisagem paradisíaca da Ilha do Bananal e pela cidade banhada pelo rio Araguaia. Acabou se instalando no município, onde criou seis filhos e de lá saiu para participar de dezenas de festivais de música em estados da Região Centro-Oeste e no Pará.

A influência da cultura Karajá e das questões sociais marcou muito a música de Branco, que chegou a musicar um poema do bispo espanhol Dom Pedro Casaldáliga, um ícone da luta por justiça e pelo direto à terra. Por problemas de saúde, dom Pedro afastou-se da Prelazia de São Félix em 2005. “Convivi com muitos problemas sociais do Araguaia, que a gente procura aliviar com a nossa poesia”, diz Branco.

Depois que os filhos cresceram, o músico retornou com a família para a capital e tocou na noite. “Praticamente inaugurei o Tom Choppin”, recorda Branco, que se apresentou na casa noturna durante aproximadamente 10 anos. Há algum tempo, Branco retornou a São Félix, o que explica (mas não justifica) sua ausência dos palcos cuiabanos...

FAMÍLIA MUSICAL

O show desta noite – que será reapresentado no próximo dia 28, também no Sesc Arsenal – marca o reencontro de Branco Barros com velhos amigos e fãs, e também o encontro com uma nova geração de músicos e amantes da música. Ele sobe ao palco acompanhado do baixista Paulão (que se apresenta toda semana no Tom Choppin) e dos três filhos mais novos: Diva, que vai cantar “Terra prometida”, dedicada a Dom Pedro, e recitar o poema “Nossa Senhora do Araguaia” de autoria do bispo; Renato, que é baterista da banda La Rica (de reggae), e Vinícius, violonista e baterista.

Além de canções com temática social, o público poderá ouvir músicas que louvam as belezas naturais e a riqueza cultural do Araguaia, como “Awyre”, que é uma saudação na língua Karajá – o equivalente ao Axé do baiano. Branco não esconde a alegria de retomar o contato com a plateia cuiabana e conta que o show de hoje é o ponto de partida para a retomada de sua carreira na capital.

Aos 49 anos, ele faz uma música bem autoral, que traz um pouco de tudo que ouve: rock and roll, música regional, pop. O espetáculo desta noite terá direção artística de Paulo Monarco, de 23 anos, um músico que vem trilhando com sucesso um caminho semelhante ao de Branco: cantava na noite, mas hoje se dedica quase que exclusivamente a um trabalho autoral, animado pela conquista de vários prêmios em festivais. Um detalhe: Branco conheceu Paulo quando este tinha apenas três anos, no bar Ninho, que funcionava onde é hoje o Tom Choppin.

Apesar das dificuldades de sobreviver de música em Mato Grosso, principalmente longe da capital, Branco não se queixa de sua opção pela arte. “A gente tem que continuar acreditando. É como atravessar um lago imenso: quando você está no meio da travessia, olha para trás e vê que não tem como voltar. Tem que seguir em frente”. Quem quiser conhecer um pouco a música de Branco antes de ir ao Sesc Arsenal, basta visitar o endereço http://palcomp3.com/brancobarros/

 

 

Escrito por Martha Baptista / Diário   

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