04/09/2015 - Após saída de Taques, PDT convida ex-juiz Julier para se filiar e disputar Prefeitura de Cuiabá contra Mauro Mendes

O ex-juiz federal Julier Sebastião da Silva (PMDB) foi convidado a se filiar ao PDT e avalia a possibilidade. A intenção é lançar o ex-magistrado como candidato à Prefeitura de Cuiabá nas eleições de 2016, para disputar contra o prefeito Mauro Mendes (PSB), que deve tentar a reeleição.

As negociações começaram há cerca de 15 dias, quando o presidente regional do PDT, o deputado estadual Zeca Viana, e o presidente municipal da sigla, o empresário José Augusto Curvo “Tampinha”, convidaram Julier a se filiar. O ex-juiz ainda não deu resposta, mas se mostrou interessado na proposta, e vai se reunir com o presidente nacional do partido, o ex-ministro Carlos Lupi, na próxima quarta-feira (9), no Rio de Janeiro (RJ).

“O Julier vem conversando conosco e senti que ele está propenso a aceitar o convite para vir para o PDT. Já conversei com o Carlos Lupi ontem, em Brasília, e ele está animado, acha que Julier é um nome de expressão para o PDT. Já marquei uma reunião com ele e Julier para a semana que vem. Vou expor a situação também para o diretório municipal, em reunião hoje à noite”, disse Tampinha ao Olhar Direto .

Para receber Julier e os novos filiados do PDT, Tampinha e Zeca Viana programam um grande ato de filiação em Cuiabá, com a presença de Carlos Lupi, do ministro do Trabalho, Manoel Dias, e do ex-ministro Ciro Gomes, que está saindo do PROS para se filiar ao PDT. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também será convidado.  

Redenção após fritura

Julier Sebastião deixou a toga em 2014 para ser candidato a governador, mas acabou sendo “fritado” pelo PMDB, que decidiu apoiar a candidatura do ex-vereador Lúdio Cabral (PT) ao governo. O vencedor da eleição acabou sendo o então senador Pedro Taques, que na época pertencia aos quadros do PDT, e desde o último sábado (29) está no PSDB.

Justamente a saída de Pedro Taques da sigla abre espaço para a filiação de Julier, que chega no PDT com a missão de ser a nova “estrela” do partido. O rompimento entre o governador e o deputado estadual Zeca Viana, presidente regional do PDT, levou o parlamentar a romper também a aliança com Mauro Mendes e começar a procurar um candidato para disputar a prefeitura de Cuiabá pela sigla de Leonel Brizola.

Na ânsia de marcar posição, Zeca Viana chegou a anunciar dois pré-candidatos a prefeito, que negaram publicamente a possibilidade. Ele convidou Lúdio Cabral para se filiar ao PDT e ser o candidato do partido, mas o petista recusou e afirmou que não pretende deixar o PT. Em seguida, o deputado lançou o nome do médico e ex-secretário de Saúde da capital Kamil Fares (PDT), mas Kamil negou qualquer pretensão de disputar a prefeitura e afirmou que seu projeto é ser presidente da Unimed.

Apesar de Julier ainda não ter sido testado nas urnas, ele é a grande aposta eleitoral do PDT para 2016, em função de seu histórico como magistrado. Julier foi o juiz federal responsável pela Operação Arca de Noé, que prendeu João Arcanjo Ribeiro e desmantelou sua organização criminosa. O mesmo caso projetou o então procurador da República Pedro Taques, autor da denúncia, que construiu uma carreira política de sucesso e hoje comanda o Palácio Paiaguás.

A imagem do ex-magistrado, porém, foi abalada após ele ter o nome envolvido na Operação Ararath, deflagrada em 2014. Agora ele está em processo de tentar recuperá-la, e inclusive conseguiu suspender os processos do Tribunal Regional Federal (TRF), ao pedir a suspeição do juiz federal Jeferson Schneider.  A esperança de Julier é conseguir a anulação dos processos.

A filiação de Julier é uma jogada ousada do PDT, que tem como objetivo primário marcar posição nas eleições da capital, apresentando um candidato com potencial para disputar contra o atual prefeito, aliado de Pedro Taques. Num segundo momento, a exposição durante a campanha eleitoral, mesmo em caso de derrota, servirá para projetar o ex-juiz para uma eventual candidatura a governador em 2018, para disputar diretamente contra Taques, caso ele se candidate à reeleição.

 

 

 

Da Redação - Laíse Lucatelli

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