04/12/2014 - Por temer invasão de MST, população faz barreira e revista caminhões

A Operação Terra Prometida, desencadeada no último dia 27 contra supostas de fraude na comercialização de lotes destinados à reforma agrária, gerou clima de insegurança entre a população de Itanhangá (a 458 km de Cuiabá), formada em sua maioria por assentados ou pessoas que dependem da renda gerada pela agricultura para tocar negócios.

 

Há rumores de que aproximadamente 100 militantes do MST planejam montar acampamento na cidade para pressionar a desapropriação de lotes em situação ilegal. Diante disso, moradores se mobilizam para impedir a suposta entrada dos “sem-terra”.

 

Durante todo dia, após troca de informações, moradores montam barreiras na ponte junto ao Córrego dos Borges, principal acesso ao município pela MT-338, distante 7 km do Centro de Itanhangá. Embora não exibam armas, os agricultores e comerciantes usam suas caminhonetes para bloquear a passagem de caminhões e verificar os compartimentos de carga, que segundo eles, podem esconder os possíveis invasores. Além disso, os motoristas são interpelados sobre movimentações suspeitas na rodovia desde a vizinha cidade de Tapurah (a 413 km de Cuiabá) onde estaria a base operacional dos “sem terra”.

 

Um dos líderes da mobilização é o presidente da Câmara, Marcel Meurer (PMDB). O vereador, que é natural do Rio Grande do Sul e exerce a profissão de dentista na cidade, teme que a situação de insegurança jurídica enfrentada pelos assentados acabe inviabilizando a economia do município. “Construí minha vida aqui em Itanhangá. Tudo que eu tenho está aqui. Tenho medo de perder tudo devido a essa situação. Estou ao lado dos assentados”, disse em entrevista ao Rdnews.

 

O produtor rural Rodrigo Bini, que chegou no município em 1999, afirma que sustenta a família com os recursos do plantio do milho e da soja no lote que possui no assentamento. “Como o Incra não regulariza a situação, tenho dificuldade de acesso ao crédito. Empresas financiam minha produção. A terra é tudo que tenho e vou lutar até o final”, disse.

 

Há 12 anos em Itanhangá, o morador Leandro Martins Pinto afirma que a população está desesperada e que os comerciantes estão antecipando as férias dos funcionários em razão da falta de movimento da cidade por causa da Operação. “Não temos lotes. Assumimos a situação porque estamos abandonados. Vim para cá com 18 anos, sou casado e tenho duas filhas para sustentar”, enfatiza.

 

O projeto de assentamento (PA) Itanhangá/Tapurah é o segundo maior da América Latina, tem 115 mil hectares de 1.149 lotes de terras. Cada lote teria 100 hectares e abrange ambas as cidades. As terras da região são de alta produtividade e estão localizadas próximas aos municípios produtores de grãos em Mato Grosso.

 

Constituído desde 1996, o PA foi alvo de crimes de invasão de terras da União, associação criminosa armada, crimes contra o meio ambiente, de fraude documental nos processos do Incra, de estelionato majorado, bem como corrupção ativa e passiva.

 

Ao todo, foram expedido 22 mandato de prisão em Itanhangá. Dentre os presos estão, o vice-prefeito Rui Schenkel, o Rui do Cerradão (PR), comerciantes e assentados.

 

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