05/02/2011 - 18h:09 Taques pode ser expulso por andar na contramão, diz líder do PDT ao criticar posicionamento sobre Battisti

Da Redação - Lucas Bólico

Liderança histórica do PDT em Mato Grosso e ex-presidente do diretório regional, Mário Márcio Torres criticou duramente o posicionamento do senador Pedro Taques em defender a extradição do ex-ativista político italiano Cesare Battisti. Para Torres, o senador foi infeliz e está indo contra a corrente do partido. O ex-presidente fala, inclusive, na expulsão do senador da sigla.
Torres se opôs a argumentação de Taques de que o debate sobre a extradição de Battisti não é ideológico. “Claro que é um debate ideológico, Battisti é um ativista político da esquerda. Nós somos um partido de esquerda e somos base de um governo de esquerda. O senador está indo na contra-mão da história e na contra-mão do partido”, criticou.
Indignado com o posicionamento do correligionário, Torres ainda disparou: “como ele pode enfrentar o senador (Eduardo) Suplicy (PT-SP), quem ele pensa que é?”. E completou, “é uma pena que isso esteja acontecendo, essa é uma situação muito difícil. Ele está passando por cima com os valores e da raiz do partido. Com esse discurso, alinhado com a direita, ele vai acabar expulso do partido”.
No entendimento de Torres, o senador está ignorando a bandeira da legenda pela qual foi eleito. “Pedro Taques está confundindo bandidos com herois. Ele está confundido os bandidos que ele combateu com um herói da esquerda. Seguindo o raciocínio dele, (Leonel) Brizola deveria ter voltado do exílio para o Brasil na época da ditadura para ser morto ou preso”, critica o petebista.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o senador Pedro Taques, posicionou-se frente às críticas de Mário Márcio por meio de sua assessoria de imprensa. “Respeito a história do companheiro de partido e admiro sua militância”, disse Taques.
O parlamentar, entretanto, ressaltou que possui independência de opinião, conforme prevê o artigo 53 da Constituição Federal. A legislação prevê que os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.

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