05/03/2011 - 08h:44 Gabriel Novis escreve: O blefe do Governo e a Copa 2014

Ao cometer um homicídio, o pior negócio que o criminoso faz – para fugir da punição - é  jogar o corpo da vítima no rio.

Com a forte correnteza, o corpo logo vai sendo levado pelas águas, desaparecendo do lugar do crime. Um dia reaparece, em local bem distante, e tudo é esclarecido.

Fiz essa introdução ao saber que, durante dezesseis anos, cometeram mais um dos inúmeros crimes contra a nossa ex-Cidade Verde, e o cadáver agora apareceu.

Com essa história da Copa do Mundo, diante dos suculentos cortes orçamentários do governo Federal e da já esperada debandada dos empresários, a situação de recursos para a execução dos projetos entrou na fase de atenção máxima.

O governo municipal desde o primeiro momento disse que não tinha dinheiro.
O governo estadual blefou, dizendo que tinha um dinheirão, e que ele estava guardado debaixo do colchão da Secretaria da Fazenda.
A única possibilidade de se conseguir algum tipo de dinheiro - só Deus sabe quanto e quando - para as obras necessárias à nossa capital, seria pelo PAC II.
Foram divulgados, pelo governo federal, os vinte e quatro municípios do país que serão beneficiados.
Cuiabá está fora, e Campo Grande, pantaneira, dentro do Programa PAC II.
O que aconteceu com a cidade da Copa?
O PAC II beneficia as regiões metropolitanas com mais de oitocentos mil habitantes.
Conversa fiada daqui, justificativa esfarrapada de lá, e o defunto aparece, possibilitando esclarecer, no caso, a nossa não inclusão no PAC II.
O ex-deputado estadual Antonio Joaquim apresentou um projeto de lei que foi aprovado pela Assembléia Legislativa e a lei sancionada no início da década de noventa pelo governador Jaime Campos.
De lá para cá, tivemos dois governos de oito anos e ninguém se interessou em cumprir a lei que criava a Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
Ela contemplaria, ao menos, quatro municípios e mais de oitocentos mil habitantes - Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antonio do Leverger e Nossa Senhora do Livramento.
Essa lei foi uma daquelas que não vingaram, motivo pelo qual estamos excluídos do PAC II.
O atual governador acha que nem tudo está perdido.
O ex-governador reconheceu que as coisas foram deixadas de lado, mas acredita que pode reverter o quadro que fez Mato Grosso perder R$ 500 milhões.
Custou para o governo confessar que perdemos dinheiro por negligência e incompetência.
Reverter um quadro desses, em que não fizemos a tarefa de casa, em um governo onde até os ministros pelam de medo da presidente, não sei não.
Abriria complicados precedentes políticos e desabonaria o trabalho dos técnicos, tudo para atender a um Estado com apenas onze membros no Congresso Nacional, na grande maioria membros do baixo clero.
A nossa população aos poucos vai sabendo como o nosso Estado foi governado nos últimos anos.
Uma certeza eu tenho: perdemos dinheiro e mitos.
Os corpos estão boiando.
Resta-nos a esperança.
 
Gabriel Novis Neves, ex-jardineiro, médico, fundador e ex-reitor da UFMT