05/04/2014 - Rayel terá que explicar repasse de verba a site ‘fantasma’; AL quer CPI

Que a maioria dos políticos de Mato Grosso, olha o Araguaia com descaso isso é fato, que em tempo de eleição aparecem profetas de todas as bandas, com as velhas vestes de sempre também é fato, e se a população local é olhada com descaso, imagine a imprensa local que só serve de bode expiatório.

 

O ex-Secretario de Comunicação de Mato Grosso, Carlos Rayel na verdade marqueteiro de profissão ou como dizem os entendidos “agiota de idéias” e que tinha entre 04 paredes, a teoria que somente os grandes meios surtem efeitos, e que a pequena imprensa e o interior não servem pra nada, a não ser mendigar verbas, parece ter deixado transparecer algo bem estarrecedor.

 

Segundo o site O Documento, o homem de confiança do governador Silval Barbosa (PMDB) terá que explicar mais um escândalo envolvendo sua gestão na Secretaria de Estado de Comunicação (Secom-MT). O ainda titular da pasta, publicitário Carlos Eduardo Tadeu Rayel, pode ter destinado repasses da verba de mídia oficial do governo a empresas de comunicação de fachada no médio-norte do estado. A denúncia chegou ao deputado estadual Wagner Ramos (PR), que requereu na sessão ordinária da Assembleia Legislativa, desta quarta-feira (02), esclarecimentos acerca do assunto.

 

O deputado pede informações do contrato de veiculação de mídia firmado entre a Secom-MT e o site (www.witnews.com.br) durante o período de 2013 a 2014. Carlos Rayel terá que informar o endereço funcional da empresa, o jornalista responsável pelo site, os planos de mídia, valores praticados por cada inserção, valores de contrato referente ao ano 2013 e 2014, além da agência responsável pelo repasse da verba ao site.

 

O caso

Conforme uma fonte, que não quis se identificar, o desconhecido site WITNEWS, estaria recebendo o montante de R$ 60.000,00 por mês, para veicular em dois espaços publicitários, de tamanho 468x60 pixels, banners do governo do Estado com as campanhas ‘Jogue Limpo’ e ‘Dengue’. Segundo a fonte, o suposto proprietário do site, identificado como Júnior Matão, morador de Tangará da Serra, seria primo do gestor da Secom-MT. A mesma fonte revelou ainda que a mesma verba oficial da Secom poderia estar sendo repassada a uma emissora de televisão também desconhecida da opinião pública, a TV MATÃO, com suposta ‘sede’ em Tangará.

 

“Recebi informações que o site não tem endereço e quero saber quem é o dono”, afirmou Ramos ao O Documento. A ‘sede’ da empresa de comunicação seria no município de Tangará da Serra, mas há suspeitas de que o local é de fachada. À reportagem, o deputado disse que esteve no local. “Estive no endereço e tirei fotos, o local não condiz com uma empresa de comunicação”, alertou Ramos.

 

Telefones não existem

No site ‘jornalístico’ são nítidas as suspeitas que levaram ao requerimento de informações a Carlos Rayel. A página do jornal eletrônico sequer disponibiliza o menu EXPEDIENTE, onde seria possível identificar os nomes dos responsáveis pelo site, bem como a equipe de jornalistas. E não para por aí, na aba CONTATO, o site fornece um e-mail - contato@witnews.com.br – do qual não obtivemos nenhuma reposta após enviar algumas mensagens. Além disso, a reportagem ligou várias vezes para o telefone disponibilizado no site para um possível contato com a empresa, trate-se dos números (65) 3023-4432 e (65) 3326-7510, porém a mensagem da operadora é de que os números são inexistentes.

 

Uso indevido da imagem

Como se não bastasse, o O Documento, apurou ainda que o site utiliza de forma indevida peças publicitárias de empresas de Tangará da Serra e inclusive da Câmara Municipal do município. Entre as empresas, está a Elétrica Padrão. Entramos em contato e obtivemos a informação através do responsável pelo marketing da loja, Welington, que a empresa nunca teve nenhum vínculo com o site (www.witnews.com.br). Ele afirmou ainda que sequer sabia da existência do veículo de comunicação no município.

 

Já o assessor de imprensa da Câmara de Tangará da Serra, Marcos Figueiro, nos informou que a licitação de publicidade foi fechada na semana passada e que ainda não deu tempo para encaminhar contratos de publicidades com nenhum veículo de comunicação.

 

Ambos os ‘anunciantes’ ficaram surpresos ao saber que tinham suas imagens vinculadas ao suposto site, através da nossa reportagem.

Site amador

Consultamos um profissional da área de informática e web designer para avaliar se o site, citado acima, tem perfil profissional ou amador. O profissional foi categórico ao afirmar que trata-se de material amador, fora dos padrões técnicos e sem conteúdo apropriado a sites de notícias. Segundo ele, é fácil fazer a identificação. “Basta analisar a falta de estética do site, imagens com baixa resolução. Além disso, as matérias são copiadas de outros portais e não se encontra nenhuma matéria de autoria do veículo. Outra questão é quanto a plataforma utilizada para hospedar o site. O proprietário não gasta sequer R$ 50,00 por mês para manter um site como esse no ar”, revelou o profissional que não gostaria de ser identificado.

 

Esclarecimentos

Ainda segundo o parlamentar, Carlos Rayel, deve apresentar as informações antes de deixar o cargo, que deve ocorrer ainda esta semana, já que o governo sinaliza a substituição de Rayel pelo jornalista Marcos Lemos.

 

A Assembleia Legislativa deve iniciar nos próximos dias uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar as denúncias contra o marqueteiro Carlos Rayel. Mais de 10 deputados já assinaram o requerimento do republicano Wagner Ramos, que deve exigir ainda, os extratos de repasses ao site WITNEWS, junto as agências de publicidades que prestam serviços a Secom-MT.

 

Imagem maculada

Carlos Rayel tem a imagem maculada antes mesmo de comandar a Secom-MT. Ele é réu em diversos processos no Tribunal de Justiça de São Paulo sob acusação de enriquecimento ilícito quando exerceu a função de Coordenador de Comunicação no governo de São Paulo. De acordo com o Ministério Público ao assumir o cargo de Coordenador de Comunicação, em São Paulo, Carlos Rayel declarou patrimônio “de apenas Cz$ 55.191,00 (cinqüenta e cinco mil, cento e noventa e um cruzados) e ao deixá-la o patrimônio era de R$ 45.409.589,57 (quarenta e cinco milhões, quatrocentos e nove mil, quinhentos e oitenta e nove reais e cinqüenta e sete centavos).

 

Em Mato Grosso, o marqueteiro Carlos Rayel, deixa o staff do governo após dois anos e dois meses. Apesar de dizer que é para assumir campanhas eleitorais de candidatos em Mato Grosso e outros estados, nos bastidores comenta-se que ele foi praticamente defenestrado do governo, principalmente diante das diversas reclamações por parte de alguns veículos de comunicação da capital e interior. Rayel comandava o destino do orçamento da Secom de Mato Grosso, que é de 42,4 milhões anuais. Ele deixa uma dívida superior a R$ 20 milhões com veículos de comunicação locais.

 

A nove meses do final do mandato,o  jornalista Pedro Marcos Campos Lemos, o Marcão,  assumiu a Secretaria de Comunicação de Mato Grosso, a convite do governador Silval Barbosa.

 

Walmir Santana

 

 

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