05/05/2015 - À PF, empresário cita suposto esquema operado por Galindo

Em um depoimento à Polícia Federal, feito no dia 23 de maio de 2014, o empresário Robison Todeschini citou a existência de um suposto esquema na gestão do ex-prefeito de Cuiabá Chico Galindo (PTB), para desviar dinheiro público por meio do programa de asfaltamento Poeira Zero. 

O empresário prestou depoimento à PF no dia 23 maio de 2014, já que a Todeschini Construções e Terraplanagem Ltda. é suspeita de ter participado de triangulações - comandadas pelo ex-secretário Eder Moraes e o empresário Júnior Mendonça, da Rede Amazônia de Petróleo - para alimentar o esquema de corrupção investigado na Operação Ararath.

Segundo ele, o empresário Bruno Simoni, da empreiteira Constil Construções e Terraplanagem Ltda., foi quem lhe explicou como o suposto esquema funcionava.

Em 1998, a Todeschini comprou a Constil, e toda a estrutura da primeira empresa foi passada para a segunda. 

No depoimento, Todeschini disse que, no período de 2006 a 2011, em especial no ano de 2008, ele e sua família “constataram que João Carlos Simoni (ex-dono da Constil) estava ficando muito rico e a empresa não gerava lucros, apesar da empresa estar ativa, faturando R$ 100 milhões ao ano”. 

Ele explicou que trabalhava como empregado na Constil, e uma auditoria constatou “uma incongruência de cerca de R$ 10 milhões, que foram justificados na contabilidade como adiantamento a fornecedores”.

“Empresas para circulação de dinheiro”

“Eu descobri, junto ao banco Santander, que Bruno Simoni estava movimentando recursos sozinho, sem a minha autorização. Ele estava emitindo cheques administrativa nominais à própria Constil, os endossando e depositando nas contas das empresas constituídas para a finalidade de circulação de dinheiro”, afirmou Robison.

Entre as empresas, segundo ele, estavam a FS Properties Empreendimentos Imobiliários, a Cohabita Construções e Terraplanagem Ltda. e a S2 Participações e Empreendimentos Ltda.

“Quando eu constatei isso, pedi ao Santander a microfilmagem dos cheques e verifiquei que foram retirados entre R$ 2 milhões a R$ 3 milhões”, disse.

Segundo Todeschini, ao confrontar o fato com Bruno, ele citou o esquema supostamente operado por Galindo – que teria começado a funcionar com o então prefeito Wilson Santos, e mantido quando ele renunciou para disputar o Governo do Estado, propiciando a posse de Galindo, seu vice, no comando do 
Palácio Alencastro.

Aumento do valor na nota fiscal

“Eu o confrontei sobre o assunto e o Bruno explicou que este era um acordo com Wilson Santos, que foi mantido com o então prefeito Chico Galindo. Ele disse que na época a Constil executava obras do programa municipal Poeira Zero, e que o acordo consistia em aumentar o valor da nota fiscal emitida pela Constil, pelo serviço de medição executado, devendo o valor excedente ser devolvido a Chico Galindo”, afirmou à PF.

Robison disse que perguntou a Bruno “como isso era possível, pois a medicação deveria corresponder a um trecho de obra efetivametne executado”.

“Ele respondeu que eram medidos também, como se feitos pela Constil, trechos executados pela própria Prefeitura de Cuiabá. Ele explicou que não podia passar o dinheiro para o Chico Galindo, de forma direta, para não chamar a atenção. E que o dinheiro ficava na contas das empresas dele, e depois eram repassados, de forma pulverizada, para terceiros indicado por Galindo”, afirmou, no depoimento.

Licitação de R$ 23,8 milhões

No dia 12 de abril de 2012, a Prefeitura de Cuiabá divulgou o resultado de uma licitação do Poeira Zero.

A Constil Construções venceu cinco dos dezessete lotes para pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais de bairros: os de números 2 (Ribeirão da Ponte), 5 Jardim Itaporã), 13 (Jardim Universitário), 15 (Avenida Antártica) e 17 (Avenida dos Trabalhadores).

O valor total dos cinco lotes vencidos pela construtora foi de R$ 23,8 milhões.

Outro lado

A reportagem tentou contato com o ex-prefeito Chico Galindo, por meio de dois números de celulares. As ligações não foram atendidas.

Veja o resultado da licitação feita na gestão de Chico Galindo e trechos do depoimento do empresário:


 

Da Redação

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