05/08/2013 - Poeira das obras da Copa do Mundo, mais um agravante para a saúde da população da Grande Cuiabá

Boca seca, ardência nos olhos, dificuldades para respirar – estes são alguns problemas que a população da Grande Cuiabá começa a enfrentar nesse longo período que antecede a chegada das chuvas, em outubro. Se antes a população já sofria com a baixa umidade relativa do ar e a fumaça das queimadas, inclusive urbanas, este ano o problema tende a piorar com um novo agravante: a poeira que se espalha por Cuiabá e Várzea Grande em consequência das obras de mobilidade urbana que estão sendo executadas nas duas cidades para a Copa do Mundo de 2014.

 

“Parece até que Cuiabá foi invadida por bandos de tatus daqueles gigantes.  A gente passa por uma avenida de manhã para trabalhar ou ir a algum lugar e quando volta  já tem buraco por todos os lados” – reclama um cuiabano da velha guarda. Ele garante que as mudanças que a cidade está sofrendo estão levando a população a modificar seus hábitos. Um deles: ninguém está mandando mais a criançada na padaria buscar o pão para o café da manhã, porque da noite para o dia a pacata rua onde mora pode virar uma pista de velocidade. “Tudo está mudando com muita rapidez” –  afirma.

 

A poeira que se junta à fumaça das queimadas urbanas na Grande Cuiabá forma uma espécie de nevoeiro, que mesmo a curta distância faz desaparecer não apenas a barra do céu, mas até os edifícios de grande porte. “Tem dia que eu acordo com a sensação que não estou morando mais em Cuiabá...” – queixa-se outro aborígine, inconformado com  a rápida metamorfose que a cidade está sofrendo na sua estrutura física por causa das obras da Copa do Mundo de 2014. “Decididamente, nós não estávamos preparados para enfrentar esse baque...” – acrescenta.

 

De acordo com fontes de duas policlínicas ouvidas pelo  24 Horas News – uma de Cuiabá  e uma de Várzea Grande – a população ainda não está sofrendo as consequências do trinômio umidade do ar, poeira e fumaça. “Mas é certo que não vai demorar a população  começar a sentir esses problemas, principalmente as crianças e os idosos...” – garante uma enfermeira. E o que é pior: os moradores de Cuiabá e Várzea Grande vão bater nas portas de policlínicas e talvez não encontrar  médicos para atendê-los        

 

 

Rubens de Souza

 

 

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