05/08/2016 - Análise: Mendes pode ter recuado agora para voltar forte em 2018

05/08/2016 - Análise: Mendes pode ter recuado agora para voltar forte em 2018

Apesar da alegação de "motivos familiares", quem circula pelos bastidores da política não crê que apenas esse tenha sido o motivo da desistência do prefeito Mauro Mendes (PSB) em disputar a reeleição em Cuiabá.

 

Pelas circunstâncias, o recuo pode ter sido estratégico para que ele se mantenha forte no cenário político e com condições reais de disputar o Palácio Paiaguás em 2018.

 

Caso decidisse disputar a reeleição, o embate eleitoral seria duro - e caro. Mesmo no melhor cenário, em caso de reeleição, Mendes poderia sair chamuscado do embate, com dívidas pesadas e devendo outros compromissos políticos.

Não é segredo para ninguém que, caso reeleito, o prefeito não descartaria a possibilidade de disputar o Governo em 2018.

 

Mas o projeto ficaria na dependência de muitas variáveis. Uma delas é que, provavelmente, Mendes não emplacaria um vice de sua confiança (pois a indicação, que já virara uma "novela", é do PSDB).

 

Além disso, haveria, sempre à espreita, o trauma causado na população pela malfadada experiência protagonizada por Wilson Santos e Chico Galindo, pelo uso do famigerado "trampolim político". 

 

Por melhor que fosse o argumento (ou a desculpa), o povo aceitaria tal movimento? Ou, em meio à indignação, exterminaria com as chances de Mendes? Essa segunda opção, obviamente, seria a mais provável.

 

Tais ingredientes, no mínimo, poderiam inviabilizar seu sonho.

 

Por outro lado, descartando a disputa à reeleição, Mauro Mendes terá toda a tranquilidade de concluir, em alto estilo, o seu mandato.

 

Provavelmente, ele irá inaugurar todas as obras em curso. Não fará dívidas de campanha e nem será obrigado a vender a alma pela reeleição - ao mesmo tempo em que não desapontará a família.

 

Além disso, ele terá mais condições de potencializar, findo o mandato, seus índices expressivos de aprovação e avaliação positiva, como mostrou recentemente o Voice Pesquisas.

 

De posse desse patrimônio político, ele teria "apenas" o desafio de se manter em evidência, percorrendo o Estado durante um ano e meio e alardeando seu legado como gestor da Capital.

 

Desse modo, chegaria com chances reais de ser um dos mais fortes players em 2018.

 

"Abacaxi" para Taques

 

Além disso, ao sair de cena, Mendes pode ter deixado um verdadeiro abacaxi para o governador Pedro Taques (PSDB), seu eventual adversário natural em 2018, descascar.

 

O grupo político que dá sustentação à aliança entre Taques e Mendes, agora, corre contra o tempo para encontrar um candidato à altura, com as mínimas condições de desempenhar um bom papel na campanha e com chances de vencer a disputa.

 

Mesmo que o nome escolhido seja bom, ele deixa de ser favorito. E o resultado eleitoral poderá colocar um adversário de Taques no comando do Palácio Alencastro - o que poderia dificultar a eventual campanha de reeleição do governador.

 

De um modo geral, esses são apenas alguns dos ingredientes que indicariam que Mauro Mendes, como há muito não se via na política mato-grossense, pode ter lançado mão de uma verdadeira "jogada de mestre".

 

 

 

 

Ramon Monteagudo 

Da Redação

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