05/09/2013 - Henry culpa Mauri por ingerência e unidade vira motivo de denúncia

O Hospital Santo Antônio de Sinop roubou a cena entre os esclarecimentos prestados pelo ex-secretário de Estado de Saúde (SES) Pedro Henry, convidado pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa para dirimir duvidas relacionadas a gestão.  O deputado Antonio Azambuja, presidente da comissão, abriu os trabalhos questionando Pedro Henry sobre seus comentários à imprensa dando conta de possíveis desvios de recursos federais envolvendo hospitais da região norte.

 

Henry esclareceu que de acordo com a Resolução 131/CIB de 17/05/12, Mato Grosso passou a receber o incremento anual de mais de R$ 66 milhões para custeio do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, Hospital Albert Sabin de Alta Floresta e Hospital Santo Antonio de Sinop. No caso específico de Sinop, 70% do custeio vem de recursos federais no montante de R$ 2.390.926,30/mês, enquanto o Governo do Estado assume os 30% restante, na casa de R$ 1.024.000,00

 

A grande polêmica está na incapacidade financeira de gerencia da unidade sinopense. Segundo informações apuradas pela própria comissão de saúde, o atendimento na unidade é precário, faltam equipamentos, a estrutura física é inadequada e as dividas com os fornecedores se ampliam a cada dia.

 

Interpelado sobre a ingerência da unidade, Henry apresenta novos números. Diferente dos valores anteriormente citados, Henry apresenta outros números, agora com o montante de R$ 54,6 milhões repassados pelo ministério e estado no período de maio/12 a maio/13, contradizendo os valores acima, que numa conta simples fecham na casa dos R$ 40,9 milhões. Henry segue se contradizendo, e afirma que não há outra explicação para a incapacidade financeira da unidade, se não for má gestão. “Ao que consta o ministério da saúde não atrasou os repasses, então porque a direção do hospital reclama da falta de pagamentos; se chegar ao ministério a informação de que os recursos não foram aplicados, as repercussões sobre Mato Grosso serão terríveis”, previu Henry.

 

EQUIPAMENTOS – O clima esquentou ainda mais, após Pedro Henry afirmar com base em informações extraoficiais, que os equipamentos adquiridos com recursos federais para o hospital de Sinop deixaram de ser entregues por uma determinação do atual secretário Mauri Rodrigues de Lima. Não satisfeito, Henry seguiu polemizando: “O secretário [Mauri] sob uma atitude política e talvez até em perseguição a sua própria cidade determinou que os equipamentos ficassem em Cuiabá, estranho”. 

  

O deputado Baiano Filho, membro da comissão, ponderou que o desconforto político entre Pedro Henry e Mauri Rodrigues tem causado dificuldades à gestão da pasta, e mesmo reconhecendo os avanços conquistados por Henry, a exemplo das OSS, Baiano desafiou: “Não acredito que tenha determinado a retenção dos equipamentos, confio no Mauri, acredito que não fez tal determinação, mas se o fez deve ser exonerado imediatamente à bem do serviço público, essa é uma acusação muito séria deputado Pedro Henry que precisa ser averiguada”, sublinhou Baiano. Os equipamentos correspondem a mais de R$ 6 milhões em recursos federais, estando ainda outros R$ 2 milhões em fase de aquisição.

 

Concluído há quase cinco anos, Baiano relembrou sua luta pela construção da unidade, executada pelo ex-prefeito Nilson Leitão. “Enquanto vereador defendi arduamente a construção da unidade, deixada pelo prefeito Leitão, e hoje lamento que após quase cinco anos de sua construção não conseguimos fazê-la funcionar, e essa é uma conta que deve ser assumida por todos nós, por mim, pelo prefeito Juarez, pelo governo do Estado”, lamentou Baiano.  

 

Ainda sobre os equipamentos, a deputada Teté Bezerra (PMDB) também saiu em defesa do secretário Mauri, e rebateu as criticas de Henry sobre a retenção dos equipamentos. De acordo com a deputada, a licitação contemplava o frete apenas do Porto de Santos até Cuiabá, não prevendo o transporte e seguro dos equipamentos até Sinop. Por orientação jurídica, Mauri teria sido desaconselhado a enviar os equipamentos de maneira independente e sem o devido resguardo da mercadoria. Teté acrescentou que a assessoria jurídica da SES estuda uma forma segura para o envio dos equipamentos.

 

MEDICAMENTOS – O deputado Pedro Henry afirmou que os medicamentos vencidos encontrados na Farmácia de Auto Custo estão dentro dos limites contratuais, mas alertou para a possibilidade do Ministério da Saúde ter adquirido uma quantidade excessiva , “desovando” os medicamentos nos estados às vésperas do vencimento. “Para se livrar do problema, o ministério pode sim ter encaminhado esses remédios para os estados, mas isso precisa ser averiguado e pessoalmente já estou requerendo a documentação necessária para apurar as responsabilidades”, concluiu Henry.

 

Nesta quarta-feira, 04.09, a partir das 16h, será a vez do secretário da SES Mauri Rodrigues prestar esclarecimentos sobre os supostos desvios apontados por Pedro Henry à comissão.  

 


Naiara Martins

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário