05/10/2016 - Bom Exemplo - Catador de lixo reciclável acha 1,4 mil dólares, devolve ao dono e ganha o aplauso de Brasília

05/10/2016 - Bom Exemplo - Catador de lixo reciclável acha 1,4 mil dólares, devolve ao dono e ganha o aplauso de Brasília

Boas notícias são raras na imprensa patropi, que trata o “bem” como deslize piegas e o “mal” como “o” assunto seminal de suas manchetes. Mas, apesar da lama quase geral — o que falta no Brasil não é água, e sim lava-jatos suficientes —, há gestos de indivíduos que merecem registro e, até, o aplauso da sociedade. O catador de materiais recicláveis João Rodrigues Cerqueira tem 20 anos e, pobre, mora num casebre. Na terça-feira, 20, reporta o “Correio Braziliense”, ao colher lixo para reciclagem, João achou um envelope com 1,4 mil dólares. O dinheiro havia sido perdido pelo fonoaudiólogo Bruno Temístocles.

{“Em um pau tão torno como aquele de que o homem foi feito não se pode esculpir nenhuma coisa inteiramente reta.” Kant}

Bruno esteve na cooperativa dos catadores de material reciclável em busca de informações sobre o envelope perdido com pouco mais de 4 mil reais. Um garoto de 7 anos, cunhado do fonoaudiólogo, havia jogado o envelope no lixo, sem saber que continha dinheiro. Mesmo sem muita esperança de recuperar os dólares, Bruno deixou o telefone na cooperativa. Pouco depois, João ligou e disse que havia encontrado o dinheiro.

Por sua honestidade, João recebeu 600 reais como recompensa e terá um emprego com carteira assinada na empresa da família de Bruno.

{“O homem não é nem bom, nem mau, nasce com instintos e aptidões; a sociedade , longe de depravá-lo, como pretendeu Rousseau, o aperfeiçoa, torna-o melhor; mas o interesse desenvolve-lhe os maus pendores também.” Balzac}

Porém, não pense o leitor que João se considera herói, por ter devolvido os dólares. “Não fiz nada demais. Nada além do meu dever. Mesmo que eu não tivesse ganhado nada, não me arrependi da minha ação. Independentemente da classe social, existem muitas pessoas boas no mundo, que não pensam em passar os outros para trás”, disse.

{“Todo homem que é um homem de verdade deve aprender a ficar sozinho no meio de todos, a pensar sozinho por todos — e, sendo necessário, contra todos.” Romain Rolland}

Comovido com a honestidade de João, o cantor Gabriel, o Pensador articulou uma vaquinha entre amigos, reuniu 10 mil reais e decidiu levar o dinheiro pessoalmente à casa de João. “Rapaz, não consegui nem falar na hora”, contou João à repórter Adriana Bernardes, do “Correio”. “Eu nunca ia esperar uma coisa dessas. O Gabriel, o Pensador veio de tão longe aqui na minha casa, um lugar tão humilde, nossa!”, disse.

João mora numa das regiões mais carentes do Distrito Federal, a Chácara Santa Luzia, na Estrutural.
A repórter Adriana Bernardes pergunta: “E o que você vai fazer com o dinheiro?” João surpreende a jornalista e diz que não vai comprar nada para si, “mesmo morando num barraco improvisado”. Vai usar o dinheiro para ajudar a mãe, que, por certo, tem carências maiores.

{“O homem é a criatura que não pode sair de si, que só conhece os outros em si, e, dizendo o contrário, mente.” Proust}

A honestidade de João tende a mudar sua vida. “Rapaz, graças a Deus apareceram pessoas abençoadas e com o coração tão bondoso… Só agradeço todos os dias essa oportunidade”, afirma João, sem notar que, no caso, ninguém é tão abençoado quanto ele.


Na terça-feira, 27, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios homenageou João e o convidou a ser palestrante de um projeto dirigido às escolas públicas — “O que você tem a ver com a corrupção?” João, sua mãe, a mulher e uma filha foram recebidos pelo procurador-geral de Justiça, Leonardo Bessa. Tornou-se a sensação de Brasília. Pelo menos uma vez uma vez a honestidade venceu e isto deve mesmo ser comemorado. João é um homem decente.

 

 

 

Correio Brasiliense

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