05/12/2013 - Cidades de Mato Grosso em estado de emergência por aumento populacional

Os prefeitos dos municípios de Alta Floresta e Paranaíta (875 e 825 km de Cuiabá, respectivamente) decretaram situação de emergência nas duas cidades por “excesso populacional” e falta de recursos para prestar serviços básicos essenciais. Ambos alegam que com a construção da usina Teles Pires, que começou 2011, o número de habitantes cresceu muito e as prefeituras continuaram recebendo verbas com base nos índices populacionais antigos.   Em Paranaíta, o prefeito Antônio Domingo Rufatto (PMDB) diz que o aumento de habitantes se aproxima de 70%. Saltou de pouco mais de 10.684, como aponta o Censo do IBGE de 2010, para mais de 17 mil moradores, conforme ele. Em Alta Floresta, o prefeito Asiel Bezerra (PMDB) aponta crescimento populacional de 50%. De 49,1 mil, teria pulado para mais de 70 mil nos últimos dois anos.   Ambos reclamam que a demanda de serviços cresceu em todas às áreas. Tanto por causa da chegada de operários para as obras da usina como de pessoas atraídas pelo projeto hidrelétrico que nem chegaram a ser contratadas mas que permanecem nas cidades.   Como a arrecadação dos municípios têm como base os dados populacionais do Censo do IBGE, Asiel Bezerra e Antônio Rufatto alegam que as verbas públicas não estão sendo suficientes para contratar médicos, comprar medicamentos, abrir mais salas de aula, fazer melhorias nas estradas, tampouco construir ou ampliar as creches.   O número de internações hospitalares, cita o prefeito de Alta Floresta, aumentou 40%. Na educação infantil, que até 2010 eram atendidas 1.350 crianças, este ano subiu para 1.863, ou seja, 500 a mais.   Asiel também aponta o número de pessoas que esperam por uma moradia de programas populares para famílias de baixa renda. De 1.600 em 2010, saltou para 3.151, este ano.   Nos postos de saúde de Paranaíta, diz Antônio Rufatto, os médicos não conseguem atender todos os pacientes. “Cheguei a pedir ajuda à direção da usina para contratar dois médicos, mas a resposta foi negativa”, reclama. Ele lembra que a usina paga R$ 1,3 milhão de ISSQN (Imposto Sobre serviços) por mês, mas não cobririam as demandas decorrentes das obras.   Ruffato entende que o município não pode sofrer os impactos negativos da construção de uma usina que vai gerar energia elétrica para atender o país.   Os dois prefeitos encaminharam os decretos de emergências para diversos ministérios do governo federal, além do governo do Estado, Assembleia Legislativa e outros órgãos. A expectativa deles é de levantar verbas para seus municípios.   O prefeito de Alta Floresta viajou nesta quarta-feira (4) para Brasília a fim de buscar ajuda dos parlamentares mato-grossenses no Congresso e do Governo Federal.   A Usina está sendo construída divisa do Pará e Mato Grosso, no rio Teles Pires, com um investimento de cerca de R$ 4 bilhões, e terá capacidade para geral 1.820 MW, o suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 6 milhões de pessoas. Este ano, a obra é tocada por quase 7 mil operários.  

 

Alecy Alves | Diário de Cuiabá

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