05/12/2013 - Prefeito negocia pastas e oposição "sepulta" CPI em Leverger

Os movimentos sociais de Santo Antônio de Leverger estão se mobilizando contra possível negociata envolvendo a Prefeitura e alguns vereadores. Militantes de associações de moradores, sindicatos e da Ong Moral suspeitam que houve negociação de cargos no Executivo em troca de arquivamento de CPI na Câmara e restabelecimento da paz entre os dois Poderes.

  O que causou estranheza foi o fato do prefeito Valdir Ribeiro (PT) ter empossado novos secretários indicados por vereadores de um grupo político rival. A perplexidade é grande principalmente porque os novos secretários, Fábio Teixeira (Cultura e Turismo) e Judson Carvalho Silva (Administração), foram indicados pelo presidente da Câmara Wagner Belmiro (PSD) e pelo vereador Franklin Carvalho (PSDB). Os dois pertencem ao grupo que articulou a destituição do prefeito, em agosto, sob alegação de falta de transparência do gestor na prestação de contas.

  Um dos líderes do movimento é o presidente da União das Associações de Moradores, Samuel Moreira. A entidade a qual Samuel representa possui 75 associações filiadas. “Toda a sociedade estranhou essa situação, por isso a gente defende que o Ministério Público e o Tribunal de Contas precisam intervir e investigar isso, protestou. Ele conta que já foi ameaçado de morte por sua atuação em defesa da moralidade na administração pública.

  Segundo Samuel, isso ocorreu em gestões passadas, mesmo assim, ele diz que não vai se calar diante dos indícios dos novos casos de corrupção no município. “Nós queremos nos organizar para cobrar e defender a verdade e a Justiça, bem como discutir os projetos de interesse da cidade. Há dez anos o município vem sendo administrado por pessoas que não visam o bem-comum e só há mazelas contra o povo”, frisa.

  Outro lado

  O presidente da Câmara, Wagner Belmiro, nega qualquer acordo entre Câmara e Prefeitura para “sepultar” a CPI e conseguir cargos. “Desconheço qualquer tipo de negociata”, destaca. Ele garante que a CPI foi arquivada porque perdeu o objeto quando o prefeito Valdir regularizou a falta de prestação de contas ao enviar informações ao sistema Aplic do TCE e à Câmara para a devida fiscalização.

  O curioso é que Wagner Belmiro “jura de pés juntos” que na Câmara nunca existiu grupo rival e nem oposição ao prefeito. As atuações que culminaram no afastamento do prefeito, ele classifica apenas como posturas de independência. “Só nunca aceitamos coisas erradas que o prefeito fez. O que a Câmara tem feito desde janeiro é tentar ajudar o prefeito. Agora ele entendeu que a Câmara é importante e deve ajudar a administrar”, garante

  Mesmo após a paz ter sido selada, Wagner Belmiro garante que o Legislativo local nunca foi e nunca será omisso ou subserviente ao Executivo. A reportagem também tentou entrar em contato com o prefeito para falar sobre o assunto, mas o telefone dele estava desligado ou fora de área. Ele não retornou as ligações até a publicação desta matéria.

 

Glaucia Colognesi

 

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