05/12/2017 - Três casos de abuso sexual na região de Barra do Garças continuam sem solução

05/12/2017 - Três casos de abuso sexual na região de Barra do Garças continuam sem solução

Vítimas vivem hoje com medo e os agressores estão soltos. Uma vítima de 21 anos hoje cuida de duas irmãs também violentadas pelo mesmo homem. E o pai que engravidou a filha continua solto e a filha teve que abortar.

 
Na semana que será divulgado uma campanha sobre a importância de denunciar o abuso sexual cometido contra menores nos remete a pergunta sobre três casos de repercussão na região de Barra do Garças que não tiveram solução. Um deles, a vítima de 21 anos chegou a fazer um questionamento denunciar pra que? Ela conta que teve que sair de casa com as duas irmãs de 15 e 12 que também eram abusadas pelo mesmo homem.
 
Primeiro caso
 
Hoje as três irmãs moram juntas num quitinete e o agressor continua na casa na companhia da mãe. A mais velha conta que já pediu acompanhamento psicológico para irmãs principalmente para mais novinha que não entende o porquê que a mãe não acredita nelas e prefere ficar com acusado. As irmãs relataram na delegacia especializada da Mulher que foram abusadas pelo mesmo homem que é padrasto das duas mais velhas e pai da mais nova.
 
E o caso somente foi descoberto porque a mais nova comentou com uma coleguinha na escola e o conselho tutelar foi avisado em Pontal do Araguaia. A partir deste momento, a mais velha revelou tudo que sofreu de abuso até aquele momento.
 
Mesmo com evidências suficientes de que houve estupro por anos praticados pelo padrasto e com a comprovação dos abusos através do exame de corpo de delito, a Justiça de Barra do Garças ainda não expediu um mandato de prisão preventiva ao suspeito. As jovens revelam se sentir encarceradas enquanto o abusador goza de liberdade.
 
A mais velha explica que foi abusada primeiramente pelo tio em 2004 em Primavera do Leste. E quando veio morar com a mãe em Pontal do Araguaia passou a ser abusada pelo padrasto em 2008. Todavia, ela suportou os abusos temendo que fosse rejeitada pela família e diz que a mãe flagrou o padrasto em cima dela e mesmo assim não fez nada.
 
Os demais abusos foram descobertos em 2017 e o inquérito já foi concluído pela Delegacia da Mulher aguardando agora a manifestação do MPE e do Poder Judiciário.
 
Segundo caso

 
O segundo caso que ficou sem solução aconteceu, no final do mês de fevereiro de 2017, no distrito de Paredão Grande, no município de General Carneiro, em que o suspeito L.O.O mesmo depois de ter confessado que estuprou e engravidou a própria filha de 12 anos está solto. 

Ele chegou a ser ouvido na delegacia de Barra do Garças, todavia o delegado plantonista explicou que o caso não seria flagrante porque teria ocorrido anteriormente e que não havia mandado de prisão contra o suspeito e por isso não teria como mantê-lo preso. O suspeito foi detido quando levou a filha que passava mal ao hospital de General Carneiro e lá uma médica descobriu a gravidez da menina, estaria de 4 a 6 semanas de gestação.
 
Em entrevista com os policiais, a adolescente admitiu que era estuprada pelo pai e acusado confessou o crime dizendo que era trabalhador, mas tinha cometido "esse deslize de ficar com a própria filha" e que estaria pronto para pagar pelo erro cometido. Depois que o caso ganhou repercussão saiu o mandato de prisão contra o pai que não foi localizado na época acabou fugindo enquanto que a menina teve que fazer um aborto por orientação de médicos e autorizado pela justiça. 

Terceiro caso
 
Uma jovem de 19 anos que, que residia no passado em Pontal do Araguaia-MT, publicou no mês de julho de 2017 relatos dos momentos de horror que passou nas mãos do próprio pai, um ex-policial militar de Mato Grosso que já foi expulso da corporação por outros motivos, e que agora é acusado de estupro pela própria filha. Na denúncia, diz que a filha foi abusada sexualmente durante oito anos. A jovem que passou a se mutilar cortando os braços e tomando remédio passou a denunciar o caso que até hoje não teve uma solução porque o acusado continua solto. Ela teve que mudar de cidade.
 
O caso já era investigado pela Delegacia da Mulher de Barra do Garças, mas ganhou repercussão após a postagem da vítima que saiu dia 10 de julho na página social.

A jovem contou que tinha sete anos quando foi morar com os pais pela primeira vez após passar parte da infância com a avó:

A jovem morava em Barra do Garças no bairro São João com os avós e tinha um sonho de morar com os pais fato que aconteceu quando ela foi morar com os pais em Pontal do Araguaia. No início, o pai deitava na mesma cama que a menina e dizia que os dois iriam brincar: “Fechei meus olhos enquanto ele acariciava meu corpo. Eu disse que não queria. Mas homens não entendem que não é não”. Depois disto, o homem ainda chegava a dar dinheiro para ela, para que não denunciasse o caso.
 
Toda a família chegou a ficar sabendo do caso, segundo a jovem, mas não deram atenção ao caso. Quando tinha 15 anos, ela resolveu enfrentar o agressor. Depressiva, a menina chegou a perder dez quilos em apenas um mês e em outubro do ano passado tentou se matar.
 
São três casos que aconteceram na região de Barra do Garças sendo dois em Pontal do Araguaia e um General Carneiro que continuam até hoje sem solução por parte do Poder Judiciário. 
 
 
 
 
 
Araguaia Notícia

 

 

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