06/03/2015 - "Chute é fazer viaduto que não pode ser usado", afirma secretário

O secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, rebateu as declarações do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), de que a tarifa de R$ 10 do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) não passa de um simples "chute”. 

Em coletiva na tarde desta quinta-feira (05), Taques afirmou que o provável valor foi manifestado após amplo estudo realizado pelo atual Governo.

“O valor do preço da passagem em R$ 10, ao contrário do que foi dito, não é chute, não é chutômetro. Chute é fazer viaduto que não pode ser usado. Nossas manifestações são amparadas em trabalho técnico”, disse. 

O secretário ainda observou o fato de a auditoria ter revelado uma possível conivência dos ex-gestores com atrasos e irregularidades na execução dos trabalhos de implantação do modal.

Entre elas, o fato de diversas obras não apresentarem projetos, mesmo dois anos após o início das obras.

“No caso do Viaduto da Sefaz, por exemplo, há notificações dando conta da ausência de projetos. É como construir uma casa no escuro, sem ter nenhum projeto. Então, essa questão também foi fundamental para esse cenário de colapso que ocorreu nessas obras”, disse.

Paulo Taques afirmou que não se pode “temer” em abandonar o projeto de construção do VLT. Para ele, é inadmissível se gastar mais R$ 1 bilhão em uma obra que pode atender uma parcela reduzida da população cuiabana.

“Não se pode ter medo do raciocínio de não terminar o VLT. Analisar a conclusão de outro tipo de modal não é demagogia. Estão tentando demonizar esse raciocínio, mas temos que avaliar todas as hipóteses, todas as variáveis”, disse.

“Vamos supor que o VLT custe mais R$ 1 bilhão, ou seja, serão colocados mais de R$ 2 bilhões em um trem que vai transportar um número limitado de pessoas...A metade disso, talvez, seja suficiente para duplicar de Rondonópolis ao Posto Gil, um trecho que mata centenas de pessoas por ano”, afirmou, se referindo ao trecho da BR-163/364, ligando o Norte ao Sul de Mato Grosso.

Novo cronograma

Segundo Paulo Taques, com a auditoria concluída, a Controladoria do Estado recomendou à Procuradoria Geral do Estado que notifique o Consórcio VLT Cuiabá, para que corrija os problemas indicados no último relatório da gerenciadora Planserv-Sindotécnica.

Para o secretário, somente após a entrega do novo cronograma é que será possível determinar o valor final da obra, e saber se dará continuidade ao projeto ou mudança de modal.

“Esse pedido de informações sobre o cronograma das obras e seus gastos é uma das informações que o governador Pedro Taques precisa para que o Governo tome a decisão de retomar o VLT, para que possa mensurar quanto ainda vai ser gasto e o tempo que vai ser levado”, disse.

De acordo com o procurador-geral Patryck Ayala, o objetivo do Governo é buscar todas as formas possíveis de conclusão da obra, o que elimina, ao menos por enquanto, a possibilidade de rescisão de contrato com o Consórcio.

“Qualquer plano de ação factível vai depender desse cronograma e esse cronograma vai depender de um projeto executivo completo. Porque a auditoria sinaliza que os projetos que estavam lá não são completos e não poderiam ser aprovados. Sem projeto completo, ninguém consegue garantir conclusão de obra de forma responsável e séria”, afirmou.

Indagado se seria possível a apresentação de um cronograma das obras, com a presença de projetos de todas as obras até abril, Ayala disse que somente o Consórcio poderá responder.

“É uma boa pergunta que merece ser respondida pelo Consórcio. Um sinal positivo foi dado e aguardamos esse cenário. Não havendo retorno, naturalmente, temos as prerrogativas e as iniciativas que podem ser colocadas em prática. O Estado está vigilante nesse sentido”, completou.

O VLT

A obra foi orçada em R$ 1,477 bilhão e os serviços iniciados em 2012 e suspensos pelo Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, executor do modal, no ano passado por falta de pagamento.

A previsão é que fossem instalados 22,2 km de trilhos nos dois eixos, por onde devem circular os 40 carros do VLT – formados por sete vagões cada um.

Além disso, deveria ser edificado estações e terminais, bem como obras de arte (pontes, trincheiras e viadutos) ao longo dos dois eixos.

A obra se tornou um emblema da administração estadual, uma vez que ele disputou a preferência para execução com o BRT.

O modal foi defendido na época como a melhor opção para Cuiabá pelo então presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, e pelo ex-secretário de Estado, Eder Moraes.

Acabou sendo escolhido por Silval Barbosa para a implantação, mas ainda não mostrou viabilidade sequer para conclusão da obra que era esperada para ser concluída até o final deste ano, contudo, a atual cúpula do Governo do Estado, sob o comando de Pedro Taques, já descartou o prazo.

 

 

Douglas Trielli 
Da Redação

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