06/05/2016 - Gaeco prende foragido da Rêmora em flat; defesa critica

06/05/2016 - Gaeco prende foragido da Rêmora em flat; defesa critica

O Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) efetuou, na tarde desta quinta-feira (5), a prisão em Natal (RN), do servidor efetivo da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Wander Luiz dos Reis, considerado foragido da Justiça em decorrência da Operação Rêmora deflagrada na última terça-feira (3).

Ele estava em férias com a família e foi detido por integrantes do Gaeco do Ministério Público do Rio Grande do Norte, flat Luar da Ponta Negra. Para a defesa, não estava foragido, pois sua intenção é colaborar com as investigações e ele não estava fugindo da Justiça e já tinha firmado firmado compromisso de se apresentar ao Gaeco, em Cuiabá, na próxima segunda-feira (9). 

O advogado Schinaider Gomide criticou a atitude do Gaeco, pois entende que foi um gasto desnecessário para efetuar a prisão do seu cliente no Rio Grande do Norte. Ao Gazeta Digital o advogado informou que apesar do pacote de férias de Wander se estender até a próxima semana (dia 12), ele decidiu voltar e comprou passagem nesta quinta-feira. 

"Ele quando soube da prisão antecipou e comprou a passagem para retornar antes de concluir as férias e até me mandou cópia. Não está se furtando, ele quer colaborar com a justiça. Não é um criminoso e nem é perigoso", justifica Gomide explicando que foi ao Gaeco nesta quarta-feira e conversou com o promotor de Justiça, Carlos Roberto Zarur Cezar, explicando que seu cliente estava de férias, mas que se apresentaria na próxima semana.

“Acho engraçado, porque o Ministério Público poderia combater um gasto desnecessário com a máquina pública. Se sabe que a pessoa vai se apresentar pra que movimentar a máquina para prender uma pessoa em outro Estado? Isso é um gasto publico desnecessário. Ele não estava se furtando de apresentar á Justiça”, argumenta o advogado.

Não sabia de nada

O advogado disse ao GD que Wander Reis não tinha conhecimento de qualquer esquema criminoso para fraudar licitações. “Ele é um servidor que cumpria ordens. Ele não sabe de nada. Não tinha conhecimento e não participou de nada ilícito”, destaca. “Estamos vendo e nos informando através da imprensa”.

Agora, a defesa vai aguardar o retorno de Wander para conversar com ele sobre as acusações que o Gaeco imputa a ele e partir dai irá analisar várias questões e traçar uma linha de defesa.

Núcleo dos agentes públicos

De acordo com o Gaeco, Wander Luiz dos Reis integrava juntamente com os servidores Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva (todos da Seduc), o Núcleo de Agentes Públicos, pessoas que estariam encarregadas de agilizar e viabilizar as fraudes no âmbito da Administração Pública mediante recebimento de propina.

O empresário José Carlos Pena da Silva, proprietário da BRP Construtora Ltda, ao denunciar o esquema, relatou que Wander teria tomado a iniciativa de procurá-lo marcando uma reunião entre ele e os demais servidores envolvidos no esquema. Wander ocupava o cargo de superintendente de Acompanhamento e monitoramento da Estrutura Escolar da Seduc à época dos fatos.

Em 13 de novembro de 2015 eles foi exonerado do cargo comissionado, o que segundo as investigações, reforçou a afirmação do colaborador de que os empresários estavam descontentes com Wander. Em seu lugar, assumiu Moisés Dias da Silva. Atualmente, Wander consta na folha salarial de abril como servidor efetivo atuando como professor de educação básica. 

 

 

Welington Sabino, repórter do GD