06/06/2014 - Polícia civil de Canarana esclarece morte do servidor da FUNAI; suspeito foi preso em Aragarças (GO)

Policiais civis da delegacia de Canarana prendeu João Batista Silva dos Santos de 22 anos, suspeito de ter assassinato o servidor da FUNAI Cláudio Quoos Conte. O investigado foi preso em uma chácara de propriedade da sua mãe as margens do rio Araguaia em Aragarças (GO).

O crime aconteceu à noite do dia 24 de março de 2014 e o corpo foi encontrado na tarde do dia seguinte na sua própria casa na Rua Tuparandi nº 1221 no bairro tropical III com uma faca cravada no corpo. O veículo da vítima um Fiat Pálio foi levado pelo criminoso.

A vítima já havia exercido o cargo de superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) de Mato Grosso, era servidor da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e trabalhava lotado na Coordenadoria Regional do Xingu de Canarana há três anos. O corpo foi transladado para Porto Alegre (RS)  sua cidade de origem onde foi sepultado.

O delegado Dr. Sued Dias da Silva  Junior informou em entrevista ao Água Boa News que o assassino não deixou vestígios no local do crime e isso dificultou muito as investigações. “Só  com o resultado da Perícia Técnica (POLITEC) foi possível uma linha de investigação até chegar ao criminoso, que confessou o crime com riquezas de detalhes, porém o veículo levado não foi encontrado e ele disse ter abandonado o mesmo”.

Os motivos do crime ainda não foram esclarecidos, mais tudo indica que assassino e vítima eram conhecidos e houve um desentendimento e aconteceu o crime. O preso será interrogado em Canarana, pois os policiais ainda estavam em trânsito passando pelo CISC de Água Boa.

Segundo o delgado ele será indiciado por latrocínio roubo seguido de morte Art. 157 & 3° do Código Penal e será encaminhado para a Cadeia Pública de Canarana onde ficará a disposição da Justiça cuja pena de reclusão é de vinte a trinta anos.

Conheça a Trajetória de Cláudio Conte

Cláudio Conte  um  visionário historiador persistiu em novas ideias, maneiras de ver, favorecendo em legitimar a identidade mato-grossense com seu saber e vivência patrimonial, em que se dedicou.

Amante do Patrimônio Cultural, historiador e escritor, Cláudio Quoos Conte, já produziu diversos estudos sobre a história dos patrimônios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em Mato Grosso, e hoje deixa saudade, desde o dia 23 de março. Militante pela preservação patrimonial, ele esteve por 15 anos na direção deste órgão Federal no Estado e foi homenageado, em sua memória, pelos amigos em uma missa na Igreja Senhor dos Passos, localizado no Centro Histórico de Cuiabá, ao meio-dia de sexta-feira (28.03).

O patrimônio perde Cláudio Quoos Conte aos 51 anos. Historiador e um dos autores do livro “Centro Histórico de Cuiabá Patrimônio do Brasil. Cuiabá: Entrelinhas” (2005).

“Cláudio Conte pediu-me uma ‘apresentação’, que só faz sentido pela generosidade desse jovem historiador e diretor da subregional do IPHAN (na época, em 2005) em Mato Grosso”, destacou o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutor em História pela Universidade de São Paulo, Carlos Alberto Rosa, em prefácio do livro acima citado.

Dentre vários nomes que fazem com sensibilidade e competência técnica a história da preservação do patrimônio histórico-multitemporal, multiétnico, multifacetado, desta parte mais central da América do Sul, tal como descreve o doutor, Cláudio Conte era um dos primeiros de seus arquivos de memória.

“Durante anos convivemos, discutimos e cooperamos. Das vivências desses anos, carrego comigo boas lembranças, responsáveis em grande parte por meus trabalhos posteriores, na UFMT e em outras instituições, particularmente a formulação de histórias urbanas de Cuiabá e de Mato Grosso coloniais”, descreve Carlos.

É que em muitos anos, segundo Carlos, houve um tempo em que todos acreditavam no que lhes tinham ensinado: que os espaços edificados de Cuiabá e Mato Grosso não tinham nenhum valor, não expressavam nada, nada documentavam.

Contrariando este pré-julgamento, o visionário Conte persistiu em novas ideias, maneiras de ver, favorecendo em legitimar a identidade mato-grossense, com seu saber e vivência patrimonial, em que se dedicou.

“Falar do Cláudio Conte, me faz lembrar de algumas vezes na vida, dos encontros que temos com pessoas especiais, que chegam para melhorar as nossas atitudes, compreendê-las, acreditar no outro, respeitar, considerar. Como parceiro nas tarefas de preservação do patrimônio, da educação patrimonial, das competências de geri-los, Cláudio do IPHAN e, eu da SEC-MT, ele era esse alguém que fazia você acreditar que realmente tem algo bom no mundo. Alguém que te convence que lá tem uma porta destrancada só esperando você abri-la. Isso é uma amizade pra sempre. Descance em Paz! Você e o patrimônio Cultural são para Sempre”, descreve Maria Antúlia Leventi, Superintendente de Desenvolvimento e Fomento a Cultura da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso (SEC-MT), quanto a pessoa e o profissionalismo do historiador.


Trajetória

O indigenista foi representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Mato Grosso (IPHAN) de 1994 a 2012. Na Coordenadoria Regional do Xingu ele atuava no Serviço de Monitoramento Ambiental e Territorial (SEGAT), no apoio às atividades culturais e projetos especiais direcionados aos povos indígenas do Parque Indígena do Xingu.

O ex-superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) de Mato Grosso foi especialista na Fundação Nacional do Índio (Funai). Conte estava lotado na Coordenadoria Regional do Xingu de Canarana. 

 

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