06/10/2015 - PM é acusado de assediar menor; pastor teria "abafado" o caso

Um soldado da Polícia Militar, de 26 anos, está sendo acusado de assediar uma garota, à época com 12 anos, através de imagens de cunho sexual. O caso estaria sendo acobertado pelo sogro do rapaz, um pastor da Igreja Assembleia de Deus de Várzea Grande, segundo depoimentos prestados pelos envolvidos à Polícia Civil.

O militar foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Estadual (MPE) por perturbação à tranquilidade e difamação e exposição de adolescente à vexame, mas a família da jovem, porém, quer converter o caso para crime de pedofilia.

À Polícia, a garota contou que, nas mensagens que recebia de F.O.S, o militar dizia que "a amava, queria manter relações sexuais e tirar sua virgindade".

Apesar do assédio e da revelação do caso, a menor afirmou que nunca teve relações sexual nem outro tipo de contato físico com o militar, bem como nunca foi ameaçada pelo acusado.

Em depoimento à Polícia, a vítima, agora com 13 anos, contou que conheceu o policial na igreja, há dois anos. Na época, ele era noivo da atual esposa, filha do pastor.

Em fevereiro de 2014, após dois meses de casado, ele enviou a primeira mensagem à menor, dando "boa noite". Depois desta, o soldado passou a enviar outras mensagens.

"Certa vez, ele tentou lhe agarrar na cozinha de sua casa, estavam sozinhos, mas o sogro dele chegou e ele a largou", diz trecho do depoimento.

Apesar de receber inúmeros vídeos de cunho sexual do rapaz, ela nunca teria cedido aos pedidos dele para que também enviasse imagens de suas partes íntimas. Porém, havia mandado imagens de sutiã e fotos de blusa e short.

Descoberta do caso

Conforme denúncia feita à Polícia, a família da garota frequentava uma unidade da igreja Assembleia de Deus, em Várzea Grande, local onde o militar atuava como líder de um grupo de jovens. Um dos pastores da unidade é R.C, que é sogro do PM.

Em depoimento à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Várzea Grande, a mãe da garota relatou que o caso de assédio foi descoberto em março deste ano, após seu marido, padrasto da menina, utilizar o chip da enteada em seu próprio celular, pois o aparelho dela estava com problemas.

Após colocar o chip, um número desconhecido ligou para o telefone da garota. Ao atender a ligação, o padrasto alega que ouviu a voz de um homem, porém, não interagiu com a pessoa do outro lado da linha.

No dia seguinte, o padrasto ligou para o número desconhecido e reconheceu a voz do PM. Ao questionar a enteada sobre a ligação que ela havia recebido, a garota contou que o policial estava ligando e mandando mensagens para ela, porém, sem detalhar o teor das conversas.

Conforme consta nos depoimento, após o caso, o padrasto da garota contou que chamou F.O.S e o pastor da igreja, sogro do militar, para conversar. Durante o encontro, o rapaz admitiu que mandou mensagens para a menor em um "momento de bobeira" e pediu desculpas.

Ainda conforme o depoimento, após conversar com o genro, o pastor teria conversado com a menor e pedido para que o assunto fosse encerrado, pois, "se a filha descobrisse o caso, ela se separaria do PM".

Após esse episódio, a menor relatou à mãe que o oficial estava casado há dois meses, quando começou a lhe enviar mensagens e vídeos pornográficos.

Nas imagens que recebia do homem, a menor relata que ele se masturbava dentro da viatura de trabalho, no corredor da Polícia Militar e até mesmo dentro do banheiro da casa do pastor.

Caso abafado

Conforme o depoimento da mãe, quando a mulher contou a nova versão da filha ao padrasto da menor, o homem chamou o pastor para conversar, que, por sua vez, prometeu fazer com que o genro contasse toda a verdade à filha.

Depois da confissão, o pastor pediu que o caso não fosse levado à Polícia, pois seria resolvido dentro da própria instituição religiosa.

O líder religioso lavrou uma ata na igreja, onde determinou que o PM e a garota deveriam ficar afastados do local. O rapaz deveria ficar 60 dias sem frequentar nenhuma cerimônia religiosa e a garota deveria se ausentar durante 90 dias.

Também em depoimento à Polícia Civil, o padrasto da jovem afirmou que, no dia seguinte à assinatura da ata, o pastor contou a toda a igreja sobre o caso entre a garota e o suspeito.

Inconformados com a exposição do fato, os pais da menor teriam levado o caso ao superior do pastor na unidade religiosa. Mais uma vez, porém, eles foram aconselhados a deixar o caso ser resolvido dentro da unidade religiosa.

Corregedoria da PM

A mãe da garota denunciou o caso à Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso, que está investigando a situação.

A conduta de F.O.S será analisada pela PM, que definirá quais sanções poderão ser aplicadas ao militar, caso as investigações comprovem o assédio à menor de idade.

 

Midia News

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