07/03/2016 - Conheça o cartão de crédito com controle pré-pago

07/03/2016 - Conheça o cartão de crédito com controle pré-pago

Com a renda familiar em declínio e os juros do rotativo do cartão de crédito em ascensão, uma modalidade até então pouco utilizada por consumidores surge como opção mais viável para as despesas: o cartão pré-pago. Similar a prática já disseminada para o uso do celular, o sistema pré-pago incorporado aos cartões magnéticos permite efetuar pagamentos a vista em vários estabelecimentos nacionais e internacionais credenciados as operadoras de cartões, dentro de um limite de gastos previamente estabelecido.

Para economistas, o controle financeiro é a principal vantagem. E, por isso, costumava ser mais utilizado por pessoas jurídicas. Outras vantagens é que pode ser adquirido pelo público não-correntista ou que está com o CPF negativado.

Arte/jornal A Gazeta

‘Além de ser gratuito, não tem taxa de adesão’, detalha o economista Edisantos Amorim. É cobrada apenas uma taxa para confecção do cartão, no valor de R$ 15. ‘Funciona como um celular pré-pago e a aquisição pode ser feita em qualquer estabelecimento, principalmente nas grandes redes e magazines ou até mesmo pela internet’. A cada recarga, são cobrados cerca de R$ 2. Transferências ou saques debitam R$ 5 do saldo, detalha o economista. ‘As grandes redes de cartões já operam com essa modalidade. E, quando for pagar, passa na função crédito com pagamento a vista’, pontua. É como o cartão convencional, que pode agregar duas opções de pagamento, sendo débito e/ou crédito, compara ele.

Para Santos, o interessante do cartão pré-pago é que é um meio de fazer o controle financeiro doméstico ou empresarial. ‘Possibilita dimensionar as despesas mensais com supermercado, mensalidade escolar, telefone, farmácia, com domínio de todos os gastos com o cartão.’ O saldo pré-fixado pode chegar a R$ 5 mil. ‘Algumas empresas incluem até planos de milhagem.’

Ele lembra que no cartão de crédito normal, o consumidor terá acesso ao limite de crédito superdimensionado e gastará muito mais. ‘Vejo como uma grande falha dos bancos disponibilizar um cartão de crédito com limite acima dos ganhos, colocando em risco a capacidade de pagamento. Isso justifica a inadimplência, o superendividamento. Leva o usuário até mesmo a ter os créditos bloqueados por conta desse limite a perder de vista, pois não tem educação financeira para saber controlar os gastos’.

Para a economista e consultora empresarial, Edijeide Freitas, o cartão pré-pago é vantajoso por restringir despesas extras, já que o valor a ser gasto é previamente fixado. ‘Tem sido usado como mesada para os filhos e como controle de custos fixos das empresas.’ Para ela, a desvantagem é não ter acesso a mais recursos, diante do surgimento de imprevistos.

‘Eu já ouvi falar, mas não tenho um destes ainda’, diz a garçonete Maíse dos Santos, 28 anos. ‘Também não conheço alguém que tenha, mas parece interessante, porque não precisaria me preocupar com mais uma conta no final do mês’, pondera. Para a estudante de Direito, Adriana Cazo, 26, a opção parece segura e economicamente mais viável. ‘Eu não tenho, mas se não cobra anuidade e juros, é melhor que o cartão de crédito’.

Perspectiva - Essa nova opção de pagamento contribui ainda mais para a diminuição do uso do dinheiro em cédulas, aponta Amorim. ‘Ainda mais quando há um número expressivo de pessoas endividadas, inadimplentes, que não tem acesso a um cartão de crédito ou conta bancária’. Para possuir um cartão pré-pago basta estar com o CPF ou CNPJ ativo na Receita Federal.

O economista vê no uso do cartão pré-pago uma forma que as operadoras de cartões encontraram para continuar atendendo seus clientes e lucrando com isso, incorporando a parcela dos inadimplentes com os cartoes de crédito. Para ele, essa modalidade surge e ganha força como um novo modelo de negócios. Em 2014, havia pouco mais de 50 mil usuários de cartões pré-pago no país. No ano seguinte, passou para 250 mil e em 2016 as projeções apontam para um milhão de usuários no Brasil.

Cartões de Crédito e Juros - Aqueles que mantem cartões de crédito ativos, vale reforçar o alerta sobre a taxa de juros do rotativo, que atinge 439,5% ao ano, segundo o Banco Central (BC). De dezembro para janeiro, a taxa subiu 8,1 pontos percentuais, sendo a maior registrada pela série histórica do Banco, iniciada em março de 2011. O consumidor terá que arcar com essa taxa sempre que pagar o valor mínimo da fatura do cartão e não o débito total.

Conforme o Banco, a taxa média praticada sobre as compras parceladas com juros, parcelamento da fatura do cartão e dos saques parcelados ficou em 144,5% ao ano, após subir 8,3 pontos percentuais de dezembro para janeiro. Já a taxa do cheque especial chega a 292,3% ao ano, ao incorporar alta de 5,3 pontos percentuais. Para o crédito consignado, o aumento na taxa foi de 0,3 ponto percentual que impulsionou os juros para 26,8% ao ano. O crédito pessoal mantém taxa de 118,4% ao ano, com adição de 0,7% no mesmo período.

 

 

Silvana Bazani, repórter de A Gazeta

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