07/05/2011 - 09h:10 Plebiscito para divisão do Pará reacende desejo em MT

 A aprovação na Câmara dos Deputados, ontem, de plebiscito no Estado do Pará para saber se a população quer a divisão da unidade em três, criando mais os estados do Tapajós e Carajás, reacendeu uma vontade ‘adormecida’ da região Norte de Mato Grosso: a de se tornar unidade federativa. 


Assim que circulou a informação, dezenas de leitores do Olhar Direto entraram em contato com a redação para saber quando seria a consulta popular em Mato Grosso também. Porém, o plebiscito foi aprovado somente para o Pará, em novembro próximo.

Atualmente, propostas de divisão de Mato Grosso em três unidades tramitam no Congresso Nacional, criando os estados do “Mato Grosso do Norte e Araguaia”. Os projetos são de autoria do deputado federal Wellington Fagundes (PR), ex-deputado Rogério Silva e, do senador Mozarildo Cavalcanti. Um projeto que criava o Território Federal do Pantanal, de Fernando Gabeira (PV-RJ), foi arquivado.

O Mato Grosso do Norte seria composto por 46 municípios, desde Nova Mutum até a divisa com o Estado do Pará, do lado direito e esquerdo da BR-163, além de abranger também a região do Vale do Arinos, com os municípios de Juara, Juína e os da redondeza. 

Já o Araguaia seria formado por 30 municípios, ‘margeando’ o rio de mesmo nome, localizados na porção Nordeste e Sudeste do Estado de Mato Grosso, desde Barra do Garças até Confresa e Vila Rica.

A bandeira divisionista foi levantada por volta do ano 2000, pelo atual governador do Estado, Silval Barbosa (PMDB), quando deputado estadual. O sentimento de que uma nova unidade federativa poderia melhorar a qualidade de vida dos moradores da região rapidamente se espalhou, motivado pelo “abandono” do então governo Dante de Oliveira.

No entanto, após a eleição de Blairo Maggi (PR), em 2002, a bandeira de um novo Estado foi enrolada e guardada ‘nos armários’ da classe política do Nortão, já que um programa de pavimentação por meio do Fethab dava conta que os municípios seriam interligados com via asfaltada. Foi isso que fez ‘esfriar’ aquele movimento. Porém, somente parte dos municípios recebeu asfalto nas vias de acesso.

Paradoxalmente, com a eleição do Silval Barbosa para o governo, ano passado – ele tem base eleitoral no Norte do Estado - novas discussões divisionistas começaram a aparecer, ainda que timidamente. Agora, com o plebiscito no Estado vizinho, a “chama” da divisão, ao que parece, foi novamente acesa no Nortão. 

 

De Sinop - Alexandre Alves