07/06/2011 - 18h:24 Casaldáliga: "O Incra é frágil e impotente. A Prelazia é e sempre será em defesa dos índios e dos pequenos"

 

Conhecido internacionalmente por sua luta em defesa das minorias, especialmente da população indígena e dos trabalhadores sem terra, o bispo emérito de São Félix do Araguaia, a 1.150 km de Cuiabá (MT), Dom Pedro Casaldáliga acompanha de perto a situação dos índios Maraiwatsede, que lutam pela reintegração de posse da área indígena Suiá Missú, em Alto Boa Vista: “A Prelazia tem sido, é e sempre será em defesa dos direitos dos índios, de terra para quem não tem terra e dos fregueses da Reforma Agrária”.

 

Informado oficialmente sobre a proposta do Ministério Público Federal de criar uma força-tarefa para a devolução da área indígena Xavante aos índios Maraiwatsede, Dom Pedro considera esta a questão mais importante para ser resolvida atualmente no Araguaia. “Legalmente o direito é todo dos índios, mas a área foi invadida e alguns desses invasores não tem direito nenhum à terra”, observa o bispo.

 

“Aproveito para dizer mais uma fez que a Prelazia tem sido, sempre foi, é e será sempre em defesa do direito dos índios, terra para quem não tem terra e para fregueses da reforma agrária, se tem alguém que tem falado sobre isso é a prelazia de são félix do Araguaia.

 

Homologada pelo governo federal em 1998 com extensão de 165 mil hectares, a área permanece com 90% de seu território tomado ilegalmente por fazendeiros e posseiros não indígenas, majoritariamente criadores de gado e produtores de soja e arroz.

 

Estas atividades, segundo relatório do CMA/Repórter Brasil, são responsáveis por um dos maiores desflorestamentos registrados em áreas protegidas no Mato Grosso: 45% da mata nativa da TI Maraiwatsede já foi destruída, como aponta o Relatório 2010 do Programa de Monitoramento de Áreas Especiais (ProAE) do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

 

O estudo destrincha este caso e aborda ainda a pressão da sojicultura em outras áreas, como a TI Sangradouro, também dos Xavantes, e terras de Paresi, Irantxe e Nambikwara, que passaram a cultivar soja em parcerias com fazendeiros, questionadas pelo poder público.

 

Publicada por: Ida Aguiar

Entrevista: Vanessa Lima/O Repórter do Araguaia

Texto: Sandra Carvalho 

 

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