07/07/2016 - Líderes dos atentados ainda estão em MT

07/07/2016 - Líderes dos atentados ainda estão em MT

Os quatro presos, integrantes do Comando Vermelho, apontados como mandantes do "salve geral" que provocou clima de terror e insegurança em Cuiabá e no interior, no início de junho, ainda não foram transferidos e continuam em Mato Grosso, um mês após a onda de atentados.

O governo do Estado havia informado que a transferência deles já teria sido feita por medida de segurança.

A informação sobre a localização dos quatro detentos foi obtida com exclusividade pelo Gazeta Digital. Eles foram encaminhados da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, para a Penitenciária da Mata Grande, em Rondonópolis.

Três dias após os primeiros atentados, registrados dia 10 de junho, o governo informou à imprensa que já estava negociando vaga deles em presídio federal de segurança máxima e fora do Estado.

O secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, chegou a comentar que a transferência seria um dos únicos meios de tirá-los do comando da criminalidade em Mato Grosso.

A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), que responde pelo sistema prisional, argumenta que eles ainda não foram transferidos porque a Justiça Federal, em Brasília, que autoriza tais transferências ainda está analisando o pedido de Mato Grosso.

A Sejudh confirma que o grupo está na Mata Grande em alas onde ficam presos de alta periculosidade, como Sandro Silva Rabelo, conhecido como “Sandro Louco”, condenado por diversos crimes, como homicídio, assalto a banco, latrocínio e fuga de penitenciárias. Sandro Louco é apontado como integrante do Comando Vermelho. Ele nega.

Os presos ligados aos atentados, identificados como Reginaldo Aparecido Moreira (mentor dos ataques), João Luiz Baranosk, Reginaldo Silva Rios e Carlos Alberto Vieira Teixeira, foram indiciados por organização criminosa e crime de incêndio. Eles respondem por assalto a banco, roubo, tráfico de drogas e homicídio.

A Sejudh afirma que estão incomunicáveis.

O presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen-MT), João Batista, vê um risco muito grande desses detentos continuarem no sistema prisional local, não somente para a sociedade quanto para os servidores da segurança pública.

“Preso é assim. Fica 24 horas tramando para cometer mais crimes e para fortalecer a facção criminosa a qual pertencem, no caso o Comando Vermelho”, detalha o sindicalista.

No entanto, ele considera improvável um novo salve-geral, referente à visitas porque elas já estão normalizadas.

O salve geral é uma gíria e significa uma ordem, emitida por chefes de organizações criminosas, que deve ser cumpridas imediatamente.

Os ataques ocorreram porque os agentes prisionais, que estavam em greve desde 31 de maio, suspenderam as visitas.

Isso gerou revolta por parte dos detentos.

Na noite de sexta-feira, 10 de junho, aconteceram os primeiros atentados. Houve queima de ônibus e disparos contra a casa de servidores da segurança.

No sábado (11), o Judiciário intermediou um acordo para a retomada das visitas. Os agentes prisionais aceitaram fazer isso por medida de segurança.

No domingo (12), as visitas voltaram a acontecer.

Mesmo assim, por mais de uma semana, os atentados continuaram a acontecer, o que preocupou e pressionou o governo a articular força-tarefa para coibir a criminalidade.

Uma das iniciativas seria justamente a transferência dos líderes.

 

 

Keka Werneck, repórter do GD

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