07/10/2016 - Acusado de envenenar e matar criança está livre

07/10/2016 - Acusado de envenenar e matar criança está livre

Soltura de acusado de envenenar achocolatado que matou criança de dois anos revolta familiares do menino Rhayron Christian da Silva Santos. Adônis José Negri, 61, que já tinha sido beneficiado com prisão especial no dia 16 de setembro, agora foi liberado pela Justiça para aguardar o andamento do processo em casa. A prisão temporária não foi convertida em preventiva.

Na sexta-feira (30) Adônis teve autorização do magistrado Jurandir Florêncio Castilho Júnior, da 14ª Vara Criminal para deixar o Centro de Custóda de Cuiabá (CCC), para onde foi transferido depois de sofrer ameaças de morte de outros detentos do Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC).

A mãe da criança Dani Cristina Perpetua da Silva, a filha e o marido se mudaram do bairro Parque Cuiabá, onde eram vizinhos de Adônis, por medo de represálias. O fato da casa da família ter sido invadida na semana passada, deixou ela ainda mais apreensiva após a decisão da Justiça.

Todos os eletrodomésticos foram levados da casa. Restou praticamente a roupa do corpo, segundo informou a advogada Nadeska Calmon Freitas. Segundo ela, o magistrado em seu despacho argumentou que por não ter antecedentes criminais e possuir endereço fixo, Adônis preenchia os requisitos para receber a liberdade.

Advogada aguarda agora o retorno do processo que está em apreciação pelo Ministério Público para tomar providências. Lembra contudo que o o MP foi favorável a manutenção da prisão de Adonis.

Caso - A morte por envenenamento teve repercussão nacional, já que inicialmente havia suspeita de que o lote de achocolatado que a criança bebeu poderia estar contaminado. Com isso houve intervenção da Vigilância Sanitária que determinou o recolhimento de todo o lote.

Mas exames em laboratório forense, nas amostras do material coletado na embalagem e do corpo de Rhayron apontaram que um veneno específico foi injetado na caixa de achocolatado, provocando a morte da criança cerca de 10 minutos após a ingestão. Um amigo da família que também bebeu o líquido de uma das caixas, também sofreu grave intoxicação e precisou ficar hospitalizado. Fato ocorreu no dia 25 de agosto.

Investigação da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança (Deddica) chegaram a Adônis, que teria colocado o veneno dentro das caixas, utilizando uma seringa. Ele queria envenenar o usuário de drogas Deuel de Rezende Soares, 27, que havia furtado alimentos de sua casa diversas vezes.

Mas depois de furtar os achocolatados, Deuel que era amigo do pai do menino, vendeu as 4 caixas para ele, por R$ 10. O pai colocou o alimento na geladeira e no dia seguinte Dani ofereceu o produto ao filho, que morreu pouco depois em uma policlínica da cidade. Deuel ainda está preso no CRC.

 

 

Silvana Ribas, repórter do GD