07/11/2015 - Idosa é resgatada de lama tóxica após tragédia

Um cenário de destruição, que parecia o "fim do mundo". Assim ficou o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região central de Minas Gerais, atingido por uma avalanche de lama na tarde desta quinta-feira (5).

O relato é do comandante do Batalhão de Radiopatrulhamento Aéreo da Polícia Militar, tenente coronel Rodrigo Sousa. Até a noite de ontem, uma pessoa tinha morrido e 16 estavam desaparecidas. As autoridades ainda não têm uma estimativa de quantas pessoas foram atingidas pela tragédia.

Com o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, dejetos tóxicos arrasaram a localidade e ameaçam atingir vilas vizinhas, além de contaminar rios da região.

Em entrevista ao R7, o militar relata o momento de desespero dos sobreviventes.

— Os moradores foram pegos de surpresa. Resgatamos uma idosa, de 73 anos, que estava nadando na lama. Ela estava muito mal, pode ter ingerido os dejetos. Tem muita gente ilhada, teve motorista preso nos carros. O mundo acabou ali, a situação é de calamidade pública.

Mesmo comandando o resgate, o tenente coronel ainda não podia mensurar a quantidade de vítimas.

— Somente amanhã [sexta]. Os feridos mais graves transportamos de helicóptero para o João 23 [em BH], mas tem muita gente sendo atendida nos hospitais da região. Logo abaixo tinha um distrito com 40 casas, não dá para falar ainda quem ficou ou conseguiu sair.


Segundo o capitão Thiago Miranda, assessor de comunicação da corporação, nesta quinta-feira (5) será feito o trabalho de identificação de funcionários e moradores que podem ter sido soterrados.

— Vai ser feito mais um trabalho de contagem. Durante a noite, essas áreas ficam muito escuras, o que torna difícil essa busca.

Os pilotos de cinco helicópteros do governo orientaram moradores do entorno a buscar áreas mais altas para fugir da lama, já que o rompimento se deu em duas etapas. Primeiro ruiu a contenção principal, e os dejetos ainda escaparam de uma segunda comporta.

O Ministério Público abriu inquérito para investigar a atuação da Samarco, que fazia intervenções no local para ampliar as operações. Órgãos ambientais de Mariana e do Estado de Minas devem se pronunciar sobre a regularidade do empreendimento.

 

 

R7

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