08/02/2011 09h?28 Após crucificar apenas Cuiabá pelo caos no Pronto Socorro, entidades finalmente entendem que Estado é omisso

Foto: Sandra Carvalho

Até pouco tempo o CRM, após vistoria, culpava apenas o município pela falta de estrutura no Pronto Socorro de Cuiab

Conselhos de classe de profissionais da saúde se articulam para entrar com uma ação judicial por omissão contra o Governo do Estado e a União pela forma precária como estão sendo atendidos os pacientes do SUS nesses dois municípios.

 

O CRM/MT está se unindo ao Conselho Regional de Fisioterapia (Crefito), Conselho Regional de Serviço Social (CFESS) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren) para, com respaldo do Ministério Público Estadual (MPE) protocolar a ação na Justiça.

Até dias atrás essas entidades culpavam apenas a Prefeitura de Cuiabá pelos problemas estruturais do Pronto Socorro da Capital, que atende pacientes de todo o interior e incluive países e estados vizinhos. Agora perceberam que o Estado precisa investir mais em Cuiabá e estruturar a saúde no interior ao invés de apenas distribuir ambulâncias para trazer os pacientes para a Capital.

 

A iniciativa de acionar o Estado e a União nasceu ao término de vistoria feita pelo Conselho Regional de Medicina no Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) realizada após queda parcial do teto durante temporal

Quatro conselheiros do CRM participaram da vistoria no HPSMC, motivada por denúncias frequentes de médicos lotados naquela unidade e que relatam problemas de superlotação, falta de profissionais e equipamentos danificados. A queda do teto próximo à Sala Vermelha na semana passada foi a gota d’água.

Os problemas são antigos e é evidente que somente a construção de um grande hospital estadual em Cuiabá garantirá condições adequadas de atendimento aos pacientes e condições de trabalho aos profissionais da saúde.

O médico Arlan Azevedo Ferreira, presidente do CRM/MT, critica os governos federal e estadual por descumprirem a Lei 8.080/1990, que dispõe sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e a própria Constituição Federal, onde consta: saúde é um direito de todos.
“O Pronto Socorro de Cuiabá recebe pacientes de todo o Estado e não há uma contrapartida à altura do Governo”, observa o médico, lembrando que o novo Hospital Júlio Muller ainda não saiu do papel e o Hospital Metropolitano de Várzea Grande continua fechado após meses da obra ser concluída.