08/02/2013 - Deputado defende goianização e tocantinização do Vale do Araguaia

Sem anel viário a alternativa para Barra do Garças seria a construção de nova ponte na divisa com Goiás. Com o abandono do Vale do Araguaia a solução seria goianizar e tocantinizar aquela região. Com esse discurso o deputado Daltinho de Freitas (PMDB) retorna à Assembleia Legislativa.

O parlamentar acaba de assumir a cadeira da correligionária Teté Bezerra, que está licenciada para exercer o cargo de secretária estadual de Desenvolvimento do Turismo. Ex-deputado, Daltinho em algumas ocasiões foi suplente em exercício; agora é o único integrante da legislatura em curso com domicílio eleitoral em Barra do Garças, a principal cidade do Vale do Araguaia.

Daltinho sempre defendeu a construção de um anel viário ligando Mato Grosso a Goiás e cruzando a área do entorno da Barra, Pontal do Araguaia e da goiana Aragarças, que formam um aglomerado urbano interestadual com 80 mil habitantes. As rodovias federais remontadas 070 e 158 atravessam as áreas centrais das três cidades, num trajeto com 15 quilômetros de extensão. O trânsito de longa distância se mistura ao movimento local e, são comuns os congestionamentos e acidentes envolvendo pedestres.

A proposta do anel viário – segundo o deputado – esbarra em licenciamentos ambientais federais e até mesmo no “freio” puxado por Goiás. A saída, segundo ele, seria a construção de uma ponte com 230m sobre o rio Araguaia ligando a área periférica de Barra a Aragarças, mas sem incluir Pontal do Araguaia no trajeto.

A ponte sugerida por Daltinho seria construída nas imediações de um frigorífico bovino em Barra, próximo ao balneário das águas quentes.

O deputado acredita na viabilidade dessa ponte. Questionado se Goiás compartilharia o custo da obra, respondeu seco que, “não”. Depois acrescentou, “até agora todas as pontes no Araguaia, menos as duas na BR-070 ligando as três cidades (sobre o rio Garças e o Araguaia) foram construídas por Goiás; Mato Grosso entra somente com o barranco”, observou.

A situação de vulnerabilidade social das famílias que em dezembro do ano passado foram expulsas da vila Estrela do Araguaia e da área rural da antiga Fazenda do Papa - em Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia - agora renomeada terra indígena Marãiwatsede preocupa o deputado. “Elas (as famílias) estão abandonadas e são vítimas de uma decisão judicial com base em documentação fraudulenta”. Daltinho adiantou que é solidário e que assim continuará em relação aos ex-posseiros “que foram arrancados de suas casas à bala”.

DIVISÃO, NÃO; ANEXAÇÕES, SIM

“O (Vale do) Araguaia está abandonado pela classe política de Mato Grosso”, protestou Daltinho.

Um repórter que acompanhava a entrevista perguntou a Daltinho se ele defendia a criação do Estado do Araguaia; a resposta foi, “não”, com a justificativa que a região tem apenas 400 mil habitantes.

Mesmo contrário ao seccionamento territorial mato-grossense o deputado defendeu uma tese até então estranha quando o assunto é divisão territorial em Mato Grosso: a goianização e a tocantinização.

Em sua concepção goianizar significa anexar a Goiás a parte mato-grossense limítrofe àquele Estado; tocantinizar tem o mesmo significado.
 

 

EDUARDO GOMES

 

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