08/03/2014 - “Minha pena será pra sempre”, diz mãe presa por morte de recém-nascido

“Eu tenho culpa...Por mais que estivesse doente...Todos os dias eu choro. Todos os dias eu sou punida. Era uma alegria ter meu filho e o perdi tão cedo, por burrice. Vou carregar a culpa pra sempre, por mais que eu tenha outros filhos, não vou esquecer nunca... Essa dor vai me acompanhar, sempre. Tá aqui. Minha pena será pra sempre”. O depoimento é de Tainara Cardoso de Araújo, 19 anos, em entrevista. Presa pelo assassinato do filho Josué Araújo de Souza, aos 59 dias de vida.

Tainara foi indiciada pela morte da criança registrada em 6 de janeiro de 2014 e segue na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May. Por medida de segurança à sua vida é mantida em uma ala separada das demais detentas, juntamente com as reeducandas que cometeram crimes ‘considerados‘ sem perdão pelas demais, aqueles que envolvem crianças. O caso só veio à tona depois que Tainara e o marido, André Luis Pinto de Souza, levaram o menino já em óbito até um hospital de Cuiabá para pedir socorro. Lá, foram denunciados pelos enfermeiros e acabaram presos. A criança sofreu fratura craniana. 

Nessa entrevista, ao contrário do que declarou à Polícia Civil, a jovem conta ser evangélica e afirma ter percebido, sim, que a criança não estava bem pouco depois da queda. “Eu tive medo de contar pra delegada, mas vou falar pro juiz. Eu sei da minha culpa. Eu não consigo explicar como não fiz nada. Eu vi a perna do bebê repuxando...Foi por medo...Não sei...Na delegacia eu estava tão transpassada com tudo...”.

O pequeno Josué sofreu a fratura da cabeça depois de ser jogado em um colchão no chão no dia 3 de janeiro de 2014, durante uma discussão entre seus pais, André Luís Pinto de Souza e Taianara, registrada por volta das 22h. O olho roxo que o menino apresentava, além das marcas de mordidas na face e no abdome geraram a briga, segundo Tainara. 

“Eu estava muito fraca por causa da gravidez, eu acho que já era meu problema cardíaco e acabei adormecendo um dia e quando me levantei o menino já tinha a marca de mordida no rosto e o olho roxo”. Segundo ela, atendendo a um pedido do marido, ela parou de ir até a igreja Assembleia de Deus Vila Real. “Fiquei sem ir um tempo. Eu fiquei muito fraca mesmo. Não podia abaixar, nem levantar, qualquer coisa ficava tonta”. Ela cita que possuía uma relação de total dependência com o rapaz com quem conheceu aos 13 anos. Segundo ela, por dois anos eles mantiveram um relacionamento e depois se separaram. 

Já aos 17 anos se reencontraram e permaneceram casados até a morte da criança. Os dois moravam em uma república (com apenas três peças)  na região do Osmar Cabral e sobreviviam com um salário mínimo que André recebia trabalhando em um mercado. 

Durante toda a entrevista, a jovem deicou claro que sua pena é perpétua. Aos prantos, declarou que irá tentar reconstruir sua vida e que não deseja nenhum vínculo com Luis André. "Não temos mais nada".  Ela irá tentar na Justiça responder o processo em liberdade já  após a  morte da criança teve de ser  levada para o hospital e foi constatada  que é uma cardiopata. 

Luis André, pouco depois de ser preso, ao ser questionado pela imprensa sobre a morte da criança disse que não tinha nada a declarar. Os dois foram indiciados pela delegada Anaíde Barros, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pelo crime de homicídio. André também está preso pelo crime. 

O pequeno Josué morreu um dia antes de completar dois meses de vida. Ele nasceu em 8 de novembro de 2013. 

 

Patrícia Neves

Comentários

Data: 10/03/2014

De: eu

Assunto: lamentavel

Não sei nem oq dizer, tei culpa? ou não? quem e culpado? o nosso mundo que quer, que uma pessoa vive com um salario minimo, abala o emocional de qualquer ser humano. E lamentavel.

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