08/04/2014 - Parabéns Ikuiapa pelos seus 295 anos

A nossa origem enquanto núcleo urbano, remota a data de 8 de abril de 1719. Neste dia foi lavrada a certidão de nascimento de Cuiabá. Essa certidão recebeu o nome de Ata de fundação de Cuiabá, sob invocação (proteção) Nossa Senhora da Penha de França.

 

O local do primeiro Arraial, segundo o documento oficial foi no atual distrito do Coxipó do Ouro, localizado a mais ou menos vinte e cinco quilômetros do centro urbano da cidade.

 

Neste local primitivo, segundo relatos orais e depois contados pelo primeiro historiador e segundo vereador de Cuiabá, Barbosa de Sá, os bandeirantes paulistas liderados por Pascoal Moreira Cabral encontraram ouro por acaso e de bandeirantes, viraram mineradores. Havia em torno de pouco mais de uma centena deles.

Em homenagem as descobertas iniciais e seus descobridores, temos hoje o bairro bandeirantes, onde estão localizadas três grandes estátuas, com as figuras étnicas, do branco, do negro e do índio, sendo suas ruas nomeadas com os signatários da ata.

 

Oficializar a descoberta de ouro era uma obrigação, pois caso contrário eles iriam incorrer em crime de lesa majestade, o que poderia render o corte de suas cabeças.

 

Ao ler com mais detida visão o documento, constata-se algumas inquietações sobre a origem de Cuiabá.

 

Ao mesmo tempo em que fala logo no inicio do nome Cuiabá, o mesmo que redigiu o documento dá o nome de Nossa Senhora da Penha de França ao local. Mas os moradores vão chamar o local de Arraial da Forquilha, devido ao encontro de dois pequenos rios em um só, formando uma forquilha.

 

Contesta-se a veracidade do documento, alegando que ela foi transcrita pela primeira vez depois das descobertas. É interessante lembrar que informar ao rei ou a seu preposto legal (o governador de São Paulo) é ter que pagar o quinto real (imposto de vinte por cento ao rei), além de dividir as terras auríferas com mais gente.

 

O historiador Rubens de Mendonça em seu livro Roteiro Histórico & Sentimental da vila do Bom Jesus e Cuiabá, pontua que a ata de fundação foi assinada no morro da luz, em frente ao antigo Clube Dom Bosco, como segue: A lavratura da ata de 8 de abril de 1719 teve lugar nas proximidades do Clube DOM BOSCO, no Morro da Prainha, sob a ramagem de um frondoso “pau D’alho”, onde o Prefeito Vicente Emilio Vuolo fez assinalar com uma placa de bronze, os seguintes dizeres: “Neste local a 8 de abril de 1719, reunidos os Bandeirantes Pascoal Moreira Cabral foi lavrada a Ata de Fundação de Cuiabá”.

 

Embora o primeiro documento oficializando as descobertas fale desse primeiro povoamento, com o nome de Arraial, devemos lembrar-nos do bairro de São Gonçalo, na região do Coxipó da Ponte. Na micro região segundo outra vertente historiográfica, surgiu o primeiro núcleo de povoamento, que embora efêmero, era um entreposto com certo significado, onde paravam sempre Manoel de Campos Bicudo o primeiro bandeirante português a pisar nesta paragens e seu Filho Antônio Pires de Campos.

 

Indo nesta linha da polêmica sobre a primazia do lugar onde aconteceu o povoamento original, ela se estende a data de 1722.

 

Em outubro de 1722, por meio de histórias orais, o já citado Barbosa de Sá, fala das peripécias de dois índios domesticados de propriedade do paulista de Sorocaba, Miguel Sutil.

 

Durante a visita de uma roça as margens do rio Coxipó (atual Coxipó da Ponte), foram procurar mel silvestre e só voltaram tarde da noite. Ao invés de mel mostraram ouro. O episódio além de criar a famosa frase “Ouro ou mel”, ensejou a criação de outro arraial, as margens do córrego da Prainha, nas imediações da atual Igreja de São Benedito e de Nossa Senhora do Rosário. As descobertas das “Lavras do Sutil” levou a migração da população de Arraial da Forquilha para o novo Arraial chamado de Nosso Senhor do Bom Jesus de Cuiabá.

 

A dubiedade está posta. Qual a data oficial do aniversário de Cuiabá? 8 de abril de 1719, ou outubro de 1772?

 

Percebam que hoje a região do Coxipó do Ouro pertence ao município de Cuiabá, mas na época era uma região qualquer sem significado ou limitações geográfica definida. A única definição possível de se alocar é que tudo aqui era invasão portuguesa em território espanhol, definido pelo Tratado de Tordesilhas.

 

Outras questões levantadas sobre o aniversário de Cuiabá é quanto ao seu nome. De onde vem o nome Cuiabá?

 

Alguns relembram que o rio tinha muitas cabaças, o que levantou a vertente de que Cuiabá significa rio das Cabaças. Dai surgiu a lenda do índio, ou de um jovem português, que viu sua cuia cair no rio e fez o barulho “bá”. Surgiu ai o nome Cuia que vá, e depois Cuiabá.

 

O mesmo rio tinha muitas lontras o que designou o termo ”lontra brilhante” do tupi guarani, significado do nome Cuiabá.

 

Segundo outros, o nome teria sido herdado do nome de uma tribo de índios, os Cuiabases.

 

A Antropologia afirma que devido à existência de tribos dos bororos, vivendo as margens do rio Cuiabá designou o nome de nossa cidade do lugar onde eles pescavam peixe com arpão, entre o fim do Córrego da Prainha e o rio Cuiabá, que eles designavam de Ikuiapa. Pela corrupção do nome indígena e as transformações do nosso português chega-se ao nome atual CUIABÁ.

 

Outra situação polêmica é quanto a categoria de bandeirantes como colonizadores de Mato Grosso. Pelo que se sabe, bandeirantes eram entre outras situações da época, prezadores de índios.

 

Buscavam índios para alocá-los principalmente nas lavouras de São Paulo. Portanto, nesta categoria inicial, não podemos chamá-los de povoadores e sim de despovoadores dos nativos. No entanto ao se fixar devido às terras auríferas e devido ao tempo de fixação perene, tornaram-se povoadores pelo ouro.

 

Independente das polêmicas citadas, Cuiabá foi o primeiro núcleo urbano do Estado de Mato Grosso, e adquiriu o status de Vila em 01 de janeiro de 1727 e elevada à categoria de cidade em 17 de setembro de 1818, por Carta Régia assinada por Dom João VI no Rio de Janeiro.

 

Mas faltava a Cuiabá o seu maior triunfo, o de ser capital do nosso Estado. Em 1835 isso ocorreu pela lei n. 19 no período regencial do Brasil (1831/1840).

 

 

Pedro Félix

 

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