08/04/2015 - CPI da Copa chama Silval para depor sobre obras do VLT

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) será ouvido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, que investiga supostas fraudes nas obras de mobilidade urbana da Copa do Mundo, especialmente as relacionadas ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). 

A convocação de Silval foi aprovada durante reunião ordinária da CPI, realizada na manhã desta terça-feira (7).

Na ocasião, foram aprovadas, ainda, as convocações do ex-secretário da Copa, Eder Moraes e do ex-presidente da AL, o ex-deputado José Riva (PSD), conforme o presidente da CPI, deputado Oscar Bezerra (PSB), já havia antecipado na última semana. 

De acordo com Bezerra, além do governador Silval, Eder e Riva tiveram papel “importante” na troca do Bus Rapid Transport (BRT) para o VLT. 


O representante legal do Consórcio Planservi (responsável pela emissão de relatórios técnicos de acompanhamento da obra), Valter Boulos, o superintendente regional da Caixa Econômica, Carlos Roberto Pereira, o da Gerência Executiva de Governo, Manoel Pereira dos Santos, e o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Luiz Miguel, também foram convocados como testemunhas, para colaborarem com o processo de investigação. Riva, por exemplo, é apontado como “articulador político” para a realização dessa troca. 

De acordo com os membros da CPI, os três serão ouvidos na condição de testemunhas. As datas dos depoimentos, no entanto, ainda não foram definidas. 


Testemunhas “atrás das grades” 

Relacionados como testemunhas, Eder Moraes e José Riva estão presos preventivamente no Centro de Custódia de Cuiabá (antigo presídio do Carumbé). 

Eder foi preso na manhã do último dia 1º, durante a 7ª fase da Operação Ararath, da Polícia Federal, que investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. 

De acordo com os desdobramentos das investigações, Eder estaria vendendo imóveis de sua propriedade, para evitar possíveis confisco e bloqueio de bens.

Já o ex-deputado José Riva está preso desde o dia 23 de fevereiro, após a deflagração da Operação Imperador, que investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro público, por meio de empresas fornecedoras de materiais da Assembleia Legislativa. 

Em entrevistas recentes, o deputado Oscar Bezerra – que preside a CPI da Copa – afirmou que, em um primeiro momento, ambos devem contribuir apenas como testemunha da comissão.

“Eles virão aqui no momento adequado, com hora marcada. Se no momento eles ainda estiverem detidos e precisarem vir contribuir como testemunhas, não terei dificuldade em fazer o chamamento”, afirmou o deputado.

“Nós estamos em um processo investigativo, não podemos esperar um ou outro que está detido ser liberado para vir prestar esclarecimentos. Então, os dois serão ouvidos provavelmente como testemunha”, completou ele. 

CPI 

A CPI das Obras da Copa investiga possíveis irregularidades, eventuais desvios de dinheiro e falhas existentes na obra do modal de transporte e que integram o pacote de implantação do VLT em Cuiabá e Várzea Grande.

Até o momento, já foram ouvidos – também como testemunhas - o secretário do Gabinete de Projetos Estratégicos, Gustavo de Oliveira e o controlador-geral do Estado, Ciro Rodolpho Gonçalves. 

Oliveira, cuja pasta ficou responsável pelos projetos da Copa do Mundo, da extinta Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), apresentou um panorama da atual situação das obras da Copa, com foco especial VLT. 

Já o controlador-geral do Estado, em seu depoimento, detalhou como foi realizado o relatório oriundo da auditoria nas obras da Copa. 

“Nesta primeira fase da CPI estamos coletando informações e dados técnicos, uma vasta documentação para que possamos ter subsídio para aprofundar a investigação. E é importante ter acesso a estes dados que trouxeram, pois, colocam no papel muitas situações que já sabíamos”, afirmou o deputado Oscar Bezerra. 

Os trabalhos da CPI devem ter “consonância” com as ações já desenvolvidas pelo Ministério Público e Procuradoria Geral do Estado (PGE).

A comissão está dividida em três sub-relatorias que irão subsidiar o relatório final. O prazo para a realização dos trabalhos é de 120 dias, prorrogáveis por mais 60, em um total de 180 dias. 

 

 

Camila Ribeiro 
Da Redação

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